Grupo Violado comemora cinco anos de gravação do primeiro DVD

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A partir da dir. Guilherme, Amaral, Fernando Tal, João Paulo e Filipe, do Grupo Violado, de SBO (Fotos: Azael Bild e Valter Guarnieri)

 

Já estou atrasado há quase um mês, mas acredito que, ainda assim, dá para enviar aqui pelo Barulho d’água (que nasceu bem depois e há apenas alguns dias) um abraço e desejar parabéns aos rapazes do Grupo Violado de Música Raiz, de Santa Barbara d’Oeste, cidade do Interior paulista. Em 22 de Guilherme, Filipe, Amaral, João Paulo e Fernando Tal, amigos e fãs comemoraram cinco anos de lançamento do primeiro DVD, gravado no Teatro Municipal Manoel Lyra, naquela cidade. Tenho o disco autografado por dois deles, Filipe e Guilherme, e desde abril, quando os conheci em Piracicaba, volta e meia o ponho para rolar e voltar a ter a oportunidade e o prazer de ouvir, por exemplo, o clássico de raiz “A Volta do boiadeiro”, de Sulino e Marrueiro — toada já gravada por Lourenço e Lourival e Sérgio Reis com a qual me reencontrei assistindo justamente ao DVD, removendo-a do esquecimento de um escaninho qualquer da minha memória.

A canção que destaquei é a #3 de 17 sucessos do repertório que relembra ainda Teddy Vieira e Luizinho, Moacyr dos Santos, Raul Torres, Tinoco, João Mulato, Dino Franco, Jacozinho e os parada-duras Creone e Barrerito (o terceiro era o Mangabinha), entre outros nomes consagrados do gênero que integram uma lista dourada complementada por vários pagodes do mestre Tião Carreiro. Entre os clássicos dos craques acima citados, o Grupo Violado apresenta “Pé de ipê”, “Amargurado”, “Moreninha linda”, “Chico Mineiro”, “Boiada Cuiabana”, “Empreitada Perigosa”, “Pagode de Brasília”, “Chora Viola”. A abertura é “Vide, Vida Marvada”, de Rolando Boldrin.

Para quem tem mais de 50 aninhos, como eu, esta seleção atiça uma gostosa saudade! Eu, por exemplo, voltei aos quintais da infância, revisitei tempos distantes e já meio esmaecidos que na verdade não passaram e estão marcados por experiências e brincadeiras aparentemente pouco significativas, mas que moldam o caráter e definem os valores que abraçamos para o resto da vida tais como subir em goiabeiras, beber leite ordenhado na hora, pisar em merda de vaca, ouvir moda de sanfona e de viola aos pés da cama dos pais, rezar em novenas ou em vias sacras, marcar as horas pelo canto de uma seriema, assustar-se com o pio de uma coruja. Acredito que as memórias se manifestam assim para todos; jamais morrem, ficam apenas quietinhas dentro da gente, só esperando a hora de a porteira que as aprisiona se abrir ou ser aberta a modo de correrem a galope por campinas, levando-nos a passear de canoa, a pescar na beira de um córrego, tomar café coado recém socado em pilão, a admirar a bunda de uma aranha, com reverência ao inseto, na varanda do sítio das nossas Tias Marias, onde escutamos tanta história de mulas sem cabeças, de assombração de tudo que é jeito esquisito.

Ah, então, vamos deixar de prosa. E parafraseando Paulo Freire, vai ouvindo, vai ouvindo e assistindo; não se contenha se de uma hora para outra a garganta apertar em um nó, os joelhos tremelicarem, o peito sufocar…

Nova Imagem
Primeiro DVD do grupo, gravado em 22 de março de 2009, tem sucessos como “Menino da Porteira” e o pagode “Nove Nove”, de Tião Carreiro

 

 

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