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Livraria Cortez recebe Socorro Lira e vários artistas em IX Sarau de Cordel

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Socorro Lira, de Brejo da Cruz (PB), uma das atrações do IX Cordel da Cortez (Fotos Marcelino Lima)

A Livraria Cortez convidou a cantora e compositora Socorro Lira para ser uma das atrações da abertura do IX Sarau de Cordel, evento que promove há 12 anos no piso superior da loja localizada na rua Bartira, 317, ao lado do campus da PUC de São Paulo, em Perdizes.

Antes de cantar e tocar para o público, Socorro Lira foi precedida por artistas de várias vertentes da cultura popular residentes em São Paulo e na região do Seridó, situada entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba, apresentados pelo cordelista Moreira de Acopiara. Entre um bocado de feijão de corda com cuscuz, farinha de mandioca e manteiga de garrafa, caldinho de feijão fradinho, rapaduras, sucos de caju e de graviola e licores de tamarindo e cana de açúcar, caprichosamente preparados por Dona Júlia, a plateia ouviu, por exemplo, a cantoria de Aldy Carvalho, Eduardo Valbueno e Cacá Lopes; Djanira Feitosa, cordelista de Acopiara; os escritores Marco Haurélio, Audálio Dantas e Adelson Aprígio Filgueira; os atores Anísio Clementino e Maria Rocha; e a xilogravurista Nireuda Longobardi. Depois de Socorro Lira, o microfone foi entregue ao cantor Téo Azevedo.

O Sarau da Cortez é realizado desde 2002 e já virou referência para vários artistas do Nordeste que buscam seu lugar ao sol e reconhecimento no cenário nacional a partir da capital paulista. Muitos mantêm suas trincheiras nas cidades de origem, mas mesmo os que se arriscam longe da terra natal conservam e transmitem em suas obras as características do berço onde nasceram e se criaram, permitindo a difusão de valores e hábitos que se mesclam aos de outros lugares brasileiros e o enriquecimento do patrimônio cultural do país.

Um destes nomes é Moreira de Acopiara, município cearense. Autor de vários livros de cordéis, ele coordenou a apresentação do dia 9, ocasião em que declamou o poema “Tiê-Sangue”. Neste texto, Moreira tanto faz alusão ao pássaro encarnado, como aos jovens detentos com os quais trabalha em projetos de recuperação em uma cadeia paulistana. Ele está escrevendo o livro “Se Meu Cachorro Pensasse” e a partir das 16 horas do sábado, 16, lançará na Cortez “A Divina Comédia” obra de Dante Alighieri adaptada para o cordel. A tarde de autógrafos é parte da programação do dia de encerramento do IX Sarau.

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Ednilson Cortez, um dos anfitriões do evento que a livraria organiza desde 2002

Ednilson Cortez é um dos idealizadores do agradável e rico encontro acolhido pela livraria de Perdizes. Com extrema gentileza e agradecendo sempre aos que chegavam para participar do IX Sarau, era Ednilson quem recepcionava à porta, um a um, tanto os convidados, quanto as pessoas que haviam se inscrito — incluindo os que visitavam aquele espaço pela primeira vez como os autores deste blog. Atraído pela informação de que Socorro Lira estaria presente, o Barulho de Água não podia fazer ideia da envergadura, da importância e belezas daquela reunião. “Eu tinha vontade de fazer o sarau, mas a mantinha no campo do desejo até que um amigo me disse ‘quando você quer, de verdade, você faz’”, disse. “Hoje, a partir de nossa iniciativa, tenho visto vários movimentos de valorização da literatura de cordéis”.

José Xavier Cortez, proprietário da loja, é outro grande entusiasta das diversas formas de manifestações artísticas e populares do povo brasileiro. Ele afirmou que acredita no Brasil e como nordestino sente-se colaborando decisivamente para a valorização da cultura do país. “Penso como o escritor Assis Ângelo, para o qual a cultura popular é o DNA de um povo”. Ele ainda comentou que a sua livraria é a única do sudeste que prestigia a literatura de cordel, cordelistas, repentistas, cantores e poetas, “artistas que formam o nosso verdadeiro patrimônio cultural”. Xavier aplaudiu calorosamente todas as apresentações e de Socorro Lira ouviu agradecimentos especiais pela generosidade e incentivo aos artistas que já passaram por aquela casa.

É importante registrar, também, algumas palavras de Socorro Lira, paraibana de Brejo do Cruz, cidade no qual mantém trabalho social com jovens. Vencedora do Prêmio Sharp de 2002, ela criticou a falta de atenção da mídia e dos formadores de opinião que não dão respaldo a obras de artistas como vários daqueles que constituíram a plateia para prestigia-la. “Para sair na televisão você precisa pagar, ou seja, tem de recorrer a jabaculês, ou jabás, concordar com o hábito reinante no meio conservador de doar algo para poder receber em troca”, afirmou enfática. “Mas acontece que o artista popular também necessita de comida, precisa se vestir, tratar da alma, ou seja, precisa receber pelo que produz, e com dignidade”, prosseguiu. “Nós temos apenas vocês aqui presentes para ouvir nossos discos, enquanto a maioria das pessoas ouve apenas o que é imposto de cima para baixo”.

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A escritora Cristiane Cobra, Moreira de Acopiara e Aldy Carvalho

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José Xavier Cortez lembrou Assis Ângelo: “A cultura popular é o DNA de um povo”

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O poeta Moreira de Acopiara coordenou as apresentações. O cearense é autor de vários livros, está trabalhando em “Se Meu Cachorro Pensasse” e neste dia 16 lançará na Cortez “A Divina Comédia Humana” em cordel

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Aldy Carvalho cantou “Desassombro” e “Sina de Cantador”. Autor de “Alforje”, ele voltará à Livraria Cortez para lançar “Cantos d’Algibeira” em 20 de setembro

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O cordelista Eduardo Valbueno cantou “Com Capricho e com Açúcar”, do álbum dele, e “Notícias de uma Terra Civilizada”, de Belchior e Jorge Melo

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Djnaira Feitosa, de Acopiara (CE), apresenta ao público seu cedê “Cordéis Cantados”. Ela participará da Bienal do Livro do Ceará, em Fortaleza, no mês de dezembro, onde lançará três cordéis: Princesa do Sítio Laranjeira, Hermitão e A Vida do Turco

Cacá Lopes, escritor que recitou parte da história infantil Cinderela, recriada em forma de cordel, além de cantar para entreter o público

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A xilogravurista Nereuda Longobardi explicou como são algumas técnicas para a composição das peças que ilustram capas de livros e outros suportes, como a capa do álbum de Socorro Lira “Lua Bonita”. É dela a ilustração que Moreira de Acopiara segura em mãos

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O cantor e compositor Téo Azevedo cantou músicas de sua carreira ao final do evento do sábado, 9

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o escritor Marco Haurélio é curador do Sarau. Ele homenageou Ariano Suassuna recitando uma trova da qual é autor “Sussuana não morreu/ escreva no seu caderno/Jamais morre quem nasceu/ com o dom de ser eterno

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O autor Anísio Clementino, que cantou “Cantiga do Boi Encantado” de Elomar, e interpretou com Moreira de Acopiara um trecho de uma nova peça que está produzindo

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A cordelista e escritora Maria Rocha interpreta com Moreira de Acopiara a história de Chicão e Helena, de sua autoria

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Audálio Dantas exibe bela imagem de um vaqueiro de Serrita (PE), onde é realizada a “Missa do Vaqueiro”, parte integrante do livro “O Céu de Luiz”, que ele lançou e pode ser encontrado na Livraria Cortez, em homenagem ao sanfoneiro Luiz Gonzaga, cujo centenário se completou em 2013

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Adelson Aprígio de Lima lançou pela Editora Cortez “Ôxe! Dicionário de Palavras e Expressões Usadas no Seridó Oriental”, em parceria com Maria Maria Gomes. Adelson é natural de Currais Novos (RN), psicólogo, compositor e violinista, pesquisa as origens históricas da região e dissertou no seu mestrado sobre “A resiliência do(a) cabra da peste: uma contribuição à promoção de saúde no sertão nordestino”. O autor do dicionário afirmou acreditar que o sertão não define uma localização geográfica, e sim uma existência, uma travessia, lembrando Guimarães Rosa.

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

6 pensamentos sobre “Livraria Cortez recebe Socorro Lira e vários artistas em IX Sarau de Cordel

  1. É O MÍNIMO QUE DEVEMOS FAZER PELA NOSSA RICA CULTURA POPULAR. O NOSSO PAÍS TEM MUITA GENTE TALENTOSA. RECEBEMOS E RECEBEREMOS TODOS COM MUITO CARINHO EM NOSSO ACONCHEGANTE ESPAÇO. E PARABÉNS A EQUIPE DO BARULHO D’AGUA PELA BELA COBERTURA DO EVENTO.
    Sábado tem mais um feijãozinho com farinha, rapadura e outras comidinhas gostosas lá do sertão.

    • Caro Sr. Ednilson, nossos parabéns por sua disposição em acolher tantos e tão bons artistas, extensivos ao Sr. José Xavier e à equipe de funcionários da loja. Ficamos muito felizes por ter tido a oportunidade de também conhecê-los e de já ter entre alguns de vocês novos amigos, imbuídos também deste salutar propósito de divulgar e de valorizar manifestações populares dos vários cantos do país que merecem mais atenção e público, missão deste Barulho d’Água. Passaremos a divulgar a programação cultural da Livraria Cortez, vamos procurar aproveitar as rodadas de feijãozinho com farinha e estamos abertos a sugestões. Muito obrigado e sucesso sempre!

  2. barulho, é obicho d)agua.

    • Anísio: ficamos fã do teu trabalho no ato e adoramos o trecho da peça que você e Moreira de Acopiara apresentaram. Faremos o possível para segui-lo e teremos muita honra em divulgar tuas atividades artísticas! Um abraço!

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