Barulho d'Água Música

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Mineiro de Olhos d’Água, Wilson Dias é o aniversariante de hoje

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Mineiro de Olhos d’Água, Wilson Dias compõe canções que retratam tradições do sertão mineiro e algumas de suas peças instrumentais soam belas quanto músicas clássicas (Foto: Marcelino Lima)

O violeiro e compositor Wilson Dias é o aniversariante de hoje, 8 de setembro e nós do Barulho d’água Música, que somos seus admiradores mais do que confessos, desejamos ao querido amigo natural de Olhos d’Água (MG), hoje residente em Belo Horizonte, muita alegria nesta data e sucesso sempre!

Wilson Dias já gravou seis álbuns e é dotado de rara técnica na lida com o instrumento. As composições que no início flertaram com a MPB, incluindo gravações de sambas, hoje transitam entre o tradicional e o moderno e são tocadas e cantadas com sensibilidade e entrega. As músicas, principalmente instrumentais, em vários momentos, soam como peças de composição clássica de rara beleza. Nesta publicação resgatamos dois vídeos para melhor apresenta-lo aos amigos e seguidores do blog. Em ambos há informações e depoimentos sobre a carreira, as dificuldades do começo da vida pessoal em uma cidade do Vale do Jequitinhonha onde faltava na infância água e luz elétrica e era preciso caminhar 16 quilômetros para ir à escola, por exemplo.

As narrações trazem, ainda, o envolvimento de Wilson Dias desde pequeno com a preservação da natureza e a divulgação da cultura do norte mineiro, motivado pelo ambiente familiar no qual a música e elementos da religiosidade, os costumes e o comportamento típicos de um sertanejo que luta com tenacidade pela sobrevivência e sua afirmação no mundo sempre regavam as descobertas e apontavam os caminhos que o menino, mais tarde, viria a seguir.  

O primeiro vídeo, de pouco mais de 25 minutos, produzido pelo SESC para o programa “Passagem de Som”, mostra Wilson Dias em três ocasiões, nas quais em duas está em companhia do amigo e também violeiro Levi Ramiro. Em Campinas ambos haviam acabado de encerrar um show do Projeto Café com Viola, no SESC local, quando começaram uma agradável prosa com Luís Franco, conhecido no meio por “Candeeiro”.

Na sequência, Wilson e Levi aparecem narrando histórias pessoais e pitorescas no apartamento localizado em São Paulo do cardiologista e igualmente violeiro Júlio Santin. Os três revelam curiosidades como a alegria de ver chegar à casa da avó o primeiro lampião a gás (“que iluminava mais do que a lamparina”), os primórdios da música caipira em São Paulo (cuja origem se localiza no triângulo formado por Botucatu, Piracicaba e Sorocaba, cidades nas quais se encontram os primeiros registros fonográficos deste gênero em todo o Estado) e a inspiração para seguir a mesma trilha do pai, esteio e ídolo para o qual um deles afinava a viola utilizada em cantorias durante as quais este filho também tinha a oportunidade de ver a mãe cantar, acompanhando o marido festeiro.

O terceiro momento, ainda do primeiro vídeo, traz imagens do bate-papo e do ensaio de Wilson Dias e dos músicos que o acompanhavam, cujas imagens foram captadas horas antes da apresentação deles no projeto “Instrumental SESC Brasil”, coordenado por Patrícia Palumbo, no palco do Teatro Anchieta, do SESC Consolação (SP). A gravação na integra daquela edição do SESC Instrumental realizada em 12 de agosto de 2013 é o que se poderá curtir assistindo ao segundo vídeo, durante cuja exibição valerá a pena prestar bastante atenção à narração de Patrícia.  “Neste show relembro cada momento que eu vivi na roça, cada música é uma fotografia da minha vida”, informou Wilson Dias ao público presente.

O blog estava na plateia naquela fria noite em que após sofrermos as agruras de andar de trem e de metrô em pleno horário de rush noturno, e entrar no Teatro atrasado, com a apresentação já rolando, tivemos a grata oportunidade de conhecer pessoalmente Wilson Dias, Augusto Cordeiro (violão), Gladson Braga (percussão), André Siqueira (flauta e violão), e Pedro Gomes (baixo). Depois viramos amigos, o que é uma satisfação, pois além de talentoso com a viola caipira nas mãos, Wilson Dias é descontraído e, como todo mineiro, tem aquele jeito brejeiro, acolhedor, doce e simpático, além de ser exímio contador de causos para não fugir à regra.

Como escrevemos acima, algumas das músicas do “Mucuta” tocadas no Teatro Anchieta são verdadeiros concertos, revelam todo o apuro e excelência de Wilson Dias e do seu time que tem a esposa Nilce Gomes sempre atenta e dedicada nos bastidores e no qual a participação do professor da Universidade de Londrina (PR), arranjador e multi-instrumentista André Siqueira, também merece destaque. Siqueira é produtor de vários discos do mineiro, entre os quais “Lume”, lançado em novembro do ano passado, com participações de Déa Trancoso, Ná Ozetti e do poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues, compositor que assina várias belezuras do Wilson Dias e de outros bambas como Pereira da Viola.

http://passagemdesom.sesctv.org.br/artistas/wilson-dias/programa-passagem-de-som-em-15-julho-2013

http://www.instrumentalsescbrasil.org.br/artistas/wilson-dias

 

 

   

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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