Noel Andrade, Cláudio Lacerda e Zé Geraldo na festa de Nossa Senhora do Bonsucesso

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A Prefeitura de Guarulhos está promovendo mais uma Festa de Nossa Senhora do Bonsucesso e para esta que será a 273ª edição programou apresentações neste final de semana sempre a partir das 20 horas. O público poderá curtir entre as atrações que passarão pela Praça Nossa Senhora do Bom Sucesso, sem número, no bairro Bonsucesso, o catadô de bromélias Zé Geraldo e banda, na noite de domingo, 31 de abril. Antes do autor de “Cidadão”, “Milho aos pombos” e “Senhorita”, vão tocar e cantar a Orquestra de Violeiros Coração da Viola e Noel Andrade, de Patrocínio Paulista (SP). Noel, hoje residente em São Paulo, receberá como convidado o paulistano Cláudio Larcerda. Na véspera estão previstas as presenças, entre outros, de João Ormond e Paulo Simões.

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Noel Andrade

 

Cláudio Lacerda
Cláudio Lacerda

 

 

João Bá comemora 80 anos e lança “Cavaleiro Macunaíma” no SESC Itaquera

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João Bá, abraçado pelo violeiro Paulo Freire, é uma das referências para vários cantores e artistas que preservam a cultura popular e dedicam-se aos temas do sertão (Foto: Marcelino Lima)

O Brasil tem sido prodigioso em gerar compositores, músicos e escritores que com sua genialidade retratam e perpetuam as belezas dos sertões, sua gente e suas riquezas, seja o físico, aquele que tem suas vastas extensões territoriais, por exemplo, o agreste, seja aquele que Elomar define como “profundo”, no qual só se penetra por meio de portais como o que se abre a partir da pedra de Itaúna — ou seja, a porção mítica, imaginada, fantástica, que atravessa todos os tempos — ou também a que é  explicada por uma forma de ser, um estado de espírito, conforme o sentido roseano. O próprio menestrel sertanez que tornou-se dissidente do estado no qual nasceu, a Bahia (entendida apenas como Salvador, cidades do Recôncavo e litorâneas) por esta dar as costas ao e relegar o sertanejo, é um destes bardos, assim como vem sendo Levi Ramiro, Paulo Freire, Pereira da Viola e o foram João Guimarães Rosa, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Dércio Marques.

O cantador, ator de cinema e teatro, e poeta João Bá também guerreia nesta cruzada e integra este panteão, e ainda hoje, no ápice dos seus 80 anos de idade, é um dos seus mais profícuos atalaias. Autor de mais de duzentas músicas, muitas gravadas por expoentes como Almir Sater, Diana Pequeno, Marlui Miranda, Hermeto Paschoal e o parceiro São Dércio, o menino que nasceu em Crisópolis  (BA) e que imediatamente após a queda do primeiro dente já se viu obrigado a trabalhar para ajudar no sustento da família de lavradores parece, ainda, morar dentro dele. A lida com a enxada e as dificuldades da infância pobre não impediram que já aos 12 anos João Bá começasse a compor e a cantar, sempre reverenciando e inspirando-se na natureza que o rodeava, tema recorrente até os dias de hoje em suas canções. Hoje cantador respeitado por onde passa e já visitou, a obra está reunida em sete discos independentes, além da participação em quatro faixas do álbum Aruanã, de 2005, lançado pela Warner-Chapelli/Y Records*.

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Com 80 anos completados e sete álbuns independentes, João Bá ainda carrega a alegria de um menino

“Cavaleiro Macunaíma”, a mais recente contribuição de João Bá na preservação e na divulgação destes universo e ânimo, está sendo lançado neste ano, justamente no qual ele torna-se octogenário, porém incansável. E vai ser apresentado ao público neste domingo, 31 de agosto, na Praça de Eventos SESC de Itaquera, em show entremeado por textos e movimentação cênica.. Acompanhado por Nanah Correia (voz e percussão), João Arruda (vocais e violas), Levi Ramiro (viola, violão e voz), Gabriel Levi (acordeom), Manoel Pacífico (percussão). João Bá subirá o palco às 19 horas.

O disco já está disponível e chega com cirandas, bois, toadas, xotes, repentes, batuques, canções populares de rendeiras e lavadeiras que falam de paisagens, personagens e ritmos da cultura popular brasileira. Participam da obra Toninho Carrasqueira, João Arruda, Ivone Cerqueira, Fernando Guimarães, Sérgio Turcão, Sérgio Teixeira e Edu Barreto, Levi Ramiro, Joaquim Celso Freire, Nádia Campos, e Rita de Cássia Costa, Déa Trancoso, Vidal França, Xangai, Gereba, Carlinhos Ferreira, Katya Teixeira, Ney Couteiro entre outros tantos cavaleiros.

O show faz parte do projeto “Festas Brasileiras- Brasis de Macunaíma” e  não será necessário retirar ingresso ou convites.

 

*Baixe a discografia de João Bá pelo linque http://quadradadoscanturis.blogspot.com.br/2014/01/joao-ba-discografia-para-download.html.

Abaixo a capa de três dos álbuns.

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Rodrigo Zanc canta seus sucessos e releituras de clássicos regionais no SESC de São Carlos

O cantor e compositor araraquarense Rodrigo Zanc vai se apresentar na sexta-feira, 29 de agosto, a partir das 20 horas, encerrando a programação do mês do projeto “Com a corda toda”, promovido pelo SESC de São Carlos, cidade na qual atualmente mora. O repertório do show mesclará músicas dos dois discos da carreira de Zanc, “Fruto da Lida” (2013), e “Pendenga” (2006), além de releituras de clássicos do cancioneiro regional por meio das quais transita entre o rural e o urbano e reafirma sua identidade musical, sua paixão, e comprometimento com a cultura brasileira. 

 

Rodrigo Zanc nasceu em Araraquara e traz em suas canções tanto referências rurais, quanto urbanas (Foto: Marcelino Lima, SESC Campinas, 27 de julho de 2014)
Rodrigo Zanc nasceu em Araraquara e traz em suas canções tanto referências rurais, quanto urbanas (Foto: Marcelino Lima, SESC Campinas, 27 de julho de 2014)

Quem o ouve pela primeira vez raramente deixa de se filiar ao fã clube de Rodrigo Zanc, um grupo que vem crescendo a cada nova cantoria. Com a viola geralmente acompanhada pelo baixo de Ricieri Nascimento, a bateria de Bruno Bernini e o violão do filho Rodrigo Zanin, entre outros companheiros, Zanc costuma cantar como quem declama ou transmite em orações as raízes cultivadas em ambientes como o sítio do avô Juca, que inspira a canção “Sítio Paraíso”, do “Fruto na Lida”, composição dele e de Isaias Andrade. Independentemente do palco que ele estiver ocupando com sua banda, Zanc literalmente deixa suada a camisa tamanha é a energia e entrega que desprende no ofício.

O Barulho d’água Música estará presente neste show e, posteriormente, publicará matéria a respeito. Os jornalistas viajarão para São Carlos com apoio de Romeo Queiroz, da empresa Ville Publicidade, de Barueri (SP).

Anote na agenda datas, horários e locais de outros shows de Rodrigo Zanc:

Show “Tributo a Pena Branca & Xavantinho”, 7 de setembro, 23 horas, Distrito de Primavera/Rosana, em parceria com Cláudio Lacerda

Show em Jaboticabal, 25 de setembro, 20 horas, na Avenida Carlos Bechieri, 300, Centro/Informações sobre compra de mesas: (16) 32031605

 

 

Arnaldo Freitas traz sucessos de “Divisa das águas” ao SESC Osasco

Arnaldo Freitas aprendeu a tocar viola aos 8 anos
Arnaldo Freitas (Foto: Pedro Hummel)

 Arnaldo Freitas, violeiro nascido em Marília, no interior paulista,  um dos músicos integrantes desde 2006  do regional do programa do programa “Viola, Minha Viola”, será a atração do projeto “Caldos com Sons Brasileiros”, que o SESC de Osasco promoverá na quinta-feira, 28 de agosto. A apresentação do autor do álbum “Divisa das águas” (2010) começará às 19 horas no Deck da Cafeteria e poderá ser apreciada enquanto se degusta uma gostosa sopa, vendida ao preço único de R$ 6,50. Em caso de mal tempo, os organizadores costumam transferir o evento para a Tenda 1. O SESC fica na avenida Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, no jardim das Flores, ao lado da Unifesp, com estacionamento gratuito.

 Com sua técnica apurada e interpretação emocionante, Arnaldo Freitas é considerado um dos principais violeiros da nova safra da música instrumental brasileira. Foi vencedor da categoria “Melhor instrumentista de viola do festival Voa Viola” . Neste show interpreta clássicos de mestres violeiros de todas as gerações como Tião Carreiro, Tinoco (Tonico e Tinoco), Helena Meirelles, Bambico, Inezita Barroso, Teddy Vieira, Gedeão da viola, Zé do Rancho, Serrinha, Tião do Carro, Goiano, Cacique (Cacique e Pajé), Almir Sater, Roberto Correa, além de comentar sobre as influências de cada um

Edvaldo Santana comemora 40 anos de carreira com mais um show no Centro Cultural Vergueiro

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Edvaldo Santana está chegando a 40 anos de carreira e embora neste tempo já tenha gravado inúmeros sucessos deixa a impressão que ainda canta e toca com a mesma disposição, alegria, contundência, irreverência e, no caso particularíssimo dele, simpatia de quem estaria empunhando o microfone e um violão pela primeira vez, estreando nos palcos disposto a conquistar cada pessoa da plateia. Se a frase “quanto mais velho o vinho…” para ele se encaixa, a obra de sete discos deste bardo filhos de nordestinos que baixou lá em São Miguel Paulista e neste lendário, efervescente e mágico bairro-cidade da Zona Leste paulistana cresceu andando na contramão (ou avesso ao ouro dos tolos que adoram jabaculês e paparicos do jet-set), estabelece, ainda, outra constatação: quanto mais  o cara amadurece, mais parece que se renova e, assim, remoçando-se, deixa para o público que o cultua o perene frescor de um trabalho que prima pela qualidade, o engajamento e a inteligência crítica. Só alguém que desde pivete tem posicionamento, ideias, suingue e um anjo da guarda barroco poderia colocar se assim, apenas a serviço da cultura que é (do) contra o Faustão e seus miquinhos amestrados.

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Edvaldo Santana fez um show marcado por alegria, descontração; conversou e convidou a moçada a cantar e fez elogios a um jardineiro e a Paulo Leminski com a mesma medida de gratidão (Fotos: Marcelino Lima)

 Senhora contribuição ao país, sim senhor, digna de ser objeto de teses de mestrado e receber espaços mais generosos em cadernos B, normalmente gabando-se de serem antenados! Seus xotes, baiões, sambas, raps, hip-hops, baladas ou blues urbanos-agrestes retratam com fidelidade — portanto sem retoques, sem maneirismos ou manérismos –, por exemplo, a periferia dos grandes centros e seu povo mais para crioulo e caboclo do que para loiro. Gente que rala nos vagões lotados de trens trintões, joga bola, resolve o jogo, trampa de pedreiro (até morrer, se preciso for ou não tiver jeito), desvia de foguetes e de balas atiradas a esmo, corre dos gambés, suporta todo tipo de opressão andando de lado e fingindo-se de morto e, quando não tem a sorte de sair da linha de tiro, sequer uma testemunha ou caixão consegue; revelam manos de carne, dente, osso e unha — aliás, com mais osso do que carne, com dentes e unhas de menos –, mas que no dia a dia insistem em seguir avante, sorrindo, banguela, fazendo churrasco na laje, descolando uma mina nova, tomando uns tragos aqui e acolá por que ninguém é de ferro e nem sempre o santo ajuda. E vamos arrematando um novo cordel, rimando caldo de cana com um pastel: afinal, quem é que não quer ser feliz ou não merece um copo de vermute?

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Luiz Waack

Como se não bastasse a bandeira empunhada em defesa desta massa, a música de Edvaldo Santana é antipanfletária e anti(pros)elitista, não troca passes com chavões banais. “Jataí”, por exemplo, é um mapa das riquezas do Brasil e dos seus vários tipos humanos, do Oiapoque ao Piauí. Este blog por todas estas características já escreveu mais de uma vez a respeito dele, em todas deixando claro que no nosso barco ele navegará sempre na proa — e na janelinha! O tiozinho que saiu de sua cadeira e pediu humildemente para a plateia reverenciar e aplaudir o “Lobo Solitário” antes mesmo dos acordes finais da música de despedida que Edvaldo Santana e sua banda executavam no domingo, 24 de agosto, no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo -– e, não contente, subiu no palco para cumprimentá-lo com a música ainda em andamento –, é um dos admiradores que sabem: o cantor e compositor merece que por ele tiremos o chapéu e as máscaras, esqueçamos nossas idades, sejamos jovens ou velhos.

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Ricardo Garcia

Durante a maior parte da apresentação, Edvaldo Santana, aliás, usava óculos de lentes escuras, os quais tirou apenas na hora de pegar um papel para ler nomes das pessoas as quais deveria agradecer. Alguém pode até pensar que o adereço seria um disfarce de alguém supostamente marrento, quem sabe parte da fantasia de uma mera personagem. Mas como poderia ser esnobe ou entrar em cena encanado um camarada que é o que é, e estando no centro das atenções no calor daquele momento, despiu-se do papel de astro e brincou o tempo todo com quem o curtia, contou sem delongas ou autocensura de onde veio e alguns hábitos que mantém, várias vezes bateu as palmas para seus músicos, ergueu-as para os céus agradecendo aos parceiros de estrada que com ele contribuíram nestas quatro décadas — entre os quais Paulo Leminski, Itamar Assumpção, Ademir Assunção e Luiz Waack?

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Bira de Castro

 “Estes caras e muitos outros que já passaram para outro plano ou ainda estão por aqui sempre me ajudaram muito, foram me moldando, me deram conselhos fundamentais no começo da minha carreira, me orientaram direitinho e muitas vezes com sua sabedoria até me recomendaram segurar um pouco minha onda”, disse Edvaldo Santana. Ele pediu aplausos para um destes mestres, o poeta-samurai polaco-curitibano que não discutia com o destino. E não se esqueceu de jogar uma rosa também para um certo “seu Valdemar”, cuja especialidade é podar flores e livrar-se adequadamente dos espinhos para não furar dedo de menininhos. Com estas palavras, Edvaldo Santana revelou que a gratidão é outra de suas marcas. Eis, portanto, mais que um artista, um homem elegante que nos descarrega do peso de algumas dores…

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Na apresentação do Centro Cultural Vergueiro Edvaldo Santana cantou músicas dos seus vários discos, sempre com afinado acompanhamento dos músicos da banda. O repertório trouxe sucessos como “Quem é que não quer ser feliz”, “Lobo Solitário”, “Choro de Outono”, “Cara, Carol”, que escreveu em homenagem à filha, Carolina; “Dor Elegante”, “Samba do Trem”, “Samba do Japa”, “Cantora de Cabaré”, “Canção Pequena” (esta apenas com Luiz Waack), encerrando com “Caximbo”. Do “Jataí”, seu atual disco, o publico ouviu “O amor é de graça”, “A poda da Rosa” (pro “seu Valdemar”!), “Seu Ico”, “Nada no mundo é igual” e “Quando Deus quer até o Diabo ajuda”.

Chão e coração ( Marcelino Freire, escritor)

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Foto: Andreia Beillo

“Edvaldo Santana é gênio. Põe oxigênio em nossa MPB. Cheio de ginga, xote, forró. Edvaldo é do mangue. O mel do melhor. Passeia, num instante, por um Brasil distante. Neste novo CD, aproxima, mais do que nunca, o seu som. De outros sons, sentidos. É linda, por exemplo, a música em que ele visita todos os estados. Cantos do Brasil. Ave nossa! Todo poético, todo prosa. Com uma simplicidade, sensibilidade, humanidade. Gostosa de ouvir. Rebolar na sanfona, rabeca, fole. Piano, guitarra. Edvaldo dá o tom. Puxa a fala, o refrão. Grande irmão. Grande artista. Da mesma seara rara de gente como Elomar, Jorge Mautner, Ben Jor, Itamar Assumpção. Tudo. Todos. Frutos de um mesmo chão. E coração.”

Dupla de blogueiras acompanha shows em Ubatuba hospedadas na Pousada Recanto das Palmeiras

 

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Grupo Paranga, Luís Perequê e Katya Teixeira no palco do projeto Tamar durante o show “Assim na Serra como no Mar” , realizado em Ubatuba/SP (Foto: Andreia Beillo)

O Barulho d’água Música pegou a estrada, encarou a serra e aportou em Ubatuba no sábado, 23, para acompanhar na sede do projeto Tamar o show “Assim na Serra como no Mar”, que encerrou a programação do  IV Mês  da Cultura Popular e reuniu os cantores Luís Perequê (Paraty-RJ) e Katya Teixeira (São Paulo), além do Paranga, grupo de São Luís do Paraitinga (SP).

A jornada levou até a cidade litorânea do norte paulista as intrépidas Andréia Beillo e Márcia Gibin, e, felizmente, não exigiu a venda de um Fiat 147, modelo 1983, e de uma bicicleta Monareta, ano 1974, para custeio de despesas. Andreia e Márcia ficaram hospedadas na aconchegante Pousada Recanto das Palmeiras, acolhidas com simpatia e presteza pela querida Paula. A pousada é uma excelente dica para quem pensa em uma esticadinha, seja para descanso de alguns dias, ou mesmo um bate-volta, até Ubatuba. O endereço é Rua Lola Kerr, 391, na Praia do Itaguá. Para reservas há o telefone (12) 3832-4757 ou os endereços eletrônicos www.recantodaspalmeiras.com.br e paula@recantodaspalmeiras.com.

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Imagens da Pousada Recanto das Palmeiras (fotos Andreia Beillo)

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Quarteto Pererê e Letícia Torança apresentam “Tocata Armorial” com clássico de Villa Lobos em SP

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Tchelo Nunes, Edson Tadeu, Francisco Andrade, Alessandro Ferreira e Letícia Torança tocaram e cantaram peças do grupo, de Antônio Madureira e Villa-Lobos (Fotos: Marcelino Lima)

Alessandro Ferreira (violão 7 cordas), Edson Tadeu (gaita), Francisco Andrade (viola caipira e violão) e Tchelo Nunes (violino) integram o “Quarteto Pererê”, que se dedica à interpretação da música instrumental brasileira por meio de uma inusitada combinação de timbres e escolhas estéticas que colocam a tradição sertaneja em diálogo com a música de câmara de recorte erudito, resultando numa busca sonora imaginativa e alegórica cuja proposta permite a interação entre música e a poesia popular de múltiplos Brasis. Formado em comemoração aos 80 anos da Semana de Arte Moderna, o grupo paulistano abriu no sábado, 23, a programação do projeto “Um baile das quatro artes”, proposta da Fundação Theatro Municipal de São Paulo e da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo. Com a participação da cantora Letícia Torança, o Quarteto Pererê apresentou “Tocata Armorial”, por meio do qual vem celebrando a primeira década da marcante trajetória.

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O show ocorreu na Praça das Artes, espaço situado na avenida São João, 281, no Centro paulistano. O repertório reuniu composições dos dois discos do Quarteto Pererê (“Ebulição”, lançado na Holanda, em 2004, e no Brasil, em 2005; e “Balaio”, de 2009), além de músicas do próximo ao qual os quatro integrantes já estão se dedicando. “Saci Armorial”, título do novo trabalho, dialogará com a obra do Quinteto Armorial, um dos expoentes no campo da música que mais representaram o Movimento Armorial, liderado pelo escritor Ariano Suassuna na década dos anos 1970. As faixas evocam múltiplas sonoridades e manifestações populares, num movimento musical antropofágico entre tradição e modernidade, entre o local e o universal.

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Uma das faixas que estará em “Saci Armorial” é “Canto da Yara”, de Alessandro Ferreira. O autor, Edson Tadeu, Francisco Andrade e Tchelo Nunes, ao tocá-la, contaram com o vocal de Letícia Torança. A cantora também dançou ao longo da sua apresentação e ainda se destacou em “Saga de Tropeiro, de Francisco Andrade, e “Baião para quando eu quiser” (Heitor Dantas), durante a qual utilizou um chocalho. Dos dois discos, o “Quarteto Pererê” trouxe entre outras “Istampita Palamento”, primeira música do gênero instrumental, de autoria anônima, surgida na Europa, no século XIII, presente no “Balaio”. Já “Suíte Sacizística”, dos quatro, figura em “Ebulição”. A plateia ouviu ainda “Estrada Mágica” (Tchelo Nunes), “Stravinsky no sertão” (Alessandro Ferreira) e “Maracatu de uma perna só” (Sérgio Leal). Para o encerramento, Revoada”, de Antônio Madureira, do disco “Do galope ao sertão nordestino”, do Quinteto Armorial. O “bis”, com arranjos especiais do grupo, cantada por Letícia, foi a famosa “Trenzinho Caipira”, de Heitor Villa-Lobos.

Legenda para as fotos:

Tchelo Nunes (violino), Alessandro Ferreira (violão), Edson Bastos (gaita), Francisco Andrade (viola caipira e violão), Letícia Toranza e um ouvinte com a filha

Para conhecer o trabalho do Quinteto Armorial e baixar a discografia do grupo acesse:

http://quadradadoscanturis.blogspot.com.br/2014/04/quinteto-armorial-discografia-completa.html

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Violeta Parra é homenageada em concorrido concerto no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo

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Sarah Abreu, Tita Parra, Carlinhos Antunes, Rui Barrosi e Beto Angerosa, alguns dos integrantes do concerto “Violeta Terna e Eterna”, no MCB (Foto: Elisa Espíndola)

O Museu da Casa Brasileira (MCB), sede de espetáculos e de exposições situada no bairro paulistano de Pinheiros, quase ficou pequeno para acomodar a plateia que na manhã de domingo, 17, acompanhou o concerto “Violeta Terna e Eterna”. Pessoas de todas as idades ocuparam as cadeiras disponíveis, sentaram-se no chão, postaram-se junto às muretas laterais ao salão, nos bancos e assentos do gramado do belo parque onde famílias inteiras também curtiam a gostosa manhã de sol. A visão do palco desta área nem era tão boa, já que, dependendo do ângulo e da posição, quem estava do lado de fora via a sua frente apenas um paredão humano.

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Sarah Abreu e Tita Parra cantam “Volvier a los 17”, um dos clássicos mais conhecidos de Violeta Parra (Foto: Marcelino Lima)

Para ouvir, entretanto, bastam os ouvidos. E assim, mesmo sem enxergar quem cantava e tocava lá dentro, como o público interno também fazia, muitos acompanhavam do começo ao fim as canções que Sarah Abreu, Carlinhos Antunes e Tita Parra, acompanhados pelos integrantes do Sexteto Mundano, apresentaram em homenagem à cantora, artista plástica e folclorista chilena Violeta Parra, com um passeio também por raridades de outros autores latino-americanos entre as quais  “Sonora Garoa”, do paulistano Passoca.

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Tita Parra cantou também músicas do seu disco “El Camino Del Médio”, entre os quais “Tierra”, e a inédita da avó “El Palomo” (Foto: Marcelino Lima)

Violeta morreu precocemente aos 49 anos, em 1967, e, portanto, não enfrentou a feroz ditadura de Augusto Pinochet que se instalou no país sul-americano em 11 de setembro de 1973. Se estivesse viva quando Salvador Allende foi derrubado, seria com certeza uma das mais árduas combatentes do violento regime imposto a ferro e a fogo pelo general, seus homens e seus órgãos repressores que contavam com apoio e organização do governo estadunidense. O ideal da integração latino-americana e a luta contra o imperialismo sempre estiveram presentes em toda a obra de Violeta Parra. Ela vivia pelos seus valores e crenças, e, por meio de suas canções, mostrava as coincidências dos processos históricos dos países da América Latina e, por conseguinte, as semelhanças dos seus processos de lutas populares, sempre estimulando o enfrentamento à dominação externa, louvando a vida e o trabalho, enaltecendo a luta dos camponeses pobres, povos indígenas e estudantes. 

Entre tantos títulos que caberiam a Violeta Parra, o de mãe da canção comprometida e aliada dos oprimidos e explorados é um dos mais acertados. Suas músicas e pinturas formaram a base para o desenvolvimento do movimento estético-musical-político chamado de La Nueva Canción Chilena, do qual fizeram parte também , Rolando Alarcón, e Patricio Manns, além dos grupos Inti-Ilimani e Quilapayún. Os versos de Violeta Parra legaram composições magistrais em força, beleza e engajamento,como “Volver a los 17”,que mereceu antológica gravação de Milton Nascimento e Mercedes Sosa.  Em “La Carta”, que retrata arbitrária prisão de seu irmão Roberto, cantada em momentos de comoção revolucionária, nas barricadas e nas ocupações, Violeta denunciava que “Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a polícia”. 

As canções, contudo, não apenas são libelos contra toda a forma de injustiça social. O lirismo presente em “Gracias a la vida” (gravada por Elis Regina) embalou como um hino que transcedeu o continente o ânimo de gerações de revolucionários em momentos em que a vida era questionada nos seus limites mais básicos, assim como a letra comovedora de “Rin de Angelito”, por meio do qual a chilena descreveu a morte de um bebê pobre: “No seu bercinho de terra um sino vai te embalar, enquanto a chuva te limpará a carinha na manhã”.

 Na apresentação do MCB, os músicos interpretaram “Volver a los 17”, “La Carta” e, ao final, “Gracias a la vida” entre outras joias de Violeta Parra. A neta Tita Parra apresentou aos ouvintes duas músicas que a avó cantava, ¿Adónde vas, jilguerillo?Violeta a aprendeu com a mãe, Clarisa Sandoval, e foi recolhida mais tarde por Alarcón, alusiva a um pequeno pássaro –, e “El Palomo”, cujos registros estavam em poder da gravadora multinacional que por 50 anos deteve os direitos sobre a obra de Violeta e não constam na discografia da avó. Tita cantou de sua autoria “La Tierra”, presente no álbum “El camino del medio”. O repertório, aberto com a instrumental “Ayacucho”, que Carlinhos Antunes recolheu no Peru, incluía ainda “Maria Rosa”, cantada na língua indígena parenpechua, do México, “Casamiento de Negros”, “Miguel y La estrela”, “Guillatún” e “Oracion del Remanso”, entre outras.

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Violeta Parra compôs canções que transmitiam a alegria dos povos chileno e latino americano pela vida e em seus versos também pregava a resistência a todas as formas de dominação

Sarah Abreu, Carlinhos Antunes e o Sexteto Mundano voltarão a se juntar no sábado, 23, para nova apresentação na Casa de Francisca, desta vez com o projeto “Violeta e Caymmi- Entre o Céu e o Mar”, a partir das 22h30. Já entre 6 e 7 de setembro eles e o grupo entrarão em estúdio para gravar o álbum do concerto “Violeta Terna e Eterna”, para o qual obtiveram apoio de amigos e admiradores, por meio de contribuições recolhidas pela plataforma de financiamento coletivo (crowfunding). De acordo com Carlinhos Ferreira, o disco estará pronto e será enviado aos colaboradores no máximo em dois meses. Para saber mais informações a respeito há o endereço virtual https://www.facebook.com/violetaternaeterna?fref=ts e sarah.abreu@gmail.com.

Cantores e músicos do concerto “Violeta Terna e Eterna”

Sarah Abreu (Foto de Marcelino Lima)/ Beto AngeroSa, percussão (Foto de Marcelino Lima)/ Carlinhos Antunes, cordas (Foto de Elisa Espíndola)/ Maria Beraldo Bastos, clarinete (Foto de Elisa Espíndola)/ Danilo Penteado, piano e acordeon (Foto de Elisa Espíndola)/ Rui Barrosi, contrabaixo (Foto de Elisa Espíndola)