João Bá comemora 80 anos e lança “Cavaleiro Macunaíma” no SESC Itaquera

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João Bá, abraçado pelo violeiro Paulo Freire, é uma das referências para vários cantores e artistas que preservam a cultura popular e dedicam-se aos temas do sertão (Foto: Marcelino Lima)

O Brasil tem sido prodigioso em gerar compositores, músicos e escritores que com sua genialidade retratam e perpetuam as belezas dos sertões, sua gente e suas riquezas, seja o físico, aquele que tem suas vastas extensões territoriais, por exemplo, o agreste, seja aquele que Elomar define como “profundo”, no qual só se penetra por meio de portais como o que se abre a partir da pedra de Itaúna — ou seja, a porção mítica, imaginada, fantástica, que atravessa todos os tempos — ou também a que é  explicada por uma forma de ser, um estado de espírito, conforme o sentido roseano. O próprio menestrel sertanez que tornou-se dissidente do estado no qual nasceu, a Bahia (entendida apenas como Salvador, cidades do Recôncavo e litorâneas) por esta dar as costas ao e relegar o sertanejo, é um destes bardos, assim como vem sendo Levi Ramiro, Paulo Freire, Pereira da Viola e o foram João Guimarães Rosa, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Dércio Marques.

O cantador, ator de cinema e teatro, e poeta João Bá também guerreia nesta cruzada e integra este panteão, e ainda hoje, no ápice dos seus 80 anos de idade, é um dos seus mais profícuos atalaias. Autor de mais de duzentas músicas, muitas gravadas por expoentes como Almir Sater, Diana Pequeno, Marlui Miranda, Hermeto Paschoal e o parceiro São Dércio, o menino que nasceu em Crisópolis  (BA) e que imediatamente após a queda do primeiro dente já se viu obrigado a trabalhar para ajudar no sustento da família de lavradores parece, ainda, morar dentro dele. A lida com a enxada e as dificuldades da infância pobre não impediram que já aos 12 anos João Bá começasse a compor e a cantar, sempre reverenciando e inspirando-se na natureza que o rodeava, tema recorrente até os dias de hoje em suas canções. Hoje cantador respeitado por onde passa e já visitou, a obra está reunida em sete discos independentes, além da participação em quatro faixas do álbum Aruanã, de 2005, lançado pela Warner-Chapelli/Y Records*.

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Com 80 anos completados e sete álbuns independentes, João Bá ainda carrega a alegria de um menino

“Cavaleiro Macunaíma”, a mais recente contribuição de João Bá na preservação e na divulgação destes universo e ânimo, está sendo lançado neste ano, justamente no qual ele torna-se octogenário, porém incansável. E vai ser apresentado ao público neste domingo, 31 de agosto, na Praça de Eventos SESC de Itaquera, em show entremeado por textos e movimentação cênica.. Acompanhado por Nanah Correia (voz e percussão), João Arruda (vocais e violas), Levi Ramiro (viola, violão e voz), Gabriel Levi (acordeom), Manoel Pacífico (percussão). João Bá subirá o palco às 19 horas.

O disco já está disponível e chega com cirandas, bois, toadas, xotes, repentes, batuques, canções populares de rendeiras e lavadeiras que falam de paisagens, personagens e ritmos da cultura popular brasileira. Participam da obra Toninho Carrasqueira, João Arruda, Ivone Cerqueira, Fernando Guimarães, Sérgio Turcão, Sérgio Teixeira e Edu Barreto, Levi Ramiro, Joaquim Celso Freire, Nádia Campos, e Rita de Cássia Costa, Déa Trancoso, Vidal França, Xangai, Gereba, Carlinhos Ferreira, Katya Teixeira, Ney Couteiro entre outros tantos cavaleiros.

O show faz parte do projeto “Festas Brasileiras- Brasis de Macunaíma” e  não será necessário retirar ingresso ou convites.

 

*Baixe a discografia de João Bá pelo linque http://quadradadoscanturis.blogspot.com.br/2014/01/joao-ba-discografia-para-download.html.

Abaixo a capa de três dos álbuns.

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Arnaldo Freitas traz sucessos de “Divisa das águas” ao SESC Osasco

Arnaldo Freitas aprendeu a tocar viola aos 8 anos
Arnaldo Freitas (Foto: Pedro Hummel)

 Arnaldo Freitas, violeiro nascido em Marília, no interior paulista,  um dos músicos integrantes desde 2006  do regional do programa do programa “Viola, Minha Viola”, será a atração do projeto “Caldos com Sons Brasileiros”, que o SESC de Osasco promoverá na quinta-feira, 28 de agosto. A apresentação do autor do álbum “Divisa das águas” (2010) começará às 19 horas no Deck da Cafeteria e poderá ser apreciada enquanto se degusta uma gostosa sopa, vendida ao preço único de R$ 6,50. Em caso de mal tempo, os organizadores costumam transferir o evento para a Tenda 1. O SESC fica na avenida Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, no jardim das Flores, ao lado da Unifesp, com estacionamento gratuito.

 Com sua técnica apurada e interpretação emocionante, Arnaldo Freitas é considerado um dos principais violeiros da nova safra da música instrumental brasileira. Foi vencedor da categoria “Melhor instrumentista de viola do festival Voa Viola” . Neste show interpreta clássicos de mestres violeiros de todas as gerações como Tião Carreiro, Tinoco (Tonico e Tinoco), Helena Meirelles, Bambico, Inezita Barroso, Teddy Vieira, Gedeão da viola, Zé do Rancho, Serrinha, Tião do Carro, Goiano, Cacique (Cacique e Pajé), Almir Sater, Roberto Correa, além de comentar sobre as influências de cada um

Edvaldo Santana comemora 40 anos de carreira com mais um show no Centro Cultural Vergueiro

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Edvaldo Santana está chegando a 40 anos de carreira e embora neste tempo já tenha gravado inúmeros sucessos deixa a impressão que ainda canta e toca com a mesma disposição, alegria, contundência, irreverência e, no caso particularíssimo dele, simpatia de quem estaria empunhando o microfone e um violão pela primeira vez, estreando nos palcos disposto a conquistar cada pessoa da plateia. Se a frase “quanto mais velho o vinho…” para ele se encaixa, a obra de sete discos deste bardo filhos de nordestinos que baixou lá em São Miguel Paulista e neste lendário, efervescente e mágico bairro-cidade da Zona Leste paulistana cresceu andando na contramão (ou avesso ao ouro dos tolos que adoram jabaculês e paparicos do jet-set), estabelece, ainda, outra constatação: quanto mais  o cara amadurece, mais parece que se renova e, assim, remoçando-se, deixa para o público que o cultua o perene frescor de um trabalho que prima pela qualidade, o engajamento e a inteligência crítica. Só alguém que desde pivete tem posicionamento, ideias, suingue e um anjo da guarda barroco poderia colocar se assim, apenas a serviço da cultura que é (do) contra o Faustão e seus miquinhos amestrados.

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Edvaldo Santana fez um show marcado por alegria, descontração; conversou e convidou a moçada a cantar e fez elogios a um jardineiro e a Paulo Leminski com a mesma medida de gratidão (Fotos: Marcelino Lima)

 Senhora contribuição ao país, sim senhor, digna de ser objeto de teses de mestrado e receber espaços mais generosos em cadernos B, normalmente gabando-se de serem antenados! Seus xotes, baiões, sambas, raps, hip-hops, baladas ou blues urbanos-agrestes retratam com fidelidade — portanto sem retoques, sem maneirismos ou manérismos –, por exemplo, a periferia dos grandes centros e seu povo mais para crioulo e caboclo do que para loiro. Gente que rala nos vagões lotados de trens trintões, joga bola, resolve o jogo, trampa de pedreiro (até morrer, se preciso for ou não tiver jeito), desvia de foguetes e de balas atiradas a esmo, corre dos gambés, suporta todo tipo de opressão andando de lado e fingindo-se de morto e, quando não tem a sorte de sair da linha de tiro, sequer uma testemunha ou caixão consegue; revelam manos de carne, dente, osso e unha — aliás, com mais osso do que carne, com dentes e unhas de menos –, mas que no dia a dia insistem em seguir avante, sorrindo, banguela, fazendo churrasco na laje, descolando uma mina nova, tomando uns tragos aqui e acolá por que ninguém é de ferro e nem sempre o santo ajuda. E vamos arrematando um novo cordel, rimando caldo de cana com um pastel: afinal, quem é que não quer ser feliz ou não merece um copo de vermute?

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Luiz Waack

Como se não bastasse a bandeira empunhada em defesa desta massa, a música de Edvaldo Santana é antipanfletária e anti(pros)elitista, não troca passes com chavões banais. “Jataí”, por exemplo, é um mapa das riquezas do Brasil e dos seus vários tipos humanos, do Oiapoque ao Piauí. Este blog por todas estas características já escreveu mais de uma vez a respeito dele, em todas deixando claro que no nosso barco ele navegará sempre na proa — e na janelinha! O tiozinho que saiu de sua cadeira e pediu humildemente para a plateia reverenciar e aplaudir o “Lobo Solitário” antes mesmo dos acordes finais da música de despedida que Edvaldo Santana e sua banda executavam no domingo, 24 de agosto, no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo -– e, não contente, subiu no palco para cumprimentá-lo com a música ainda em andamento –, é um dos admiradores que sabem: o cantor e compositor merece que por ele tiremos o chapéu e as máscaras, esqueçamos nossas idades, sejamos jovens ou velhos.

Ricardo Garcia
Ricardo Garcia

Durante a maior parte da apresentação, Edvaldo Santana, aliás, usava óculos de lentes escuras, os quais tirou apenas na hora de pegar um papel para ler nomes das pessoas as quais deveria agradecer. Alguém pode até pensar que o adereço seria um disfarce de alguém supostamente marrento, quem sabe parte da fantasia de uma mera personagem. Mas como poderia ser esnobe ou entrar em cena encanado um camarada que é o que é, e estando no centro das atenções no calor daquele momento, despiu-se do papel de astro e brincou o tempo todo com quem o curtia, contou sem delongas ou autocensura de onde veio e alguns hábitos que mantém, várias vezes bateu as palmas para seus músicos, ergueu-as para os céus agradecendo aos parceiros de estrada que com ele contribuíram nestas quatro décadas — entre os quais Paulo Leminski, Itamar Assumpção, Ademir Assunção e Luiz Waack?

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Bira de Castro

 “Estes caras e muitos outros que já passaram para outro plano ou ainda estão por aqui sempre me ajudaram muito, foram me moldando, me deram conselhos fundamentais no começo da minha carreira, me orientaram direitinho e muitas vezes com sua sabedoria até me recomendaram segurar um pouco minha onda”, disse Edvaldo Santana. Ele pediu aplausos para um destes mestres, o poeta-samurai polaco-curitibano que não discutia com o destino. E não se esqueceu de jogar uma rosa também para um certo “seu Valdemar”, cuja especialidade é podar flores e livrar-se adequadamente dos espinhos para não furar dedo de menininhos. Com estas palavras, Edvaldo Santana revelou que a gratidão é outra de suas marcas. Eis, portanto, mais que um artista, um homem elegante que nos descarrega do peso de algumas dores…

Leandro Paccanegla

Na apresentação do Centro Cultural Vergueiro Edvaldo Santana cantou músicas dos seus vários discos, sempre com afinado acompanhamento dos músicos da banda. O repertório trouxe sucessos como “Quem é que não quer ser feliz”, “Lobo Solitário”, “Choro de Outono”, “Cara, Carol”, que escreveu em homenagem à filha, Carolina; “Dor Elegante”, “Samba do Trem”, “Samba do Japa”, “Cantora de Cabaré”, “Canção Pequena” (esta apenas com Luiz Waack), encerrando com “Caximbo”. Do “Jataí”, seu atual disco, o publico ouviu “O amor é de graça”, “A poda da Rosa” (pro “seu Valdemar”!), “Seu Ico”, “Nada no mundo é igual” e “Quando Deus quer até o Diabo ajuda”.

Chão e coração ( Marcelino Freire, escritor)

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Foto: Andreia Beillo

“Edvaldo Santana é gênio. Põe oxigênio em nossa MPB. Cheio de ginga, xote, forró. Edvaldo é do mangue. O mel do melhor. Passeia, num instante, por um Brasil distante. Neste novo CD, aproxima, mais do que nunca, o seu som. De outros sons, sentidos. É linda, por exemplo, a música em que ele visita todos os estados. Cantos do Brasil. Ave nossa! Todo poético, todo prosa. Com uma simplicidade, sensibilidade, humanidade. Gostosa de ouvir. Rebolar na sanfona, rabeca, fole. Piano, guitarra. Edvaldo dá o tom. Puxa a fala, o refrão. Grande irmão. Grande artista. Da mesma seara rara de gente como Elomar, Jorge Mautner, Ben Jor, Itamar Assumpção. Tudo. Todos. Frutos de um mesmo chão. E coração.”

Quarteto Pererê e Letícia Torança apresentam “Tocata Armorial” com clássico de Villa Lobos em SP

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Tchelo Nunes, Edson Tadeu, Francisco Andrade, Alessandro Ferreira e Letícia Torança tocaram e cantaram peças do grupo, de Antônio Madureira e Villa-Lobos (Fotos: Marcelino Lima)

Alessandro Ferreira (violão 7 cordas), Edson Tadeu (gaita), Francisco Andrade (viola caipira e violão) e Tchelo Nunes (violino) integram o “Quarteto Pererê”, que se dedica à interpretação da música instrumental brasileira por meio de uma inusitada combinação de timbres e escolhas estéticas que colocam a tradição sertaneja em diálogo com a música de câmara de recorte erudito, resultando numa busca sonora imaginativa e alegórica cuja proposta permite a interação entre música e a poesia popular de múltiplos Brasis. Formado em comemoração aos 80 anos da Semana de Arte Moderna, o grupo paulistano abriu no sábado, 23, a programação do projeto “Um baile das quatro artes”, proposta da Fundação Theatro Municipal de São Paulo e da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo. Com a participação da cantora Letícia Torança, o Quarteto Pererê apresentou “Tocata Armorial”, por meio do qual vem celebrando a primeira década da marcante trajetória.

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O show ocorreu na Praça das Artes, espaço situado na avenida São João, 281, no Centro paulistano. O repertório reuniu composições dos dois discos do Quarteto Pererê (“Ebulição”, lançado na Holanda, em 2004, e no Brasil, em 2005; e “Balaio”, de 2009), além de músicas do próximo ao qual os quatro integrantes já estão se dedicando. “Saci Armorial”, título do novo trabalho, dialogará com a obra do Quinteto Armorial, um dos expoentes no campo da música que mais representaram o Movimento Armorial, liderado pelo escritor Ariano Suassuna na década dos anos 1970. As faixas evocam múltiplas sonoridades e manifestações populares, num movimento musical antropofágico entre tradição e modernidade, entre o local e o universal.

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Uma das faixas que estará em “Saci Armorial” é “Canto da Yara”, de Alessandro Ferreira. O autor, Edson Tadeu, Francisco Andrade e Tchelo Nunes, ao tocá-la, contaram com o vocal de Letícia Torança. A cantora também dançou ao longo da sua apresentação e ainda se destacou em “Saga de Tropeiro, de Francisco Andrade, e “Baião para quando eu quiser” (Heitor Dantas), durante a qual utilizou um chocalho. Dos dois discos, o “Quarteto Pererê” trouxe entre outras “Istampita Palamento”, primeira música do gênero instrumental, de autoria anônima, surgida na Europa, no século XIII, presente no “Balaio”. Já “Suíte Sacizística”, dos quatro, figura em “Ebulição”. A plateia ouviu ainda “Estrada Mágica” (Tchelo Nunes), “Stravinsky no sertão” (Alessandro Ferreira) e “Maracatu de uma perna só” (Sérgio Leal). Para o encerramento, Revoada”, de Antônio Madureira, do disco “Do galope ao sertão nordestino”, do Quinteto Armorial. O “bis”, com arranjos especiais do grupo, cantada por Letícia, foi a famosa “Trenzinho Caipira”, de Heitor Villa-Lobos.

Legenda para as fotos:

Tchelo Nunes (violino), Alessandro Ferreira (violão), Edson Bastos (gaita), Francisco Andrade (viola caipira e violão), Letícia Toranza e um ouvinte com a filha

Para conhecer o trabalho do Quinteto Armorial e baixar a discografia do grupo acesse:

http://quadradadoscanturis.blogspot.com.br/2014/04/quinteto-armorial-discografia-completa.html

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Violeta Parra é homenageada em concorrido concerto no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo

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Sarah Abreu, Tita Parra, Carlinhos Antunes, Rui Barrosi e Beto Angerosa, alguns dos integrantes do concerto “Violeta Terna e Eterna”, no MCB (Foto: Elisa Espíndola)

O Museu da Casa Brasileira (MCB), sede de espetáculos e de exposições situada no bairro paulistano de Pinheiros, quase ficou pequeno para acomodar a plateia que na manhã de domingo, 17, acompanhou o concerto “Violeta Terna e Eterna”. Pessoas de todas as idades ocuparam as cadeiras disponíveis, sentaram-se no chão, postaram-se junto às muretas laterais ao salão, nos bancos e assentos do gramado do belo parque onde famílias inteiras também curtiam a gostosa manhã de sol. A visão do palco desta área nem era tão boa, já que, dependendo do ângulo e da posição, quem estava do lado de fora via a sua frente apenas um paredão humano.

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Sarah Abreu e Tita Parra cantam “Volvier a los 17”, um dos clássicos mais conhecidos de Violeta Parra (Foto: Marcelino Lima)

Para ouvir, entretanto, bastam os ouvidos. E assim, mesmo sem enxergar quem cantava e tocava lá dentro, como o público interno também fazia, muitos acompanhavam do começo ao fim as canções que Sarah Abreu, Carlinhos Antunes e Tita Parra, acompanhados pelos integrantes do Sexteto Mundano, apresentaram em homenagem à cantora, artista plástica e folclorista chilena Violeta Parra, com um passeio também por raridades de outros autores latino-americanos entre as quais  “Sonora Garoa”, do paulistano Passoca.

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Tita Parra cantou também músicas do seu disco “El Camino Del Médio”, entre os quais “Tierra”, e a inédita da avó “El Palomo” (Foto: Marcelino Lima)

Violeta morreu precocemente aos 49 anos, em 1967, e, portanto, não enfrentou a feroz ditadura de Augusto Pinochet que se instalou no país sul-americano em 11 de setembro de 1973. Se estivesse viva quando Salvador Allende foi derrubado, seria com certeza uma das mais árduas combatentes do violento regime imposto a ferro e a fogo pelo general, seus homens e seus órgãos repressores que contavam com apoio e organização do governo estadunidense. O ideal da integração latino-americana e a luta contra o imperialismo sempre estiveram presentes em toda a obra de Violeta Parra. Ela vivia pelos seus valores e crenças, e, por meio de suas canções, mostrava as coincidências dos processos históricos dos países da América Latina e, por conseguinte, as semelhanças dos seus processos de lutas populares, sempre estimulando o enfrentamento à dominação externa, louvando a vida e o trabalho, enaltecendo a luta dos camponeses pobres, povos indígenas e estudantes. 

Entre tantos títulos que caberiam a Violeta Parra, o de mãe da canção comprometida e aliada dos oprimidos e explorados é um dos mais acertados. Suas músicas e pinturas formaram a base para o desenvolvimento do movimento estético-musical-político chamado de La Nueva Canción Chilena, do qual fizeram parte também , Rolando Alarcón, e Patricio Manns, além dos grupos Inti-Ilimani e Quilapayún. Os versos de Violeta Parra legaram composições magistrais em força, beleza e engajamento,como “Volver a los 17”,que mereceu antológica gravação de Milton Nascimento e Mercedes Sosa.  Em “La Carta”, que retrata arbitrária prisão de seu irmão Roberto, cantada em momentos de comoção revolucionária, nas barricadas e nas ocupações, Violeta denunciava que “Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a polícia”. 

As canções, contudo, não apenas são libelos contra toda a forma de injustiça social. O lirismo presente em “Gracias a la vida” (gravada por Elis Regina) embalou como um hino que transcedeu o continente o ânimo de gerações de revolucionários em momentos em que a vida era questionada nos seus limites mais básicos, assim como a letra comovedora de “Rin de Angelito”, por meio do qual a chilena descreveu a morte de um bebê pobre: “No seu bercinho de terra um sino vai te embalar, enquanto a chuva te limpará a carinha na manhã”.

 Na apresentação do MCB, os músicos interpretaram “Volver a los 17”, “La Carta” e, ao final, “Gracias a la vida” entre outras joias de Violeta Parra. A neta Tita Parra apresentou aos ouvintes duas músicas que a avó cantava, ¿Adónde vas, jilguerillo?Violeta a aprendeu com a mãe, Clarisa Sandoval, e foi recolhida mais tarde por Alarcón, alusiva a um pequeno pássaro –, e “El Palomo”, cujos registros estavam em poder da gravadora multinacional que por 50 anos deteve os direitos sobre a obra de Violeta e não constam na discografia da avó. Tita cantou de sua autoria “La Tierra”, presente no álbum “El camino del medio”. O repertório, aberto com a instrumental “Ayacucho”, que Carlinhos Antunes recolheu no Peru, incluía ainda “Maria Rosa”, cantada na língua indígena parenpechua, do México, “Casamiento de Negros”, “Miguel y La estrela”, “Guillatún” e “Oracion del Remanso”, entre outras.

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Violeta Parra compôs canções que transmitiam a alegria dos povos chileno e latino americano pela vida e em seus versos também pregava a resistência a todas as formas de dominação

Sarah Abreu, Carlinhos Antunes e o Sexteto Mundano voltarão a se juntar no sábado, 23, para nova apresentação na Casa de Francisca, desta vez com o projeto “Violeta e Caymmi- Entre o Céu e o Mar”, a partir das 22h30. Já entre 6 e 7 de setembro eles e o grupo entrarão em estúdio para gravar o álbum do concerto “Violeta Terna e Eterna”, para o qual obtiveram apoio de amigos e admiradores, por meio de contribuições recolhidas pela plataforma de financiamento coletivo (crowfunding). De acordo com Carlinhos Ferreira, o disco estará pronto e será enviado aos colaboradores no máximo em dois meses. Para saber mais informações a respeito há o endereço virtual https://www.facebook.com/violetaternaeterna?fref=ts e sarah.abreu@gmail.com.

Cantores e músicos do concerto “Violeta Terna e Eterna”

Sarah Abreu (Foto de Marcelino Lima)/ Beto AngeroSa, percussão (Foto de Marcelino Lima)/ Carlinhos Antunes, cordas (Foto de Elisa Espíndola)/ Maria Beraldo Bastos, clarinete (Foto de Elisa Espíndola)/ Danilo Penteado, piano e acordeon (Foto de Elisa Espíndola)/ Rui Barrosi, contrabaixo (Foto de Elisa Espíndola)

Quarteto Pererê faz apresentação gratuita no Baile das Quatro Artes do Largo do Arouche, em São Paulo

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O Quarteto Pererê, de São Paulo, é uma das atrações deste sábado, 23, na Praça das Artes

Mário de Andrade colocava a cultura popular no centro da expressividade de seu tempo. O projeto UM BAILE DAS QUATRO ARTES retoma sua ideia criando pontes em quatro áreas de expressão essenciais na contemporaneidade: música, dança, performance (danças dramáticas tradicionais e contemporâneas) e teatro de rua. Entre os dias 16 de agosto e 25 de outubro, o projeto recebe, na Praça das Artes companhias nacionais ligadas a esses quatro segmentos artísticos, todos os sábados, sempre às 11 horas e às 15 horas com entrada franca. O endereço é avenida São João, 181, no Largo do Arouche.

Neste sábado, 23, a primeira apresentação, será do Quarteto Pererê. Formado a partir das comemorações dos 80 anos da Semana de Arte Moderna, o Quarteto Pererê dedica-se à música instrumental brasileira, unindo “tradição e modernidade” na poética musical de múltiplos brasis. Formado por Alessandro Ferreira – violão de 7 cordas, Edson Tadeu – gaita, Francisco Andrade – viola brasileira de 10 cordas e violão, Tchêlo Nunes no violino e a participação da cantora Letícia Torança, apresentam a Tocata Armorial.

Para as 15 horas, os organizadores programaram a Companhia do Feijão. O espetáculo Reis de Fumaça reúne textos, músicas, danças e depoimentos ligados à cultura popular, desenvolvendo-se sobre dois movimentos: o íntimo, com contatos individuais entre atores e público, e o espetacular, com recriações livres dessas manifestações.

O Largo do Arouche, onde fica a Praça das Artes, é um tradicional reduto situado no Centro da Capital paulista, localizado nas proximidades das estações República (linhas Vermelha e Amarela) do Metrô.

CantaVento apresenta show “Esticador de Horizontes” para guris e crianças interiores no SESC Santo André

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A dica de hoje do Barulho d’água Música é levar a gurizada (e soltar também a criança interior que existe em você) ao SESC Santo André, situado na Grande São Paulo, para assistir à apresentação no domingo, 24, do CantaVento, a partir das 12 horas. O ingresso custa R$ 2,00 para comeerciários associdos à entidade e R$ 10,00 para o público em geral.  

Formado por músicos e educadores interessados na aproximação e no diálogo com o universo musical infantil brasileiro, no show “Esticador de Horizontes” o grupo leva ao público um repertório cuidadosamente escolhido, para gente pequena e gente grande cantar juntas. Aline Moraes (flautas), Carol Ladeira (voz), João Arruda (viola e charango), Marcelo Falleiros (violão) e Raul Rodrigues (percussão e bateria) compõem o CantaVento, que tem ainda entre suas propostas estimular um olhar poético para o mundo e transformar o palco em um lugar de brincadeira.

Vale recordar que o título do show é extraido do poema de Manoel de Barros “Bernardo é quase árvore”, presente no “Livro das Ignorãças” (1993, XI, 3a. parte – Mundo Pequeno, página 17), abaixo reproduzido.

 

Bernardo é quase árvore
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Silêncio dele é tão alto que os passarinhos
ouvem de longe
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios – e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando 3
fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
incompletude?) 

 

Dércio Marques, 67 anos

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Dércio Marques contraria o ditado popular, desmente quem  bota fé no dito “ninguém é insubstituível”. Há pouco mais de dois anos o poeta e cantador nascido em Uberlândia (MG), mas que tinha a consciência de pertencer não apenas a um lugar justamente pelo rico universo interior tão fantástico quanto crítico que o inteirava, virou luz. Dércio desencarnou e, desde então, os que ficaram órfãos de sua genialidade e grandeza sentem esta ausência, tanto que nunca se cansam de venerá-lo e de homenageá-lo em suas apresentações. Boas árvores, entretanto, sempre deixam suas raízes, e sabia natureza, elas se reproduzem, sabiás que ajudam a espalhar a semente de um mundo mais encantador, ainda que a maldade e a transgressão insistam em desafinar os versos da bela canção que seguirá sendo a vida e certos vazios jamais se preencham. Aves e flores, frutos do legado do homem que hoje completaria 67 anos, são para ele, mas extensiva a vocês estas linhas; é pela valiosa obra de vocês Katya Teixeira, João Arruda, João Bá, Déa Trancoso, Levi Ramiro, Wilson Dias, Pereira da Viola, João Bá, Rolando Boldrin e tantos outros artistas que, mesmo sem o termos conhecido de perto, nós do Barulho d’Água Música ficamos cada vez mais íntimos dele, gratos a Dércio Marques. É por ele, e por vocês, que neste dia especial também merecem nossos parabéns por seguir abrigando as utopias do mestre e ajudar a minorar uma saudade estranha, posto que com ele não convivemos, ao menos fisicamente, que renovamos nossa teimosia de ainda seguir insistindo também nos nossos sonhos.  E nós!

Consuelo de Paula dialoga com Cecília Meireles em novo CD cheio de asas e um ramo de acácia

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O Barulho d’Água Música recebeu hoje mais uma rica contribuição para o acervo do blog: o novo álbum da cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula.

O “Tempo e o Branco” é o sexto trabalho autoral de Consuelo, artista completa que vem recebendo as mais elogiosas palavras e definições da crítica desde que surgiu no cenário musical brasileiro. Desta vez, motivada — ou, na verdade, provocada pela jornalista Fátima Cabral, para utilizar uma palavra a qual ela mesma recorreu –, Consuelo teceu 13 canções que mergulham no universo poético de Cecília Meirelles, 12 das quais em parceria com o inesquecível Rubens Nogueira, responsável por onze das melodias. Gravadas no estúdio do amigo Mario Gil (Dançapé), todas têm os delicados acompanhamentos do acordeom de Toninho Ferraguti e das cordas da viola caipira e do violão de Neymar Dias.

Que ninguém morra de tanto ouvi-lo, e que nem ela morra de tanto cantar, já que Consuelo é imprescindível, tem o dom de nos brindar com antídotos num mundo que, se já não caminha entre desertos, parece cada vez mais ensimesmado, pouco gentil, avesso à poesia ou ao ato de parar tudo no instante em que deparamos com um ramo de acácia e seguimos em correria sem apreciá-lo. Mas se tudo hoje em dia parece fugaz, a paixão ainda existe e que nos nutre de vontade de passar dias e dias sem interromper a audição, ah, isto dá!  E para apoiar a divulgação de “O Tempo e o Branco”, Consuelo de Paula também caprichou no sítio virtual no qual apresenta o novo álbum. Os fãs poderão acessá-lo em http://www.consuelodepaula.com.br/otempoeobranco/#! e, ao navegar, encontrarão, por exemplo, detalhes do encarte contendo as letras de cada uma das canções, vídeos e a ficha técnica da obra e fotos de Alessandra Fratus.

Como o disco ainda não está nas lojas, tarefa que em breve será assumida pela Tratore, o internauta também poderá encomendar neste passeio on-line seu exemplar, além dos demais discos da mineira de Pratápolis. A lojinha virtual inclui o DVD “Negra” e o livro “A Poesia dos Descuidos”, que ela escreveu em 2011 com Lúcia Arrais Morales.

Abaixo, na integra, segue o texto de apresentação de “O Tempo e o Branco”, produzido pelas jornalistas Eliane Verbena e Deborah Zanette.

O Tempo E O Branco: uma dança rara no colo da poesia.

Em novo CD Consuelo de Paula visita o universo poético de Cecília Meireles.

Como quem cria um pássaro inquieto, Consuelo sabe que as canções têm destino de mundo, têm sina de rio, de vento, de coisas que não param, que saem de casa para abraçar outras fronteiras e gerar novas sinfonias.

Com seu novo trabalho, O Tempo E O Branco, Consuelo de Paula conclui mais uma fase de sua obra autoral. Este é seu sexto registro fonográfico, mas pode ser considerado outro momento de uma única obra, uma obra que conversa entre si e com o mundo. Aqui a poesia se revela ainda mais generosa e ousada, inaugura outros ares, propõe um novo baile.

Provocada pelo universo poético de Cecília Meireles – que aqui entra como inspiração livre – Consuelo constrói canções que mais uma vez surpreendem o ouvinte pela leveza quase insondável de seu lirismo; coloca sua sensibilidade própria, livre, a serviço da arte, o que acaba por lhe exigir rigoroso apuro interno para descobrir as palavras certas no momento de articular sentimentos, ritmos, tons, o claro e o escuro, a ave e o vento, a pedra e o rio, o espaço e o tempo. Cecília e Consuelo, duas experiências distintas, e em cada uma delas se detecta a mesma obsessão: a de escavar o verso e, com ele, incitar o vício sadio e necessário da emoção.

O CD O Tempo E O Branco traz treze letras, duas melodias de Consuelo e onze melodias de Rubens Nogueira (1959-2012) e encerra a rica parceria entre esses dois artistas, parceria essa que marca a música contemporânea brasileira. O equilíbrio perfeito desse CD chega com a escolha dos instrumentos: acordeom e viola. Versos cheios de asas encontram pouso nas teclas pretas e brancas do acordeom; melodias que parecem rios encontram terra no som da viola; a voz precisa, plena e inexplicável de Consuelo passeia pelos arranjos com as belas harmonias assinadas por Toninho Ferragutti e Neymar Dias. O resultado é uma obra impecável. Os ritmos parecem soar de um baile iniciado no centro do Brasil rumo às fronteiras, passando por terras, serras, cordilheiras, rios, atravessando mares, fazendo árvores e tecendo um bordado que é único, iniciado em Samba, Seresta e Baião, seguido por Tambor e Flor, Dança das Rosas, Casa e Negra.

Em O Tempo E O Branco seu estilo e sua forma de expressão são mais uma vez reveladores da sua exigência e despojamento humanos: deixarei poesia pra antonio e maria/ testamento de artista escrito com sonhos/ deixarei passagens pra becos e lagos […] e vou morrer de cantar/ morrer de cantar! Esse é o legado de alguém que se dedica com orgulho e paixão à sua sina de artista, mesmo quando esta se apresenta com a aspereza de uma fruta agreste/ [como uma] palavra amarga, pois Consuelo não faz da arte mera profissão, ao contrário, a traz estampada no rosto, nas marcas do corpo, na excepcional consciência de si. E é como uma prisioneira da arte que ela traduz vivências, lembranças, acontecimentos, sensações, e transforma a banalidade da vida em extraordinária experiência: um barco eu fiz/ um barco em flor/ no meio da imensidão/ […] há tanto mar desconhecido em meu coração/ essa canção é só pra gente sempre se encontrar. O Tempo E O Branco: um CD para se ouvir um milhão de vezes e ainda descobrir novos mistérios a cada audição. O Tempo E O Branco: o poema-canção como um antídoto num mundo que caminha entre desertos.

Luís Perequê, Paranga e Katya Teixeira encerram IV Mês da Cultura Popular do Tamar Ubatuba

 O encerramento do IV Mês da Cultura Popular do Tamar Ubatuba reunira neste sábado, 23 de agosto, os músicos Luís Perequê (Paraty/RJ), Negão dos Santos e Renata Marques, do Grupo Paranga (São Luís do Paraitinga/SP), e a premiada cantora, compositora e instrumentista paulistana que está completando vinte anos de estrada Katya Teixeira. O encontro memorável destes talentos cujas carreiras musicais são dedicadas à valorização da cultura popular ocorrerá no show “Assim na Serra como no Mar”, programado  para começar às 20 horas.

Katya Ubatubae
Katya Teixeira comemora 20 anos de carreira e será atração em Ubatuba (Foto: Marcelino Lima)

O IV Mês da Cultura Popular é uma iniciativa do Projeto Tamar em parceria com o Silo Cultural de Paraty. Um vídeo intitulado “Preservar é resistir” será apresentado antes do show. Produzido pelo Fórum de Comunidades tradicionais (Paraty/Angra/Ubatuba), a exibição do material audiovisual  concluirá a participação deste coletivo, que manteve mostra fotográfica sobre as comunidades tradicionais da região no Espaço de Exposição do Centro de Visitantes do Tamar, desde o dia 1 de agosto.

Luís Perequê, ativista cultural, cantor e compositor, de Paraty (RJ)
Luís Perequê, ativista cultural, cantor e compositor da cidade de Paraty (Foto: Marcelino Lima)


A programação do IV mês da Cultura Popular contou com os apoiadores culturais Restaurante Perequim e Pousada Recanto das Palmeiras e permitiu, ao longo do mês do folclore brasileiro, a o realização de diversas manifestações culturais de Ubatuba e região litorânea.  Entre as atividades destacam-se contações de histórias e de causos; as oficinas “‘Como se faz’” de rabeca e canoa; danças; músicas e exposições que valorizam as raízes do nosso povo e ajudam a conquistar aliados para a proteção das tartarugas marinhas, maior meta do Tamar.  .

Paranga
João Gaspar, Renata Marques, Lia Marques, Negão dos Santos e Luís Pirez (Foto: Wellington Tibério)


Criado há 33 anos, o Projeto Tamar é uma cooperação entre o Centro Tamar/ICMBio e a Fundação Pró-Tamar. Tem patrocínio oficial da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, e o apoio do Título de Capitalização Bradesco Pé Quente. Está presente e atua em nove estados brasileiros, nos quais recebe apoios locais.  A Arcor do Brasil e a Prefeitura Municipal vestiram a camisa do Tamar em Ubatuba. Todos os recursos captados são revertidos integralmente para as atividades de conservação das tartarugas marinhas.

SERVIÇO:

Durante o mês de agosto, o Centro de Visitantes do Projeto Tamar Ubatuba estará aberto todos os dias, exceto às quartas-feiras, das 10 às 18 horas (entre segunda e quinta) e das 10 às 20h (sextas e sábados). Não haverá cobrança de ingressos para o  show encerramento do IV Mês da Cultura Popular. O endereço é Rua Antonio Athanásio, 273, bairro Itaguá, Ubatuba/SP. Para mais informações há os números de telefone (12) 3832-6202 e 3832-7014.

Assim na Terra