Barulho d'Água Música

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A grandiosidade do Ibirapuera terá um show à altura com Consuelo de Paula. Mas deverá ficar pequeno para o público!

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A cantora e compositora  Consuelo de Paula , mineira de Pratápolis, fará show de lançamento de seu sexto álbum, O Tempo E O Branco,  em  1º de fevereiro, a partir das 19 horas, no Auditório Ibirapuera, no bairro Ibirapuera, situado na zona Sul de São Paulo.

Inspirado no universo poético de Cecília Meireles, O Tempo e o Branco traz uma sonoridade ímpar, marcada pelo acordeom e pela viola caipira, instrumentos que estarão presentes também no espetáculo. A voz precisa de Consuelo transporta o ouvinte, sem escalas, para as riquezas de um Brasil surpreendente. O repertório do show retrata bem essa profundidade poética de sua música e de seu canto. Ela interpreta Sincera, Asa Ritmada (parceria de Consuelo com Rubens Nogueira, inspirada no famoso poema Motivo, de Cecília Meireles) e outras parcerias com o violonista, como Revoada, À Flor do Arco-íris, Cecílias e Dálias e Outro lugar.  

Neste show  também não poderiam ficar de fora canções que marcaram a carreira da artista, registradas nos discos anteriores. Do Dança das Rosas Consuelo cantará Curativo; de Tambor & Flor um arranjo inédito para Rainha, na qual mescla temas populares mineiros à sua letra; e do disco Negra ela interpreta Piedra y Camino, de Atahualpa Yupanqui. Composições de outros autores também são garantia de surpresas no espetáculo. 

Além de uma homenagem ao parceiro e amigo Rubens Nogueira, falecido em 2012, Consuelo vai mostrar alguns versos cecilianos que a inspiraram. “Isso deixará o diálogo com a Cecília Meireles mais claro, mais presente. O roteiro tem também um pequeno poema do meu livro A Poesia dos Descuidos, comenta a compositora. 

Rubens Nogueira

O Barulho d’água Música é recente, seus idealizadores não escondem o quanto admiram Consuelo de Paula — à qual, em humilde gesto, agradecem pela amizade correspondida.

Nós, no entanto, sentimos um certo vazio por, entre outras lindas e divinas criaturas, não termos conhecido Dércio Marques, no sentido físico do termo, já que muitos dos seus seguidores, como Katya Teixeira, Déa Trancoso, João Arruda, Wilson Dias, Anabel Andrés e Daniela Lasalvia, entre outros, são capazes de nos transmitir com sensibilidade e forte chama espiritual como exatamente Dércio foi e agia.

O mesmo pesar passamos a sentir, agora, que, próximos de Consuelo de Paula, somos apresentados a e “conhecemos” Rubens Nogueira, o Rubão. Mas esta é a mágica capaz de se realizar quando semeamos em prol da arte, da amizade, do amor à vida, tudo com A em caixa alta: deixamos de existir enquanto carne, mas nosso espírito segue por aqui e por ai, fazendo das suas. E felizmente, como escreveu a cronista gaúcha Martha Medeiros,  só deixamos de existir quando morre o último vivente que ainda se lembra de nós.

Então, vamos lá. Não poderíamos falar, ou escrever, com respeito, admiração e propriedade devidos com quem não convivemos. Mas Rubão fez grandes amigos e entre eles,  Guy Corrêa. O excelente jornalista, escritor e compositor escreveu o artigo que se segue e, pelo qual, pedindo licença ao colega, apresentamos devidamente Rubão ao blog, aos nossos seguidores e amigos!

Um ano sem Rubens Nogueira

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Rubens adorava prosear com os amigos na Real, uma tradicional lanchonete e pizzaria no alto do Sumaré, em São Paulo. O compositor e violonista tinha muitos amigos. Entre eles, China e Victor Labate, também freqüentadores do lugar.

Entre um pedaço de pizza, chope ou café Rubens ficava entusiasmado quando encontrava um conhecido. “Ele saudava a gente”, comentou, há alguns meses, o músico Roberto Simões.

Sem nenhuma guarida financeira, Rubens vivia só. Ele se preocupava com a mãe e com os dois filhos. Um deles era muito doente. Rubão, como era conhecido entre os amigos, fez músicas com diversos compositores. Entre os mais conhecidos estão Consuelo de Paula (em 2012 ela lançou Casa, um disco com parcerias com Rubens) e Paulo Cesar Pinheiro. Há um álbum que registra este encontro (Quando eu canto o meu samba).

Rubão foi aluno de Ulisses Rocha. Craque na melodia, sua voz era linda, cantando e falando. Rubens gravou discos, tocou em vários lugares, dava aulas de violão, compunha, lia e torcia pelo Santos.

No acervo de sua pequena biblioteca, algumas surpresas se levarmos em consideração seus interesses à primeira vista: songbooks de Cazuza, uma biografia de Tim Maia (autografada pelo seu autor, o jornalista Nelson Motta), livros sobre semiótica e punk.

Uma vez, ele se sentiu incomodado por ter sido chamado de sambista. Achou que o rótulo era reducionista. Rubens era compositor e ponto. Um criador e músico respeitado. Sete trovas (Rubens Nogueira, Consuelo de Paula e Etel Frota) foi gravada por Maria Bethânia.

Ele adorava a Consuelo de Paula. Entre eles reinava amizade, amor e admiração. Rubão alterava sua expressão quando falava dela. Rubens também era fã da Adriana Calcanhoto.

E sobre o rock? Rubens gostava do Paul McCartney. “O maior melodista do mundo”, segundo ele. Achava muito barulhento os discos dos Rolling Stones. Mas curtiu Stripped.

Em janeiro, Rubão costumava sumir do mapa. Seu endereço durante uma semana era uma pousada em Ilha Comprida. Lá ele descansava de verdade. Dizia que ficava boiando no mar. Na verdade, aquele baita“homão” de cinqüenta e poucos anos ia até lá só para ficar à deriva.

No dia 4 de janeiro, data de seu aniversário, Rubens passou mal tomando banho. Mas conseguiu se trocar e chamar um taxi. Em poucos minutos, estava no Instituto do Coração. Lá, ele sofreu sucessivas paradas cardíacas. Mas Rubão resistiu.

Em fevereiro, já bem mais magro, começou a receber visitas. Ele ficou surpreso com a quantidade de gente que diariamente ia visitá-lo. O pior já teria passado. Dali para frente era questão de administrar a paciência de lidar com o ambiente hospitalar. A alta viria em pouco tempo. No hospital, ele não parava de pensar em música. Falou que tinha se lembrado do Taiguara. Estava agitado e introspectivo.

Na manhã da quarta-feira de cinzas de 2012, o homem mais doce do mundo se levantou da cama, mas seu coração foi traiçoeiro.

Rubens acreditava em anjos.

 http://www.jornalmovimento.com.br/guy-correa/595-um-ano-sem-rubens-nogueira

O Tempo E O Branco vem sendo elogiado pela crítica brasileira e imprensa internacional, entre os quais veículos dos Estados Unidos e do Japão:

 “Atemporal e contemporâneo: as levadas diversificadas arrebatam, num CD musicalmente rico. Consuelo canta parecendo estar certa de que está alçando seu trabalho ao rol dos discos que tatuaram seu tempo.” (Aquiles Reis, Diário do Comércio, Correio da Bahia e Brazilian Voice)

 “Diálogo de poetas.” (Kiko Ferreira, Estado de Minas) 

“Uma lindeza sem tamanho.” (Julinho Bittencourt, A Tribuna)

 “Consuelo nos revela um mundo desconhecido entre o belo e o perfeito, entre o amor e o tempo.” (Dery Nascimento, Folha Metropolitana e Metrô News)

 “Consuelo constrói um belo relicário de canções.” (Beto Feitosa, Ziriguidum)

 Serviço:

Show: Consuelo de Paula – lançamento do CD O Tempo E O Branco

Músicos: Consuelo de Paula (voz, violão e caixa do divino), Guilherme Ribeiro (acordeom) e João Paulo Amaral (viola e violão).

Dia 1º de fevereiro – domingo – às 19 horas

Local: Auditório do Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 2, Parque Ibirapuera/SP

Telefone: (11) 3629-1075

Ingressos: R$ 20,00 (meia: R$10,00) – Duração: 75 min. – Classificação etária: Livre

Ingressos na bilheteria do Auditório ou pelo www.ingressorapido.com.br (4003-1212).

Bilheteria (ingressos a partir do dia 23 de janeiro): quin. (11h às 20h), sex. e sab. (11h às 22h) e dom. (11h às 20h).

Ar condicionado. Acesso universal. Estacionamento com Zona Azul. Entrada de carros

Je suis Nigérian

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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