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Levi Ramiro e Marcos Azevedo encerram programação de julho do “Caldos com Sons Brasileiros”

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Levi Ramiro, em primeiro plano, e Marcos Azevedo, ao fundo, apresentaram no SESC de Osasco canções de autoria do violeiro, variando os estilos entre o baião e a moda caipira (Fotos: Marcelino Lima)

O violeiro Levi Ramiro é considerado pela crítica e pelos amigos do meio e do peito um dos mais versáteis e notáveis do cancioneiro caipira e regional. Quem o vê tocando e cantando pela primeira vez logo dá fé, assina embaixo e espalha. O público do SESC de Osasco que comparece todas às quintas-feiras ao Deck da Cafeteria, local escolhido pela unidade para a realização do projeto “Caldos com Sons Brasileiros”, entretanto, levou para casa no dia 31 de julho a certeza de ter conhecido alguém ainda mais completo que a primeira referência que ouviu ou leu dele. Acompanhado de Marcos Azevedo ao violão, Levi deu não apenas um show de interpretação e de maestria, mostrando que das cordas dos instrumentos que ele mesmo fabrica brotam outros ritmos da cultura popular que levam a plateia em excursão por vários lugares do Brasil, com escala em países vizinhos como Argentina, Peru e Bolívia.

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Levi Ramiro, nascido em 1o. de abril, é também artesão dos próprios instrumentos e ilustre contador de causos

De saída, ainda antes de começar a cantar e a tocar o repertório anotado à mão em uma folha de papel, Levi Ramiro fez loas à lua e a reverenciou com versos de Elomar Figueira de Mello, presentes na canção Arrumação”: Ponta d´unha, lua fina risca no céu/A onça prisunha, a cara de réu/O pai do chiquêro a gata comeu”, referindo-se ao formato do satélite. Na sequência, desfiou uma seleção que incluía além de faixas do seu mais recente álbum “Capiau” (2013) o baião “Boca de Espera”, a milonga “Madrugada Solita”, os sambas “Pé de abóbora, Viola, viola” e “Samba de Roda”, a folia “Encontro de Bandeiras”, e a zamba “Mais uma saudade”. Não faltaram ainda clássicos como “Saudades da minha terra”, de Goiá e Belmonte, e “Rancho Triste”, de Pena Branca e Xavantinho; “Tristeza do Jeca”, de Angelino de Oliveira, em versão instrumental, conquistou aplausos efusivos e foi um dos momentos nos quais mais se pode presenciar o virtuosismo dos músicos.

Levi Ramiro também passeou pelas obras de Paulo Freire, amigo e sumidade da viola paulista e curiosamente nascido como ele em 1º de abril. Ambos têm ainda como marcas registradas a capacidade de recolher e contar causos dos mais engraçados aos mais fantásticos, os quais juram como convém aos que nascem naquela data se tratarem da mais pura verdade! E tome entre uma colherada e outra da canja de galinha servida naquela noite pelo SESC relatos de fartas pescarias, anedotas do trabalho e de hábitos na roça (com o cuidado de não estereotipar as personagens, mas apenas de revelar suas características naturais e mais singelas, muitas vezes moldadas pelo meio nos quais habitam), narrativas de transformação de amigos em feras como lobisomens, e de caçadas e embates com onças mata adentro, sempre enfáticos e contados nos mínimos detalhes.

Marcos Azevedo

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Marcos Azevedo começou a carreira aos 14 anos, acompanhando Pedro Bento e Zé da Estrada

Marcos Azevedo já forma dupla com Levi Ramiro há algum tempo. Paulistano, Azevedo começou a tocar aos 14 anos em apresentações de Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léu, Zico e Zeca e integrou em várias temporadas o Regional de Robertinho do Acordeon, com o qual acompanhava os convidados do programa “Viola, minha Viola”, da TV Cultura.

Programação de agosto do “Caldos com Sons Brasileiros”, com início sempre às 19 horas e degustação de sopas que variam conforme o dia e vendidas a R$ 6,50.

7 – João Ormond/14 -Edson Duarte/21- Luiz Wilson/ 28 – Arnaldo Freitas

  

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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