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Atração do Metrópolis, Fernando Sodré tira a viola do lugar tradicional em concerto no SESC Consolação

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Fernando Sodré toca com técnica apurada e extrai das cordas toques inusitados para elevar a viola a patamares pouco explorados no país

Fernando Sodré, uma dos mais destacados violeiros do país atualmente, será a atração do programa Metrópolis que a TV Cultura colocará no ar na noite desta quarta-feira, 17 de setembro, logo após a reapresentação do Sr. Brasil. Colecionador de prêmios como instrumentista, Sodré inova na utilização do instrumento obtendo dele tensões harmônicas e melódicas raras ao introduzi-lo em concertos nos quais dialoga com o piano de Írio Júnior, a harmônica de Gabriel Gross, o contrabaixo de Thiago Espírito Santo e a bateria de Esdras Neném. Com este time bem afinado e muito bem entrosado, vem percorrendo as principais salas do país apresentando composições próprias ou de expoentes da música brasileira e internacional como Toninho Horta, Hermeto Paschoal, Tom Jobim, Edu Lobo e Capinam, Garoto e o argentino Astor Piazzola, presentes nos três discos da carreira: “Fernando Sodré”, “Rio de Contrastes” e “Viola de ponta cabeça”.

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O virtuosismo e esmero de Sodré encontram variadas formas de toques em composições que mesclam estilos e sonoridades como jazz e chamamés

Sodré também já dividiu o palco com Hamilton de Holanda, Almir Sater, Roberto Correa e Juarez Moreira, entre outros. Na segunda-feira, 15, convidado pelo SESC Consolação, ele e os músicos da atual formação foram calorosamente aplaudidos pelo público que acompanhava mais uma noite do “Instrumental SESC Brasil”. As palmas irromperam muitas vezes com a execução ainda pelo meio ou longe do final em reconhecimento ao seu espantoso virtuosismo e esmero técnico enquanto apresentava com variadas formas de toques, entre outras, peças que mesclavam estilos e sonoridades como jazz e baião, além de chamamés e calangos — e em determinados momentos, até mesmo new age.

O público ouviu, por exemplo, “Bucaina”, “Calangada”, “Chamaminas”, “Baião Quebrado”, “Sagarana”, “Mar e Mãe”, dele ou em parceria com Rafa Duarte, além de releituras de clássicos como “Ponteio” em que fugindo aos arranjos tradicionais, proporcionou uma ousada, mas agradável viagem para além da própria composição de Edu Lobo e Capinam. Em meio a este espetáculo alquímico, no qual busca elevar a viola a alturas que transcendem a sua utilização habitual no universo caipira, Sodré ainda utilizou a voz como recurso para ajudar a extrair de cada composição uma marca própria; tocou “Party in Olinda” (Toninho Horta) e “Suíte Norte Sul Leste Oeste” (Hermeto Paschoal) como quem procura demonstrar que, apesar de tantas inovações e fusões, excursiona mesmo é pelo vasto e inesgotável campo de possibilidades que a musica brasileira oferece, passeando pelos sertões roseanos tanto quanto pelas paisagens nordestinas.

Sodré disse no bate-papo do SESC que não teve maiores influências familiares para se tornar músico. O pai tinha um violão, mas o que realmente o despertou foi a maestria do violeiro Renato Andrade, que admirava quando garoto e sonhava, um dia, seguir. A primeira experiência com viola veio tocando chorinho. Mais maduro, estudou as várias vertentes e inserções nas quais o instrumento pode caber, inclusive, a cultura caipira, revelando-se um admirador, por exemplo, de Almir Sater e de Tião Carreiro.

“Eu gosto mesmo é de ouvir música brasileira, e em especial, a de Minas Gerais, e é nelas que eu me apego”, contou. “Escuto muito Milton Nascimento, Tom Jobim, Toninho Horta, Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal, por exemplo”. Fernando Sodré recorre na maioria das vezes a afinações próprias e toca com viola menos abaulada na cintura (“para obter maiores graves”), braços mais finos (“para dar mais conforto”; algumas execuções exigem dele movimentos em que o corpo todo se exercita e os pés chegam a sair do chão!) e “pares de cordas mais abertas”. E também comentou que apesar de ter adotado uma trilha própria ainda toca em festivais nos quais predominam a tradição das composições de raiz, e, assim vai seguindo a estrada mesmo que possam franzir a testa para o estilo que ele abraçou. “Às vezes encontramos reações adversas dos mais puristas, mas seguimos em frente com nossa proposta. Acredito que a viola é como todo instrumento: está ai para ser tocada do jeito que você mais gosta, de acordo com o sentimento de cada um”.

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Da esq. para a dir.: Írio Júnior (piano), Thiago Espírito Santo (contrabaixo), Esdras Neném (bateria), Gabriel Grossi (harmônica) e Fernando Sodré: viagem musical a partir de obras que incluem “Ponteio” e composições próprias (Fotos de Marcelino Lima)

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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