Bebericando nos ribeirões e fazendo samba de primeira, Osni Ribeiro se afirma em Botucatu

Botucatu, município de São Paulo no qual viveu Angelino de Oliveira, compositor de Tristeza do Jeca”, é também a terra natal de Osni Ribeiro, um dos mais versáteis violeiros da atual safra paulista e entre os que se dedicam no país à preservação da música de raiz. Presença marcante em vários festivais nacionais na década dos anos 1990, nas composições de Ribeiro ecoam tendências das mais variadas. O samba, inclusive, pelo qual transita com desenvoltura como se comprova ouvindo um dos álbuns de sua carreira, “Bebericando”, no qual o gênero está representado pela faixa título, “Samba,e, i, o, u” e “Me chama que eu vou”, um hino em homenagem ao Corinthians, time do coração.

Osni Ribeiro
Osni Ribeiro, à direita, com Rubens Brito, durante show que ambos promoveram em 2012

A intimidade com a viola caipira e a valorização das origens interioranas, entretanto, formaram ao longo da vida de Osni Ribeiro laços mais estreitos, refletem-se com mais intensidade no repertório que ele vem construindo ao longo da carreira que já completou mais de duas décadas. As criações incluem canções do disco “Gênesis”, trilhas sonoras e temas para documentários como “Encontro das Águas”, da EPTV, revelam-nos a sua veia poética em composições primorosas como “Realeza” (com a qual disputou a edição de 1997 do Festival de Música e Poesia de Paranavaí, no Paraná), “Azuis reflexos” e “Viola afinada ao fim do dia”, todas integrantes de “Bebericando”.

O linque abaixo permite ouvir “Brinquedo”, cuja letra é uma síntese de todas as qualidades de quem para arrematar ainda produz modas nas quais paixões e envolvimentos amorosos passam longe do modismo,  não são derramados em rimas pobres e de gosto duvidoso, mas sim apresentados com sutileza e intimismo, exaltam a vida e nos convida a viver com mais alegrias e prazeres.

https://soundcloud.com/osni-ribeiro/brinquedo

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Ricardo Vignini e Zé Helder retornam a Osasco com “Moda de Rock”

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Ricardo Vignini e Zé Helder tocam em violas caipiras clássicos do rock mundial

    Hoje, 26 de junho, a partir das 19 horas, tem mais uma edição do projeto “Caldos com Sons Brasileiros” no Deck da Cafeteria do SESC de Osasco. A atração, na verdade, as atrações, são mais uma vez Ricardo Vignini e Zé Helder, dupla integrantes da banda “Matuto Moderno”, reconhecida pela fusão da sonoridade da música caipira com o rock.  Ambos já tocaram naquele espaço  em 5 de junho e estarão de volta para mais uma vez apresentar ao público músicas de “Moda de Rock – Viola Extrema”, álbum gravado em 2011 no qual os músicos resgatam suas origens roqueiras interpretadas ao som da viola caipira de 10 cordas.

Foto: Ulisses Matandos

 

Wilson Dias apresenta “Mucuta” no Teatro Anchieta, do SESC Consolação

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Wilson Dias toca com simplicidade, mas tem técnica apurada e com a viola em mãos parece se elevar e trazer lá de dentro toda sua força e espiritualidade

 Olá amigos e seguidores!

Estou adicionando  ao Barulho d’Água Música por meio dos linques abaixo dois vídeos em que Wilson Dias, de Olhos d’Água (MG), apresenta toda a sua técnica de violeiro que transita entre o tradicional e o moderno, tocando com sensibilidade e entrega músicas de sua autoria as quais, em vários momentos, soam como peças de composição clássica de rara beleza. Em ambos há informações e depoimentos sobre a carreira que já resultou em seis discos gravados, as dificuldades do começo da vida pessoal em uma cidade do Vale do Jequitinhonha onde faltava na infância água e luz elétrica e ele precisava caminhar 16 quilômetros para ir à escola, por exemplo, e o envolvimento desde pequeno com a preservação da natureza e a divulgação da cultura do norte mineiro, motivado pelo ambiente familiar no qual a música e elementos da religiosidade,  os costumes e o comportamento típicos de um sertanejo que luta com tenacidade pela sobrevivência e sua afirmação no mundo sempre regavam as descobertas e apontavam os caminhos que o menino, mais tarde, viria a  seguir.

O primeiro vídeo, de pouco mais de 25 minutos, produzido pelo SESC para o programa “Passagem de Som”, mostra Wilson Dias em três ocasiões, nas quais em duas está em companhia do amigo e também violeiro Levi Ramiro. Em Campinas, ambos haviam acabado de encerrar um show do Projeto Café com Viola, no SESC local, quando começaram uma agradável prosa com Luís Franco, conhecido no meio por “Candeeiro”. Na sequência, Wilson e Levi aparecem narrando histórias pessoais e pitorescas no apartamento localizado em São Paulo do cardiologista e igualmente violeiro Júlio Santin. Os três revelam curiosidades como a alegria de ver chegar à casa da avó o primeiro lampião a gás (“que iluminava mais do que a lamparina”), os primórdios da música caipira em São Paulo (cuja origem se localiza no triângulo formado por Botucatu, Piracicaba e Sorocaba, cidades nas quais se encontram os primeiros registros fonográficos deste gênero em todo o Estado) e a inspiração para seguir a mesma trilha do pai, esteio e ídolo para o qual um deles afinava a viola utilizada em cantorias durante as quais este filho também tinha a oportunidade de ver a mãe cantar, acompanhando o marido festeiro.

O terceiro momento, ainda do primeiro vídeo, traz imagens do  bate-papo e do ensaio de Wilson Dias e dos músicos que o acompanhavam, cujas imagens foram captadas horas antes  da apresentação deles no projeto “Instrumental SESC Brasil”, coordenado por Patrícia Palumbo,  no palco do Teatro Anchieta, do SESC Consolação (SP). A gravação na integra daquela edição do SESC Instrumental realizada em 12 de agosto de 2013 é o que se poderá curtir assistindo ao segundo vídeo, durante cuja exibição valerá a pena prestar bastante atenção à narração de Patrícia.

“Neste show relembro cada momento que eu vivi na roça, cada música é uma fotografia da minha vida”, informou Wilson Dias ao público presente. Eu estava na plateia naquela fria noite em que após sofrer as agruras de andar de trem e de metrô em pleno horário de rush noturno, e entrar no Teatro atrasado, com a apresentação já rolando, tive a grata oportunidade de conhecer pessoalmente  Wilson Dias, Augusto Cordeiro (violão), Gladson Braga (percussão), André Siqueira (flauta e violão), e Pedro Gomes (baixo).  Depois viramos amigos, o que é uma satisfação, pois além de talentoso com a viola caipira nas mãos, Wilson Dias é descontraído e, como todo mineiro, tem aquele jeito brejeiro, acolhedor, doce e simpático. Como escrevi acima, algumas das músicas do “Mucuta” tocadas no Teatro Anchieta são verdadeiros concertos, revelam todo o apuro e excelência de Wilson Dias e do seu time que tem a esposa Nilce Gomes sempre atenta e dedicada nos bastidores e no qual a participação do professor da Universidade de Londrina (PR), arranjador e multi-instrumentista  André Siqueira, também merece destaque.  Siqueira é produtor de vários discos do mineiro, entre os quais “Lume”, lançado em novembro do ano passado, com participações de Déa TrancosoNá Ozetti e do poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues, senhor compositor que assina várias belezuras do Wilson Dias e de outros bambas como Pereira da Viola.

 

Linques para ver os vídeos:

http://passagemdesom.sesctv.org.br/artistas/wilson-dias/programa-passagem-de-som-em-15-julho-2013

http://www.instrumentalsescbrasil.org.br/artistas/wilson-dias

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Da dir. para a esq.: Siqueira, Pedro Gomes, Wilson Dias, Patrícia Palumbo, Augusto Cordeiro e ao fundo,Gladson Braga (Fotos de Marcelino Lima)