Olhos d’água estreia no teatro de SESC Campinas com uma mensagem clara e inadiável de Cláudio Lacerda

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O cantor e compositor Cláudio Lacerda viajava de barco em 2008, com o amigo e também compositor Paulo Simões (MS), por toda a extensão da hidrovia Tietê-Paraná, quando sentiu despertar a vontade de conceber um projeto por meio do qual pudesse manifestar sua inquietação não apenas de artista sensível e atento, mas também de cidadão com hábitos, formação e aguda consciência preservacionistas, o qual alertasse as pessoas para a necessidade urgente de voltarmos a ter um olhar mais atento para nossos mananciais.

No ato daquela viagem fluvial, ele e Simões (um dos mais ilustres representantes da cultura do homem pantaneiro), compuseram a canção Mar Caipira. Lacerda já vinha sentindo-se tocado desde dois anos antes, quando depois de assistir o documentário Uma verdade inconveniente, de Al Gore, passou a estudar matrizes energéticas, acompanhar políticas públicas e ações individuais que tratam do uso racional dos recursos naturais. Sabedor de que a fonte de praticamente todas as formas de vida é ou está na água, e que os rios mais do que forte e recorrente elemento cultural país afora são milenares meios de subsistência, aquela composição o motivou a debruçar-se sobre a ideia e o lançou ao estudo e a pesquisa para formatar o projeto.

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Hoje, em um momento que a crise hídrica ganha as pautas das principais discussões ambientais no Estado e no país diante da cada vez mais presente e certa imposição de racionamento de água em grandes centros, o embrião, já maturado, ganhou a forma de um espetáculo musical não apenas de bom senso, mas de raro senso de ocasião favorável. Batizado de Olhos d’água, com 90 minutos de duração, o espetáculo teve sua primeira apresentação ao público no domingo, 26, no teatro do SESC Campinas, quando Lacerda transmitiu por meio de um repertório que inclui Mar Caipira a mensagem clara: somente mudando nossas maneiras de consumo e de relacionamento em torno deste cada vez mais escasso tesouro garantiremos o bem estar não apenas das gerações futuras, mas o nosso, evitando que milhares de pessoas enfrentem demorados períodos de seca, entre outros transtornos.

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Lacerda estava acompanhado no teatro do SESC Campinas dos companheiros de estrada Sérgio Turcão (baixolão, charango e voz), Thadeu Romano (acordeom e violão) e André Rass (percussão). Por meio de arranjos personalizados, eles executaram canções pertinentes ao tema assinadas por nomes reconhecidos como Luiz Gonzaga, Renato Teixeira, Sá & Guarabya, e por autores também atentos aos nossos recursos naturais como os próprios Simões e Lacerda, Almir Sater, Fernando Guimarães, Luiz Salgado e Rodrigo Delage.

A proposta é que cada um dos espectadores sinta-se e assuma o protagonismo de ser “um olho d’água” aberto e atento contra hábitos que ponham ainda mais em risco a vida dos recursos hídricos, agindo pessoalmente em casa e no âmbito da vizinhança ou/e também propondo macroações coletivas patrocinadas por entidades para que sejam levadas reivindicações aos poderes constituídos e adotadas políticas públicas de ações efetivas. Uma dica de Cláudio Lacerda é que seja seguido o exemplo do Comitê da Bacia Hidrográficas do PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que abastecem justamente a região de Campinas), cujos membros já há 25 anos realizam uma semana inteira, anualmente, de eventos e de atividades dedicada ao tema água e que mobiliza boa parcela das populações e autoridades das cidades circunvizinhas.     

 

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