Violões do Pará celebra encontro de Salomão Habib e Sebastião Tapajós com Nêgo Nelson e revelações da música do estado

habib

Do Pará, enviados pelo cantor e compositor amigo deste Barulho d’água Música Jorge Andrade, tem chegado para o acervo do blog ótimos álbuns, de diversos estilos, proporcionando-nos conhecer a variedade de estilos e o talento dos músicos do Norte do país. Além do Bélem Cheio de Bossa 2, entre outros títulos, já enriquece nossa coleção um belo trabalho gravado em dois discos intitulado Violões do Pará, produzido pelo Sesc daquele estado para o selo Violões da Amazônia e que surgiu dos ideais de Carlos Marx Tonini, homem da cultura paraense que sempre se esmerou pela divulgação e valorização da arte de seu povo

O primeiro volume do álbum duplo Violões do Pará reúne dois expoentes do instrumento, reconhecidos em âmbito nacional, que são Salomão Habib e Sebastião Tapajós. Já o volume dois conta com as participações de  Nêgo Nelson, Diego Santos, Cizinho, Gileno Foinquinos e Paulo Moura, que conferem ao repertório diferentes ritmos e estilos e influências alinhavadas por irretocável qualidade musical.

Com um encarte de luxo, destacando informações detalhadas em oito páginas em papel couchê sobre os compositores, suas músicas e a elaboração de peças, este trabalho pode ser considerado historicamente especial. Habib e Tapajós tocam ora individualmente, ora em duo, faixas instrumentais e originais que variam entre choro, valsa, samba, prelúdio, carimbó, lundú, baião, tango brasileiro e muitos outros. A unidade estilística e diversificada do repertório  mostra o particular amazônico sendo universalizado na linguagem instrumental com sotaques brejeiros. 

Salomão Habib declarou  em depoimento ser uma honra e uma oportunidade de ouro gravar ao lado de uma das referências do violão brasileiro. Tapajós, não é para menos, já gravou quase 70 discos por todo o mundo e neste álbum  volta à terra natal executando composições magistrais ao lado de novas gerações do violão.

Esta nova safra vem representada, entre outros, por Diego Santos, um jovem violonista e compositor; Paulo Moura, experiente violonista de sete cordas com diversos prêmios no curriculum; Gileno Foinquinos, guitarrista por excelência, mas antes disso um violonista nato e autêntico; Nêgo Nelson, craque na arte do improviso e do jazz, chorão que traz no violão a particularidade do povo latino, sobretudo o amazônico; Cizinho, professor e compositor, diretor de grupo de chorinho, um experiente compositor e violonista popular. 

Violão no Pará e Nêgo Nelson

A história do violão no Estado do Pará remonta ao século XIX. Já pelos idos de 1851, havia relatos de negros que na Ilha do Marajó tocavam guitarras (violões), segundo aponta em seu livro O Negro no Pará, o antropólogo Vicente Salles.

A relação deste instrumento com o Pará sempre foi muito próxima, porém a história desconhece seus momentos de glória e de extrema produção musical que deixou legados e formou gerações, influenciando de forma crucial o desenvolvimento da musicalidade amazônica, sobretudo a urbana.

Atualmente, Habib e Tapajós são os solistas que mais frequentam as salas de concerto levando a música amazônica solo para violão ao grande público. Além deles, nomes importantes figuram entre compositores do gênero tais como Nelson Batista Ferreira, o Nêgo Nelson,  professor de violão na Fundação Curro Velho e no Instituto Carlos Gomes.

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O paraense Nego Nelson é compositor e interprete de choro, samba, música erudita e até funk, mas preserva em suas obras as características do violão amazônico (Foto: Divulgação)

Jorge Andrade já enviara ao Barulho d’Água Música exemplares dos discos Nêgo Nelson em Cantos; Choro Nosso de Cada Dia; e Paulo Levi interpreta Nêgo Nelson, do saxofonista. Paulo Levi,  paraense radicado em Nova York, que apresenta 11 faixas. Nestes três álbuns, notam-se claramente as bem calibradas, inspiradas e ecléticas veias de chorão, sambista e compositor popular de Nêgo Nelson, que iniciando estudos com Tó Teixeira, e logo depois com Everaldo Uchôa Pinheiro, assina centenas de composições eruditas, valsas, choros, carimbós, boleros, blues, bossas, musica latina e até funk.

Dentre as músicas mais conhecidas de Nêgo Nelson destaca-se Belém, uma parceria com Sebastião Tapajós que saiu em Violões e Amigos,  de Tapajós; Barcarena, que durante alguns anos foi tema de abertura da Radio Cultura do Pará; Pouso do Pombo e Mimo, incluídas pelo Grupo Gema no especial Som no Tucupi, apresentado pela TV Educativa, em circuito nacional, em 1987, e Sapato do Velhinho, incluída no repertório do violonista mineiro Marcus Vinícius.

Desde o começo da carreira, na década dos anos 1970, Nêgo Nelson tocou em teatros, praças, clubes de Belém, Santarém, Macapá (AP), São Paulo e na França, entre outras localidades. Em shows já dividiu o palco com Carmem Costa, Erasmo Carlos, Martinho da Vila, Sérgio Ricardo, Noite Ilustrada, Billy Blanco, Maurício Tapajós, Leila Pinheiro, João Donato, Nazaré Pereira, Salomão Habib, Paulinho Moura, Johnny Alf e a francesa Zizi Burnier.

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