Cantor, compositor, poeta, contista: Jorge Andrade, de Belém (PA), é o aniversariante de hoje

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Hoje, 6 de fevereiro, o Barulho d’água Música envia pelas asas da poesia um abraço carregado de afeto, de amizade e de agradecimento até Belém, capital do Pará, destinado ao professor, contista, poeta, cantor e compositor Jorge Andrade.

Há pouco tempo, mas já querido como um companheiro de longa data, e quiçá para sempre, Jorge Andrade tornou-se mais do que um assíduo colaborador deste blog. Atento e generoso, ele vem nos enviando álbuns musicais e outros trabalhos de artistas paraenses e de estados vizinhos da região Norte do país, incluindo as próprias obras, revelando quão é rica e diversificada a cultura e a tradição da região amazônica.  

De autoria do próprio Jorge Andrade já recebemos dele, por exemplo, Entre outras coisas História contada em círculos. O primeiro conta com marcantes participações de Leila Chavantes, Andréa Pinheiro, Karina Ninni, Mel Ribeiro, Bárbara Lameira, Patrícia Bastos, Juliana Sinimbú e Lívia Rodrigues, time de vozes feminina de primeiríssimo timbre que interpreta letras dele, com músicas do parceiro Floriano primorosamente arranjadas, ora acompanhadas por um envolvente saxofone, noutro por um embalador piano, entre outros instrumentos: trata-se de um repertório que soa feito água corrente e pura entre pedras, um riacho conduzindo trovas, sentimentos, desejos.

Histórias contadas em círculos apresenta poesias assinadas por Jorge Andrade, narradas por ele e também musicadas por Floriano. Já escrevemos aqui que ambos os discos vêm a calhar a qualquer hora do dia, mas caem melhor ainda quando andando descalço por toda a casa, por horas de bobeira lendo cartas na varanda, ou molhando plantas no quintal; fazendo cooper à beira-mar ou mantendo a saúde caminhando entre alamedas, sem a pressão de nenhum tipo de urgência, com o quarto ainda desarrumado — ou caso queiram: ainda intacto, curtindo o vento ciciando as dobras dos lençóis e eriçando os pelos; deve-se tê-los sempre a mão; recomendamos como trilha sonora ou áudio-livro para um final de dia daqueles de correria, de broncas, de reuniões improdutivas e de sufocos durante os quais só é possível relaxar depois no colo de alguém, entre um restaurador gole, outro beijo, ou um bolero agarradinho.

Jorge Andrade também destaca-se em festivais. Em novembro, ele faturou o II Festival de Música Popular da Universidade do Estado do Pará (Uepa) com Trampolim, interpretada por Floriano. Há  17 anos, quando houve o I Festival da Universidade, Andrade ficara em segundo lugar. “Apesar de ter participado de outros festivais, é sempre uma alegria muito grande e uma emoção única participar da Uepa, que está de parabéns porque tem um curso de música e é importante resgatar esse festival”, disse. Ainda de acordo com suas palavras, a letra de Trampolim  é uma aclamação à vida. “A nossa vida é um pulo, é um salto, é um risco. A música tem umas imagens geniais sobre afã e desejo e a nossa vida ensina sobre essas coisas, de luta e de sacrifício”.

Sucesso sempre, Jorge Andrade, e como disse João Bá, viva a vida: ela é genial!

Trampolim

Música: Floriano
Letra: Jorge Andrade

Eu já vou viver
sonhar, saltar
à luz do sol me equilibrar

eis a máscara que estou
meu afã
por trás das quedas amargas
de um trampolim

vocês assim como eu
na pressa insistem saber
viver a vida por ser tão passageira

e a vida é deixar-se viver
é um ludo é um risco na chã
é saborear até o avesso

e a vida é deixar-se viver
que a vida sabe agradecer
e às vezes também
da gente ser feliz

we sind www

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