Luiz Salgado empunha a bandeira de defesa das belezas e fé dos povos do Cerrado

Luiz Salgado canta as belezas do cerrado e as tradições de um povo cuja fé torna as pessoas mais fortes (Fotos de Nalu Fernandes)

“Eu sou salgado como o mar, calmo como rio em dia de cheia/sou forte como o carcará, eu sou jequitibá que não titubeia”

Luiz Salgado, em“Raízes”, do álbum Trem Bão

Luiz Salgado é cantor e compositor nascido em Pato de Minas, atualmente residente em Araguari (MG). De acordo com a própria forma de se apresentar, procura revelar a alma simples do povo ao tocar e cantar  suas modas. Para tanto, costura seus estandartes com elementos simples e ao mesmo tempo relevantes, característica que se soma à irreverência pessoal, ao bom humor e a profícua capacidade de recolher e contar causos. A preservação do bioma cerrado e de toda fauna e flora, assim como das culturas mineira e brasileira, é outra meta deste expoente da viola caipira que integra o Projeto 4 Cantos ao lado de Cláudio Lacerda, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira. O mais recente trabalho, em parceria com Katya Teixeira, o álbum “2 Mares”, esteve cotado para receber o troféu de melhor da música neste ano na categoria regional.

“A cultura é um canal transformador e criador”, declara Luiz Salgado. “Meu trabalho é fincado na expressão musical arraigada no Brasil profundo, eleva a música que emana das tradições e das festas populares, da Folia de Reis, do Congado e da viola caipira”. Com acordes, ponteados e versos que ilustram poeticamente as belezas do cerrado, as criações dele acabam por se constituir em uma atitude protagonista e militante, uma ferramenta e um brado de resistência e de combate — como é, por sinal, bravo e obstinado o próprio meio que ele retrata.

“O cerrado tem uma particularidade encantadora: mesmo em uma região que aparentemente está totalmente árida, sempre há uma flor vicejando, por menor que seja”, conta. “O mais fantástico é presenciar como, em pouco tempo, da aparente desolação é brota o verde de novo, colocando diante dos olhos lugares de pura exuberância”.

O folclore de Minas Gerais e todo o fervor religioso dos povos do sertão também encontram na obra de Salgado um pujante defensor e estão presentes em sua discografia. A lista começa por “Trem Bão”, tem “Sina de Cantadô”, o dvd “Noite e Viola” e “Navegantes”, este dedicado ao público infantil, além do “2 Mares”. Entre as faixas desta profícua e doce cesta de frutos dos mais variados, há parcerias dele com Consuelo de Paula, Cátia de França, Orquestra de Viola Caipira do Cerrado, Viola de Nóis, Trem das Gerais, Pena Branca & Manuvéi, Levi Ramiro e João Bá.

Recentemente, Salgado apresentou-se no SESC de Araraquara. Em 6 de julho, ao lado de Katya Teixeira e Carol Ladeira ele será atração de mais uma edição do “Arreuni”, projeto de João Arruda realizado sempre no Centro Cultural Casarão, em Campinas. O show está marcado para começar às 19 horas. Ao lado dos companheiros do 4 Cantos, em agosto de 2013, gravou participação no programa Sr.Brasil, de Rolando Boldrin, quando cantou “Carcará, guardião do cerrado”. É um dos ganhadores do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Viola Caipira, entregue em junho de 2013 pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira , no Memorial da América Latina (SP).

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Com Katya Teixeira, o cantor mineiro produziu 2 Mares, que tem canções e cantigas das culturas do Brasil e de Portugal (Marcelino Lima)
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Noel Andrade encontra Renato Teixeira no Belenzinho

 

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Noel Andrade com Katya Teixeira durante o show em que eram convidados de Luís Perequê, realizado em São Paulo (Fotos de Marcelino Lima)

Divulgação com mais de um mês de antecedência, gente, para ninguém dar bobeira: Noel Andrade vai cantar e tocar no palco do SESC Belenzinho em 27 de julho, a partir das 18h30. O violeiro de Patrocínio Paulista (SP), residente na Capital, na ocasião, receberá o autor de “Romaria” Renato Teixeira.

 

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Capa do álbum do violeiro

Noel Andrade é um dos mais ativos violeiros da atual geração e já lançou o disco independente Charrua”distribuído pelo selo Tratore. O álbum tem participação de Renato Teixeira e do saudoso Dércio Marques, além de composições de Rosinha de Valença, Francisco Nepomuceno, Elpídio dos Santos, Luís Perequê, Chico Lobo e Godofredo Guedes, pai de Beto Guedes. Em junho de 2013, Charrua rendeu ao autor um dos troféus do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Moda de Viola, na categoria “CD”.

 

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Renato Teixeira estará com o autor de “Charrua” no Belenzinho

 

Praça Benedito Calixto inspira álbum de chorinho

O grupo Vitor Lopes e Chorando as Pitangas chegou com “Um Passeio pela Benedito Calixto” ao segundo álbum, com o mesmo sucesso do anterior

 

Especial para a rádio UOL

 

Galera: vamos começar a atualização de hoje do Barulho d’Água Música dedicando atenção a um álbum que não é de violeiro,  mas que traz um sabor também brasileiro, e neste caso paulistano, das nossas mais representativas águas, o chorinho. Trata-se do segundo trabalho do Vitor Lopes & Chorando as Pitangas, do comecinho de 2013, lançado pela Lua Music. O título do disco é Um passeio na Benedito Calixto.

Para quem ainda não sabe Benedito Calixto é o nome da praça do bairro de Pinheiros que todo paulistano e quem mora por perto de Sampa curte, principalmente aos finais de semana, reduto de muita gente boa, de malucos e de cada figura! E de uma feira de antiguidades que vende de tudo o que é “tranqueira”, de moedas do tempo do Império a uniformes militares ianques, passando por cristaleiras, espelhos, canivetes, brinquedos, pôsteres. A BC é cercada de sebos, de botecos e de restaurantes onde dá para gente de todos os bolsos gastar, comer e beber decentemente (ou ao menos tomar um prosaico café) entre uma compra e outra de um treco para a casa, ou para uma alma do peito, ou do coração. Ah, tem a canseira que é estacionar! E, dependendo da muvuca, a ginástica que é caminhar entre as barracas! Ainda assim eu recomendaria como um programinha familiar básico, que, depois, pode ser esticado para outro canto, de Pinheiros, mesmo, ou da Madá.

Bom, mas o assunto é o disco de chorinho. Então, abaixo vai, para quem quiser saber mais e se interessar, a ficha de apresentação da obra, da própria Lua Music:

1620441_682894081774965_2133439060_nUm Passeio na Benedito Calixto é nome do segundo CD do grupo Vitor Lopes e Chorando as Pitangas, gravado pela Lua Music. Tendo como fonte de inspiração a mais charmosa feira de antiguidades e artesanato de São Paulo, o trabalho é uma homenagem aos artistas populares que dão vida à praça. As barracas coloridas, o murmúrio dos transeuntes, o cheiro das guloseimas, tudo serve de motivação para o quinteto paulista. Com um repertório sofisticado e variado executado com precisão e delicadeza, o Chorando as Pitangas traz um sopro de novidade ao universo da música instrumental brasileira. Com improvisos inspirados, passagens virtuosísticas, muito balanço e o timbre inconfundível da harmônica de boca, a simpática gaitinha, o CD tem uma surpresa a cada faixa. Misturando os ruídos da própria praça ao som das músicas gravadas em estúdio, o ouvinte tem a sensação de realmente estar caminhando pela Benedito! Então, respire fundo, relaxe, e se deixe levar por esse passeio à raiz da cultura popular brasileira!”

 

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As barracas da praça famosa de Pinheiros vendem de tudo, de brinquedos a espelhos, moedas antigas, roupas descoladas e guloseimas

 

“Chão Marcado” evidencia talento de Junior da Violla em composições do caipira ao blues

Dei um pulinho à Livraria da Vila da Fradique Coutinho, no badalado bairro da Vila Madalena hoje, e desta incursão, trouxe para a coleção do Barulho d’Água Música o álbum “Chão Marcado“, do paulistano Junior da Violla, um cara que parece talhado para a viola caipira, embora tenha habilidade também com outros instrumentos.

Nascido Ernestino Ciambarella Junior, em 1978, ainda pequeno, ele já acompanhava pelo rádio da casa dos avós músicas de Tião Carreiro, Tonico e Tinoco, Zé Carreiro e Carreirinho. Já na morada que dividia com os pais, conheceu o rock nacional das bandas Blitz, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, RPM, entre outros. A carreira musical, em consequência, começou já aos 4 anos, brincando com o violão do pai. Dois anos depois, em um teclado que ganhara, compôs a primeira obra, a instrumental “Amor”. Em pouco tempo, o precoce garoto já ensinava a molecada do prédio onde morava a tocar.

O interesse pela viola veio aos 18 anos, inspirado pela personagem de Almir Sater na novela “O Rei do Gado”, de Benedito Rui Barbosa. Ele ainda nutria admiração por The Beatles, Eric Clapton, Robert Johnson, e, dos astros da MPB, era admirador de Caetano Veloso e Chico Buarque. Já em 1997, quando passou a participar de festivais, levou a viola caipira por caminhos até então pouco trilhados como o blues e o rock, alternando suas apresentações também com um violão de 12 cordas, já que ambos os instrumentos possuem similaridades.

 

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Junior da Violla se entende com a viola caipira desde 1999, mas desde criança tem inclinações para a música

A carreira solo decolou em 1999,  dedicada exclusivamente à viola caipira. Surgem desta escolha, então, as primeiras faixas instrumentais como “Rio Sorocaba” e “Chão Marcado”. Aluno de Nestor da Viola, Júnior da Violla atuou como membro efetivo da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e chegou aos programas televisivos do gênero, entre os quais “Viola Minha Viola”, e “Globo Rural”; em 25 de maio esteve no programa Dia a Dia Rural”, de Tavinho Ceschi, aparecendo ao vivo para o público do canal de agronegócios do Grupo Bandeirantes, a emissora Terra Viva.

Junior da Violla também ministrou aulas particulares de viola em renomados institutos e escolas como Música Opus, Escola Livre de Música e Pich & Bend e Jam Session, participou de inúmeros festivais e tocou em diversos bares da Paulicéia, emissoras de rádio e de televisão. A partir da Banda Forró com Viola, que formou com amigos universitários em 2001, concretizou o sonho de criar a Orquestra Sinfônica Caipira, mais tarde rebatizada como Orquestra dos Violeiros de São Paulo, hoje inativa.

“Chão marcado”, o primeiro álbum, completou em 13 de abril o quinto aniversário. Elenca onze músicas de sua autoria, todas instrumentais, como “Rio Sorocaba”, que está presente no álbum comemorativo do 2º. Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira. Em junho do ano passado, o disco foi um dos agraciados na categoria “Violeiro” pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, que promoveu no Memorial da América Latina (SP) a noite de gala da edição três do Prêmio Rozini.

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Capa do álbum que em abril completou cinco anos e marcou a estreia do virtuoso compositor com onze faixas instrumentais

 

É desta exitosa primeira empreitada solo que salta a veia do virtuoso compositor que domina diversos estilos musicais. O sotaque caipira de Junior da Violla, por exemplo, é marcante em “Toque de chamar moça”; “Pagode do Ovo”; e “Seu Jorge”. Em “Riobaldo” evoca o sertão nordestino e, por meio de “Chão Marcado”, explora as semelhanças entre as músicas do Nordeste e árabe. Já o sabor do Mississipi tempera “Johnson Blues”.

 

http://www.youtube.com/watch?v=E6kI84oxgFc