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Tatá Aeroplano lança “Na Loucura & Na Lucidez”, segundo álbum solo

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Por Osni Dias/Fotos Maira Acayaba, Revista Kalango

Dezembro de 2013. Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque. O mesmo time que gravou e produziu o primeiro disco de Tatá Aeroplano se reuniu novamente no Estúdio Minduca para gravar, produzir e criar o álbum  Na Loucura & Na Lucidez, segundo trabalho do artista, foi feito sob forte inspiração coletiva. Todos entrosados, tocando juntos. Boa parte das canções que estão no disco foi gravada ao vivo, tudo valendo. A canção Na Loucura, que abre o disco, é o primeiro take de voz, violão, bateria, baixo e guitarra feito na gravação. Se a vida é sonho, a noite é delírio. E é na noite, entre discotecagens, amores, shows, biritagens e encontros filosóficos boêmios que Tatá Aeroplano busca inspiração para suas letras e melodias. Está tudo ali em Mulher Abismo e Entregue A Dionísio, esta em parceria com Meno Del Picchia, que dividiu apartamento com Tatá por um período. Certa manhã, Meno deixou uma poesia em cima da mesa, depois que os dois passaram três dias frequentando o festival As Satirianas, na Praça Roosevelt (SP). Tatá pegou o violão e escreveu, inspirado no poema, a letra e a melodia da canção.

Na Loucura & Na Lucidez é o fim e o começo do amor … a dor do fim de um relacionamento… quando se percebe que não existe mais nada a fazer a não ser se jogar no abismo da loucura para curar as chagas do amor… voltar à lucidez e recomeçar tudo de novo.

TATA AEROPLANO by MAIRA ACAYABA 3

 

Com a palavra, Tatá Aeroplano:

“ As canções desses discos foram feitas de maneira muito intuitiva. Quando eu comecei a reunir material pra entrar em estúdio, me deparei com uma canção que me tocou profundamente, era do início de 2013, mas não lembrava de quem era a letra, tinha certeza que não era minha. Passei uma semana tentando encontrar o autor, pensei que era de um amigo próximo, mas não era. Fiz pesquisas de todos os tipos pela net e não achei nada, mandei a música para os amigos parceiros e nada também. Foi então que eu cheguei numa mensagem recebida na minha fanpage de um rapaz chamado Alan Brasileiro. Ele tinha me enviado a letra dia 5 de janeiro de 2013. Lá pelo dia 10 de janeiro quando voltei de viagem, vi a letra em frente ao computador, estava com o violão no colo, pintou inspiração e gravei ela. Foi um presente e tanto para mim. Não podia deixar também de firmar mais uma parceria com o poeta arrudA. Tive o privilégio de colocar a melodia na poesia Onde Somos Um e chamei minha amiga e compositora Bárbara Eugênia para cantar comigo.

Na Loucura & Na Lucidez foi produzido por Dustan Gallas e Junior Boca. Gravamos com o Bruno Buarque no Minduca e o Dj Marco tocou com a gente em duas faixas: Mulher Abismo e Entregue A Dionísio. Eles são parceiros de boa parte das canções do álbum”.

O disco será lançado nos formatos digital e vinil, com distribuição digital pela One RPM. O trabalho está disponível para download gratuito no site www.tataaeroplano.com

TATA AEROPLANO by MAIRA ACAYABA 1

No final de 2013, após as turbulências e o aumento de temperatura nas ruas, Tatá conversou com o repórter, durante um encontro na universidade, em uma noite em que esteve para apresentação de palestra. O excerto da conversa, você lê abaixo:

“Quando fiz faculdade, eu gostava muito do Jefferson Airplane (Jefferson Airplane foi uma banda estadunidense de rock psicodélico formada em São Francisco, nos Estados Unidos, no verão de 1965) e uma amiga começou a me chamar de Aiplane (eu tinha um visual meio sixty).

A música entrou em minha vida desde criança. Minhas memórias são todas pautadas pela música. Tenho uma história muito louca. Com uns 3 anos de idade me lembro de sair de Atibaia pra Bragança Paulista com meu pai, minha mãe e um tio – e tocou 3 músicas que eu nunca vou me esquecer. Meu pai comprou um single do Raul Seixas (Lado a lado B) e tocou essa música (Há 10 mil anos atrás). Eu compus a primeira música aos seis anos, eu fiz a melodia na cabeça – veio a letra eu tava lá no calçadão, no Guarujá.

Essa coisa com música é intuitiva, desde pequeno. Nunca fui de pegar um instrumento, isso de fato aconteceu aos 18 anos, quando aprendi a tocar violão. E eu guardava… Escrevia a letra, a melodia eu guardava na cabeça.

Em São Paulo, desde que eu comecei (em 1997), definitivamente vi que iria viver de música. Hoje eu conheço muita gente. Existe uma coisa em SP, uma integração entre as pessoas que estão fazendo música que é uma coisa que remete muito ao interior. Tem gente de todos os lugares do Brasil. Sou amigo do Flanders, do Vanguart – eles são de Cuiabá. Agora tem uma galera de Uberlândia, Porcas Borboletas. O Stanilau e o Moisés estão vivendo em SP. A Bárbara Eugênia, grande amiga, morou em Atibaia um tempo e no Rio, agora está em SP. A Tulipa mesmo, conheci há mais de 10 anos, é de São Lourenço e foi morar em São Paulo. O convívio com essa galera toda ajuda mesmo, é um momento muito bacana, de muita gente fazendo música. Isso tá rolando no mundo inteiro e é muito benéfico pra todos.

Tom Zé. Vou te contar… sou muito fã do Tom Zé, um dos caras muito importantes em minha vida. Foi um presente… Quando eu conheci a obra do Tom Zé foi daquelas bombas de informação que a gente recebe. Eu comecei a ir aos shows, lá por 98 (fico até emocionado). Sempre fui muito fã e só pinta essa história de fazer uma música xingando o Tom Zé. Quando a gente se encontrou (ele, eu, o Galo e o Marcelo Segretto) ele disse: “quero que vocês façam uma música, entrem lá no Facebook e me xinguem mesmo”. Aí eu disse: pô Tom Zé, é impossível!

Mas o mais fantástico de tudo isso é que foi uma aula pra todo mundo. A liberdade que ele deu pra gente chegar lá, com os arranjos – com um cara que é uma referência e trocar, conversar – é um presente mesmo. A gente tem vontade de trocar ideia com ele, sempre. O bacana é essa coisa assim, a gente tem que ser muito centrado e não pode parar, é uma dádiva continuar conectado, abrindo os canais. Dá pra chegar e envelhecer bonitamente fazendo música, o que é uma coisa maravilhosa…

Tudo parado na city. Essa música tem uma história meio doida. Eu compus em 2005. Sempre ando com um gravadorzinho de fita k7. Cheguei em casa, compus (na época com a banda Jumbo Eletro) e pegava o som que eu compunha e fazia tipo um sampler no palco… O show acontece. Voltei pra casa, no dia seguinte, fui pegar o gravador pra gravar a música e cadê a fita k7? Ela tinha desaparecido, eu só lembrava do “parado na city”, eu não me lembrava mais da letra. Um dia caiu uma chuva e saí pra ir pra casa, a pé, subindo a Teodoro Sampaio. Lembrei da música! Repesquei a música do insconsciente e fui cantando ela, peguei o violão e peguei de novo…

Engraçado, essa coisa de sentir a cidade. Eu vivo intensamente, ando muito a pé, faço tudo, ando quilômetros e comecei a sentir a cidade com os nervos à flor da pele. A energia da cidade mudou, a frequência das pessoas mudou também. Sempre andei muito tranquilo na cidade e, de um tempo pra cá, comecei a sentir uma energia diferente, alguma coisa cósmica aconteceu, isso não só em São Paulo, é no mundo inteiro. Chegamos num ponto em que precisamos pensar na humanidade, respeitar a natureza, esse é o primeiro ponto. Minha cabeça, hoje, é pra viver e entender o mundo. Não sei explicar muito bem, mas o caminho é respeitar a natureza”.

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Leia a Kalango #20 aqui: http://issuu.com/osnidias/docs/kalango_20

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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