Turcão restitui disco zoado por gato

Sérgio Turcão, que faz dupla com Jica, no palco do SESC Pompeia (Marcelino Lima)

O querido Sérgio Turcão, que forma com o amigo Jica uma das mais irreverentes duplas paulistas e do Brasil e que, juntos, também integraram o Tarancón na década dos anos 1970, restituiu à minha coleção de discos um título precioso, cujo exemplar anterior foi inutilizado por uma traquinagem de um dos meus antigos gatos: “Música de Relaxo”, o primeiro disco que eles lançaram, inicialmente pela Carambola Discos, e que agora ganhou nova tiragem com o selo da Tratore. Turcão salvou o acervo do Barulho d’água no camarim do teatro do SESC Pompeia em 4 de junho. Naquela noite, minutos antes, ele acabara de tocar com Daniel Franciscão e o convidado especial do programa Sr. Brasil, Lucas Ventania.

Classificar o estilo de Jica y Turcão seria algo impreciso demais. As faixas de “Música de Relaxo”, como eles mesmos indicaram no subtítulo, têm elementos “afrocaribenhalatinocaipirabrasileiros”, compostos em letras cujo tempero é o bom humor, a maioria escrita por ambos. A intenção é mesmo descontrair, e relaxar não necessariamente comporta aqui o sentido de esculachar. Dentro desta proposta, Jica y Turcão também readaptaram  marchinhas folclóricas como “Tororó”, da Bahia, e “La Cucaracha”, do México. Nesta sobrou até para a clássica “Chico Mineiro”. Cantada em italiano, a saga da última viagem para o sertão de Goiás virou “Francesco Minero”, com direito a referências a Rita Pavone e Nico Fidenco e Gino Paoli, entre outros cantores da Bota.

Capa de “Música de Relaxo”, da dupla Jica y Turcão, ambos ex-integrantes do Tarancón

Há no disco, ainda, cômicas alusões a algumas colônias de imigrantes cujos representantes elegeram Sampa para viver, como “Buxa o cordão”, cujas personagens são os libaneses Nagib e Salomão, “Melô do Portuga”, “Japa” e “Ai de mim”, cujo refrão é “ai de mim, ai de mim, eu fui passar o Carnaval em Berlim” onde quem toca o pandeiro é nada mais, nada menos, que o elegante Franz Beckenbauer, capitão da seleção alemã campeã do mundo em 1974.

O repertório de “Música e Relaxo”, do qual se pode destacar, ainda, “Vinheta quem gosta”, e passeia por Paranapiacaba, Pindamonhangaba, Itaquaquecetuba, Pirassununga, Ituverarva e Aldeia de Carapicuíba, colocou o álbum entre os concorrentes ao Prêmio Sharp de 1996. A sátira e a paródia também são ingredientes básicos nos dois outros álbuns de Jica y Turcão, “Ord Music” e “Preto no Branco”.

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