“O Tempo e o Branco”, de Consuelo de Paula, está chegando…

 

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Consuelo de Paula, amigos e seguidores, não pára de nos surpreender. Ainda bem! Em contato com o Barulho d’Água Música, ela informou que o novo álbum que está produzindo, “O Tempo e o Branco”, já estará disponível para vendas em sua loja virtual na primeira semana de agosto (e você que achava que agosto é mês de mau agouro, e de cachorro louco!); em breve, também será disponibilizado em lojas, com distribuição pela Tratore.

O blog está tendo o privilégio de ser atualizado pela própria Consuelo à medida que uma nova etapa do trabalho fica pronta. Há poucos horas, recebemos dela o clipe para a faixa “O meu lugar”, que canta acompanhada por nada mais, nada menos, que Toninho Ferraguti (sanfona) e Neymar Dias (viola caipira). “O disco é todo assim, com acordeon e viola”, disse.  A letra é minha, inspirada no universo ceciliano, e a melodia é do saudoso Rubens Nogueira”, acrescentou sobre “O meu lugar”, referindo-se à poetisa Cecília Meireles. “Estou ansiosa pra ver o cd com capa e tudo!!!!!!!!!!!!!!!!!”, contou-nos, usando todas as exclamações aqui reproduzidas.

Para quem conhece a discografia desta mineira de Pratápolis, mas que reside em São Paulo, arriscamos afirmar que a curiosidade e a ansiedade são tão intensas quanto a da própria autora, que, recentemente, completou mais uma primavera. Consuelo é notável compositora, produtora musical, instrumentista e também poetisa. Com uma carreira que se destaca ainda por participações em álbuns de amigos vários como Guilherme Rondon e Luiz Salgado, ela tem o respeito de admiradores que também são estrelas como ela, entre os quais Rolando Boldrin, Déa Trancoso, Katya Teixeira e João Arruda. Se ainda não conquistou seu espaço como uma das mais belas vozes e expoentes nacionais de todos  as eras (em que pese diferenças de estilos) à altura de figurar e fulgurar no mesmo patamar, por exemplo, de uma Emilinha Borba, Linda Batista, Marlene ou Maria Bethânia (com o acréscimo de ser também compositora), definitivamente, há algo errado nos rumos da música brasileira.

Mas o tempo sempre se encarrega de corrigir, ou ao menos amenizar pecados e desinteresses da humanidade, para não escrever descasos. De um jeito ou de outro, um dia tudo acaba sendo ajustado, fica preto no branco. Consuelo de Paula, que não nos lembramos de ter visto uma vezinha sequer aparecer na televisão, quando canta acompanhada por suas cordas abençoadas põe em lágrimas a cachoeira; faz chover fulô tanto no fundo da horta, quanto na sala onde pede tua licença para entrar;  palhaços caem na dança e espantam os inimigos; desanda a bater palmas a rainha lá da rua de baixo (aquela que a polícia prende, e a soberana solta); lava nossa alma de dores que pode estar tão amargurada por despedidas e outras mazelas da vida; dedica-nos uma flor da cor da rosa em oferenda. É simples assim: em nosso modesto entender, ela já cintila tanto na terra, quanto no céu. Quem não a ouviu e não a acolheu, ainda, é quem está perdendo!

Linque para curtir o clip de “O meu lugar”, com imagens que Consuelo mesma filmei em Minas entre as árvores que o pai dela plantou. A edição, caprichadíssima, é da Alessandra Fratus.

 

 

 

Consuelo de Paula já arremata últimos bordados do novo álbum

Barulho d'Água Música

Consuelo de Paula Consuelo de Paula está trabalhando para trazer ao público seu mais novo disco, intitulado “O Tempo no Branco”

Ah, tem novidades e coisas que a gente não pode deixar para divulgar e contar no dia seguinte! Tem de ser na hora que elas chegam, no momento em que elas pintam; é como haicai que resplandece diante dos teus olhos e se você não pára, pega um papel e o registra no ato, ele se esvai; é como perder a oportunidade de lascar um beijo de surpresa e arrebatador na pessoa que você paquera e, enfim, conquista-la; é como não sair correndo quando alguém chama entusiasmado por você dizendo “corre, corre, venha ver que legal”; é, enfim, aquela notícia de última hora que impõe o grito “parem às rotativas: temos uma nova e mais alvissareira manchete!”

Pois é, tudo isto para dizer: já tinha baixado as portas do boteco e fechado a contabilidade do dia…

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Anai Rosa e Thadeu Romano prestam homenagem ao “Rei do Baião” Luiz Gonzaga

 

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Thadeu Romano e Anai Rosa vão se encontrar nesta quinta-feira, 31 de julho, no Espaço 7, situado na cidade de São Carlos, no Interior de São Paulo. Na apresentação que o sanfoneiro e a cantora farão a partir das 20 horas ambos vão homenagear um dos maiores nomes de todos os tempos da música brasileira, o pernambucano de Exu Luiz Gonzaga, nosso eterno “Rei do Baião”.

Gonzaga, que se eternizou pela interpretação entre outros antológicos sucessos de “Asa Branca”, dele e de Humberto Teixeira, morreu há 25 anos, no Recife, no dia 2 de agosto de 1989. Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba ou triângulo, “Lula” levou a alegria das festas juninas, dos forros de pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o sertão nordestino, ao resto do país, numa época em que a maioria desconhecia ritmos como o baião, o xote e o xaxado.

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Thadeu Romano toca vários ritmos no instrumento preferido por Gonzaga (Foto: Marcelino Lima)

Thadeu Romano vem trilhando com competência o caminho que Gonzaga fez com a sanfona. Além de vários shows e apresentações pelo país e no estado de São Paulo, incluindo o Réveillon de 2011 na Avenida Paulista (Capital), e em casas dos badalados bairros Pinheiros e Vila Madalena, esteve ainda em programas como o “Viola, Minha Viola” e Sr. Brasil. Nestas ocasiões , ele já tocou ao lado de nomes como Roberta Miranda , Yassir Chediak, Swami Júnior e em projetos de tributos a Pixinguinha e Édith Piaf, como o  “Ma Vie em Rose, Pequena Piaf”, com Priscila Lavorato (voz), André Penne (contrabaixo acústico) e Guto Visciano (violão).

Em 2013 esteve em Roma para conhecer suas raízes italianas. Naquela cidade, foi recebido pela tradicional “Famiglia Ottavianelli” (Simoni, Luca e Babbo Ottavianelli), fabricante de acordeons; o instrumento que ele trouxe na viagem de volta já foi tocado, inclusive, por Toninho Ferraguti. Virtuoso, ele executa ritmos que vão do jazz ao chorinho, e também ajuda a abrilhantar o trabalho de músicos de raiz e da vertente regional como Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira, com os quais, recentemente, voltou ao palco do programa de Rolando Boldrin para gravações que ainda não foram ao ar.

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Anai Rosa é instrumentista formada pela Unicamp (Foto: Maribel Santos/A Tribuna de Araraquara)

Anai Rosa é instrumentista formada em viola de arco e violino pela Unicamp. De acordo com o Dicionário Cravo Albin, já faturou vários prêmios como “Melhor Intérprete” em diversos festivais nas cidades do interior de São Paulo. Anai Rosa integrou a Orquestra Sinfônica de Campinas, sob regência do maestro Benito Juarez, participou do grupo Soma, que se apresentava em várias cidades do interior de São Paulo e de Minas Gerais, e atuou, também, no grupo Farinha Seca. Ao lado do próprio Thadeu Romano, Swami Jr., Fabio Freire, Zé Pitoco e Henrique Araújo, ela já fez apresentações no SESC de “De Bico de Aço a Rei do Baião”, em outra homenagem ao “Grande Lua”

O Espaço 7 fica na rua 7 de Setembro, 1441, Centro de São Carlos. Para mais informações há o telefone (16)3307-5691

 

Acervo do blog recebe obras de Paula Velozo, João Lucas, Jonata e Horácio Neto e DVD “A Moda é Viola”

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Biografias da dupla cujo trabalho Osni Ribeiro ajudou a registrar juntamente com Sergio Santa Rosa

O Barulho d’Água está com o acervo mais rico com a chegada de quatro álbuns e um DVD enviados pelo amigo Osni Ribeiro, secretário de Cultura de Botucatu. os discos são de Paula Velozo (“Comendo vento com sal”), cantora de Bauru atualmente residente em São Paulo, com participações de Nailor Proveta (saxofone) e Levi Ramiro (viola caipira); de João Lucas (“Chiados e Batuques”), jovem percussionista de Botucatu; e de Jonata e Horácio Neto (“Cururu”), um belo registro de vários cururus da dupla; Jonata reside em Piracicaba e Horácio, antes de viajar fora do combinado, residia em Cerquilho. Os três mostram o trabalho de Osni Ribeiro como produtor musical e garimpeiro de novos talentos. O álbum da dupla também tem a participação na feitura de Sérgio Santa Rosa, jornalista que se encarregou da produção executiva.

A caixa entregue pelos Correios tem ainda os dois discos da carreira de Osni Ribeiro, “Gêneses” e  “Bebericando”, reunidos em uma única mídia, fusão experimental para compartilhar com amigos que ele vem pensando carinhosamente em produzir em série. O DVD é “A Moda é Viola”, do cineasta Reinaldo Volpato, que há tempos eu ansiava adquirir. Volpato já foi diretor do “Viola, Minha Viola” e gravou o documentário se baseando no livro homônimo de Romildo Santanna, livre docente da UNESP, que fez um tratado sobre o assunto.

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João Lucas

Agradecemos demais à confiança e à honra de recebermos tão nobres presentes. Vamos ouvir e assistir tudo com carinho e comentar com mais profundidade posteriormente com os demais amigos e nossos seguidores. Queremos, ainda, reproduzir o comentário de Ribeiro sobre o blog e mais uma vez assumir de público que o canal está aberto a quem tiver interesse em nos contatar. o Barulho d’Água, segundo Ribeiro, “é um grande instrumento de registro contemporâneo de nossa cultura regional”. Assim também pensamos, por isso, lançamo-nos nesta tarefa. A consideramos uma responsabilidade das mais árduas e que exigem engajamento, mas sabemos que contamos com o apoio de várias outras pessoas que, como nós, querem apenas valorizar uma significativa parte da nossa cultura popular que fica de fora dos meios difusores e formadores de opinião, ignorando e deixando o público na escuridão em relação a inúmeras obras que há décadas embalaram e fizerem parte do dia a dia e do imaginário de várias gerações e que também precisa chegar sem filtros ou rótulos aos nossos filhos e netos.

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Breve descrição sobre o cururu, a partir de imagem extraída do álbum de Jonata e Horário Neto

   

Rodrigo Zanc e banda levam “Fruto da Lida” e clássicos de raiz ao SESC Campinas

Barulho d'Água Música

10479686_837094462970286_7962035205131215938_nRodrigo Zanc (viola, de branco), Ricieri Nascimento (baixo), Bruno Bernini (bateria), Thadeu Romano (sanfona) e Rodrigo Zanin (violão) encantaram o público de Campinas (Foto: Nalu Fernandes)

O cantor e compositor Rodrigo Zanc fez mais uma apresentação no SESC baseada em músicas dos seus dois álbuns, “Pendenga” (2006) e “Fruto da Lida” (2013), desta vez para o público que frequenta a unidade Campinas da entidade. Admiradores e amigos de outras cidades também acompanharam o show realizado no domingo, 27 de julho. Zanc tinha ao seu lado, no palco, o filho Rodrigo Zanin (violão), Ricieri Nascimento (baixo), Bruno Bernini (bateria) e Thadeu Romano (sanfona). Da primeira à última canção que compunha o repertório, ele demonstrou a mesma simpatia e alegria que o caracterizam, e, em vários momentos, interagiu  com o público, ora contando detalhes sobre composições que assina com parceiros como Isaías Andrade, Carlin de Almeida e Fernando Mori,  ora convidando os presentes a responder…

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Juca Novaes recebe Bruna Caram, Pedro Alterio e Lucila Novaes em “Canções de Primeira 1” no Bourbon Street

10384676_10204292717981881_3413557378419162669_nCompositor, cantor, produtor, Juca Novaes integra desde 2000 o grupo Trovadores Urbanos tem dezenas de músicas gravadas, algumas delas por nomes importantes da MPB como Jane Duboc e Alaíde Costa, e por novos artistas como Bruna Caram, Dani Lasalvia, Lucila Novaes, Daisy Cordeiro e Cláudio Lacerda. Com seu parceiro Edu Santhana lançou quatro discos autorais: Encontro das águas (1991 ), Lua do Brasil (1995), Kathmandú (2000) e 10 anos (2001).

Como produtor, liderou a criação do Festival de Avaré (SP) e a produção dos quatorze discos resultantes do evento; coordenou a produção do Festival Carrefour de MPB (1991/ 1993), e em 2000 atuou como consultor da Rede Globo de Televisão na realização do Festival da Música Popular Brasileira.

Dentre outras atividades ligadas à música, editou o jornal “Tambores”; produziu e apresentou o programa de rádio “Feira Brasil”, e é signatário da criação do Fórum Nacional de Música, em Brasília, em 2005.

Também é advogado, especializado em direitos autorais.

Rodrigo Zanc e banda levam “Fruto da Lida” e clássicos de raiz ao SESC Campinas

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Rodrigo Zanc (viola, de branco), Ricieri Nascimento (baixo), Bruno Bernini (bateria), Thadeu Romano (sanfona) e Rodrigo Zanin (violão) encantaram o público de Campinas (Foto: Nalu Fernandes)

O cantor e compositor Rodrigo Zanc fez mais uma apresentação no SESC baseada em músicas dos seus dois álbuns, “Pendenga” (2006) e “Fruto da Lida” (2013), desta vez para o público que frequenta a unidade Campinas da entidade. Admiradores e amigos de outras cidades também acompanharam o show realizado no domingo, 27 de julho. Zanc tinha ao seu lado, no palco, o filho Rodrigo Zanin (violão), Ricieri Nascimento (baixo), Bruno Bernini (bateria) e Thadeu Romano (sanfona). Da primeira à última canção que compunha o repertório, ele demonstrou a mesma simpatia e alegria que o caracterizam, e, em vários momentos, interagiu  com o público, ora contando detalhes sobre composições que assina com parceiros como Isaías Andrade, Carlin de Almeida e Fernando Mori,  ora convidando os presentes a responder sobre questões relativas a sucessos do nosso cancioneiro de raiz e regional que também interpretou, como “Frete”“Romaria”, de Renato Teixeira; “Bandeira do Divino”, de Ivan Lins e Vitor Martins;  “Quem saberia perder”, de Sá e Guarabyra, tema que fez parte da trilha da novela “Pantanal”, e “Chico Mineiro”, de Tonico e Francisco Ribeiro.

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Zanc cantou mais uma vez com muita emoção e apresentou a alegria que marca sua carreira (Foto: Nalu Fernandes)

Uma destas marcantes músicas Rodrigo Zanc cantou com especial carinho, propondo ao final que o público dissesse o nome do autor. “Os novos compositores precisam ter a preocupação de compor músicas como esta, que deixam legados e atravessam gerações”, comentou o violeiro de Araraquara ao se referir a um dos mais consagrados trabalhos presentes no cancioneiro do país  desde 1918, quando um ilustre morador de Botucatu teve a inspiração para escrever o que Zanc chama de “hino do caipira”.  E, de fato, a “Tristeza do Jeca” vem se perpetuando, sempre sendo lembrada por grandes intérpretes e duplas como Paulo Freire, Sérgio Reis, Inezita Barroso e Pena Branca e Xavantinho. O tema também virou filme, dirigido por Mazzaroppi, em 1960.    

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“Alma Lavada”, música que Cláudio Lacerda interpreta e Zanc cantou pela primeira vez em seus shows (Foto: Marcelino Lima)

Rodrigo Zanc além da carreira solo ainda leva para a estrada um tributo a Pena Branca e Xavantinho , ao lado de Cláudio Lacerda, e o projeto “4 Cantos”, que forma também com Lacerda, Wilson Teixeira e Luiz Salgado. Ao montar o repertório para o SESC Campinas, pela primeira vez, ele incluiu “Alma Lavada” , que faz parte do disco de mesmo nome do parceiro Cláudio Lacerda, gravado pelo paulistano em 2003, de autoria dos trovadores urbanos Juca Novaes, Eduardo Santhana e Rafael Altério.  Já nos ensaios em São Carlos, Rodrigo se emocionava quando ao lado da banda a cantava “Vai meu coração de tropeiro/ Vai partindo a cada alvorada/ Vai que o destino traçou nosso roteiro/
E a longa estrada é nossa morada…”

Clique neste linque e veja vídeo de Lu Fernandes da música “Alma Lavada”:

https://www.facebook.com/photo.php?v=837041346308931&set=vb.100000092192320&type=2&theater

    

XXV Festival de Música Sertaneja Raiz de Botucatu e Região está com inscrições abertas

10384274_1451692071766634_4335617332023988766_nJá estão abertas as inscrições para o XXV Festival de Música Sertaneja  Raiz de Botucatu e Região. Afine sua viola e capriche naquela letra e arranjo pois haverá distribuição de .
R$ 11.000,00 em prêmios. O evento está marcado para o período de 29 a 31 de agosto.

Abaixo acesse os linques para baixar o regulamento e a ficha de inscrição!

Link direto para a ficha de inscrição: http://www.abacateiro.com/ANEXO%201%20-%20FICHA%20DE%20INSCRIÇÃO.doc

Link direto para o regulamento: http://www.abacateiro.com/REGULAMENTO%20FESTIVAL%20RAIZ.pdf

Rodrigo Zanc conquista fãs com viola e voz afinadas pelas batidas do coração

Especial para o blog da Rádio UOL

23/07/2014

Crédito: Adriano Rosa

Marcelino Lima
Especial para o UOL*

O cantor e compositor Rodrigo Zanc fará neste domingo, 27 de julho mais uma apresentação baseada no repertório dos discos “Pendenga” e “Fruto da Lida” e de autores consagrados das músicas regional e popular. O show desta vez será levado ao público do SESC Campinas, com entrada franca, e previsto para começar às 16 horas. A cidade reúne muitos admiradores, mas a cantoria deverá atrair também amigos e seguidores de municípios da região campineira e próximos como Americana, Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste e até São Paulo, já que o público de Zanc é fiel e vem crescendo em todo o Estado.

Quem ouve Rodrigo Zanc pela primeira vez raramente deixa de se filiar ao fã clube deste morador de São Carlos, nascido na vizinha Araraquara. Com a viola geralmente acompanhada pelo baixo de Ricieri Nascimento, a bateria de Bruno Bernini e o violão do filho Rodrigo Zanin, entre outros companheiros, Zanc costuma cantar como quem declama ou transmite em orações raízes cultivadas em ambientes como o sítio do avô Juca, que inspira a canção “Sítio Paraíso”. Neste ambiente, experimentou o gosto tanto pelas modas de viola, quanto por outras vertentes brasileiras cujas bases permitiram formar uma visão de mundo que prega a simplicidade e a autenticidade, seja no dia a dia ou no trabalho artístico. Independentemente do palco que ele estiver ocupando com sua banda, montado em uma quermesse ou em um teatro nobre como o do programa Sr. Brasil, Zanc literalmente deixa suada a camisa tamanha é a energia e entrega que desprende no ofício.

Rodrigo Zanc (dir.) com Cláudio Lacerda homenageiam Pena Branca e Xavantinho Crédito: Marcelino Lima

“Estou fazendo o que eu deveria e realmente queria para minha vida, mas acredito que somente estando afinado com o próprio interior você consegue tocar pessoas”, disse. “Sou muito enfático quando digo que cada um de nós precisa ser transparente e agir com o coração aberto”, prossegue Zanc, que se espelha muito em Pena Branca, irmão de Xavantinho. “O Pena não era um virtuoso, mas quando batia a mão nas cordas da viola e abria a boca para cantar, muitos choravam”.

Os irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca) e Ranulfo Ramiro da Silva, por sinal, influenciaram bastante Rodrigo Zanc. Várias composições escritas ou interpretadas pela dupla como “Chuá, Chuá”, “Cio da Terra” e “Cuitelinho” são lembradas nos shows dele. Tamanha admiração por ambos o uniu a Cláudio Lacerda, cantor e compositor paulista com o qual Zanc dedica projeto em tributo aos lídimos caipiras, filhos de Uberlândia. O próprio Pena Branca participou das primeiras homenagens, iniciadas em janeiro de 2010, no SESC Pompeia, semanas antes de morrer.

Ainda com Cláudio Lacerda, mais Luiz Salgado (Patos de Minas/MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP), Zanc forma o grupo “4 Cantos”. O quarteto executa exclusivamente músicas autorais com o intuito de alargar e estender suas próprias trilhas. Ao se encontrarem, entretanto, estes caminhos evidenciam talentos gêmeos, prontos para realentarem e revigorarem a cultura popular por meio de uma de suas mais expressivas manifestações, a viola caipira. São encontros de oito mãos e de múltiplas afinidades e afinações e por onde eles ocorrem há lotação na certa. O povo chega e se ajunta, vai ficando, vai ouvindo. Não demora escutam-se pessoas perguntando a um colega do lado de onde saíram quatro moços assim tão bons.

Crédito: Elisa Espíndola

Rolando Boldrin, que dispensa maiores comentários, admirou-se com esta formação. A convite do Sr. Brasil, em agosto de 2013, o “4 Cantos” gravou participação no programa que Boldrin conduz na TV Cultura. Em outubro, a cantoria foi ao ar e vem motivando visualizações em número cada vez maior na internet, com inúmeros compartilhamentos nas redes sociais. A plateia ouviu “Véio Cemitério”, composição de Zanc, Murilo Romano e Fernando Mori, um típico causo ou conto caipira cujo arranjo soa notas flamencas, atendendo ao pedido que o apresentador fez ao convidado.

A forte presença de elementos rurais e da vida no campo, todavia, não devem ser os únicos definidores da obra de Zanc — que a exemplo de muitos nomes hoje consagrados também já fez parte de uma dupla que existiu entre 1995 e 2000 e amadureceu em vários festivais pelo Interior paulista, com destaque para o “Viola de Todos os Cantos”. Promovidos durante dez anos pela rede de televisão EPTV, retransmissora da Rede Globo, estes certames reuniam perto de 15 mil pessoas a cada etapa em estádios e ginásios. Rodrigo tornou-se finalista em quatro edições, conquistando em 2007, em São Carlos, os troféus de vice-campeão e de melhor intérprete com a canção “Viola Enfeitiçada”, dele e de Isaias Andrade.

Esta classificação e a música premiada reforçariam o perfil de violeiro. Zanc até pondera que o adjetivo cabe, pois, afinal, é o instrumento com o qual ganha seu pão. “Mas nunca fui adepto aos rótulos e sempre acreditei na verdade do sujeito, nas influências que cada um tem. Podemos até reunir porções de vários elementos culturais e sociais, mas elas se misturam em quantidades diferentes à medida que vivemos. O cheiro do refogar de sua mãe quando ela está na cozinha, a música que se ouve em família, por exemplo, deixam marcas pessoais e o que sai de cada pessoa destas vivências é só dela, não pode ser comparado, muito menos classificado pelos critérios do mercado, regra que não é respeitada muito hoje em dia. Há demasiada imposição de ‘receitas de bolo’, embora o que é simples muitas vezes evoca mais do que coisas supostamente elaboradas”.

Rodrigo Zanc no palco do programa Sr.Brasil, com Rolando Boldrin Crédito: Marcelino Lima

Este jeito de ser e de agir também move os parceiros de Rodrigo Zanc, entre os quais o araraquarense cita Wolf Borges, Carlin de Almeida, Mauro Mendes, Murilo Romano, Fernando Mori, Ricieri Nascimento e Cláudio Lacerda. A identificação com Isaías Andrade, de Americana, por exemplo, já rendeu mais de quarenta composições, dez das quais entraram nos álbuns “Pendenga” (2006) e “Fruto da Lida” (2013), cujos selos são independentes.

“Isaias Andrade escreve tanto que tirou este peso de mim, posso me dedicar mais a burilar nossas músicas”, observou Zanc. As gavetas dos dois, entretanto, observem, ainda guardam inéditos 3/4 do que já produziram em conjunto. A boa notícia é que se depender dos planos que os compadres vêm costurando em sucessivas “noites de inspiração” que recentemente passaram a se repetir na sala de um ou do outro, o rico material será compartilhado mais um pouco com o público, em breve. “O ‘Fruto da Lida’ ainda tem muito a caminhar e o estradar nos ocupa muito tempo, mas temos a intenção de lançar um terceiro disco, autoral como o ‘Pendenga’, só com músicas do Isaias ou minhas e dele.”

Para saber mais sobre Rodrigo Zanc visite www.rodrigozanc.com.br e www.facebook.com/rodrigozanc.