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Helena Meirelles, a “Dama da Viola”, ganha homenagem no “Viola, minha Viola”

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Helena Meirelles teve apenas doze anos de carreira, que iniciou já aos 67 anos, mas tocava desde garota com maestria em bailes e até bordéis (Foto Rui Mendes)

O programa Viola, minha viola”, apresentado por Inezita Barroso da manhã deste domingo, 13 de julho, fez uma homenagem a Helena Meirelles, reapresentando uma participação dela ocorrida em 1997, no palco do anfiteatro do SESC Pompeia. O programa está atingindo a marca de 34 anos no ar e vem tirando das prateleiras do acervo da TV Cultura vários momentos deste período, matando saudades de muitos telespectadores que apreciam os gêneros caipira e regional, tanto reavivando a memória do público que é fiel há mais de três décadas, quanto revelando às novas gerações expoentes que, com o passar do tempo, sempre tendem a ficar esquecidos.

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A “Dama da Viola” tocava com afinações exigentes polcas, chamamés e rasqueados (Foto: Mário Araújo)

Helena Meirelles, para quem ainda não a conhece, violeira, cantora e compositora nascida em Bataguassu (MS), em 1924, apenas ganhou a atenção da mídia nacional e dos setores relacionados à divulgação da música regional em meados da década dos anos 1990, descoberta pela revista “Guitar Player”. Antes, apenas a própria Inezita Barroso, por meio do programa “Mutirão”, e Pena Branca & Xavantinho, dedicavam-se a tirá-la do anonimato. Corria 1993 quando repercutiu em vários centros a ampla reportagem sobre a franzina senhora que animava magistralmente festas, bailes, bares e até bordéis no Centro Oeste e interior paulista que, em vida, aprendera a tocar viola escondida e para o que teve de fugir de casa (driblando, assim, a proibição dos pais), frequentava rodas de peões e comitivas e casou-se três vezes, inclusive com um paraguaio tocador de harpa.

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Capa de um dos álbuns de Helena Meirelles

A Guitar Player acabara de elegê-la naquele ano como uma das 100 melhores instrumentistas do mundo, com voto do pop star Eric Clapton. As portas dos palcos e dos auditórios tanto de televisão, quanto de rádio, entidades e casas de espetáculos, além das páginas de diversos veículos especializados e gravadoras, enfim se abriram. Em curto espaço de tempo, o sucesso após a primeira aparição pública em um teatro, já quando somava 67 anos, consumou-se e ela atingiu a merecida fama com direito, inclusive, a dois filmes para o cinema nacional. Sua vida marcada por fatos pitorescos, alguns narrados em voz própria como parir sozinha, à beira de rios, os próprios rebentos, onze no total, motivaram as películas. Nesta altura, já recebia o tratamento de “Dama da Viola”.

Até a morte, em Presidente Epitácio, no dia 28 de setembro de 2005, foram doze anos de aplausos e consagração. Este blogueiro teve a oportunidade de apreciá-la em vários shows e de compartilhar uma roda de mate das mais animadas com ela nos camarins do Teatro do SESC Pompeia, onde Helena Meirelles acabara de encantar a plateia em uma memorável cantoria, sempre acariciando nos intervalos sua inseparável viola de aço.  A carreira durante a qual defendeu com técnica incomum e afinações das mais exigentes músicas nativas como polcas, rasqueados e chamamés, além de costumes do Mato Grosso do Sul e do Pantanal, poderia ter sido bem mais gloriosa. Ficou registrada em quatro álbuns autorais, alguns hoje raros. A revista “Rolling Stones” a incluiu em 2012 na lista dos trinta maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (categoria Raízes Brasileiras).

Outra láurea póstuma veio em junho de 2013, conferida pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, no Memorial da América Latina. Um sobrinho de Helena Meirelles, emocionado, recebeu a estatueta do 3º Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola, ao qual fez jus na categoria “Referência”, entregue também a representante do compositor Bambico.

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Sobrinho de Helena Meirelles recebe em São Paulo troféu do 3o. Prêmio Rozini em nome da tia consagrada após matéria da revista Guitar Player (Foto: Marcelino Lima)

 Álbuns de Helena Meirelles

Helena Meirelles (1994)/ Flor da Guavira (1996)/ Raiz Pantaneira (1997)/ De volta ao Pantanal (2002, ao vivo)/ Os bambas da viola (2004)

Filmes

Helena Meirelles – A Dama da Viola (2004), direção de Francisco de Paula/ Dona Helena (2004), direção de Dainara Toffoli

Linque para ver Helena Meirelles tocando:

http://rollingstone.uol.com.br/blog/musica-popular-brasileira/helena-meirelles-e-sua-viola-genial-que-toca-alma-da-gente

 

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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