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De volta a Osasco (SP), Zé Geraldo canta sucessos dos trinta anos de estrada, de graça no Sesc

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Zé Geraldo 101

Mineiro da cidade de Rodeiro, Zé Geraldo está no estrelato de primeira grandeza da música brasileira. Há mais de trinta anos na estrada, ele deixou de ser ZeGê, mas recusou rótulos e a pegada de mais um Johnny qualquer para seguir fiel ao seu modo de cantar não só as origens do mato, mas também rock ao estilo rural (Foto: Alessandra Fratus)

Povos e meigas senhoritas:

Ele caiu na estrada muito cedo, em suas andanças desde que saiu lá do pé da Serra da Onça, na zona da Mata das Minas Gerais,  já passou por Osasco e muitos rincões. E estará de volta à cidade situada na região Oeste da Grande São Paulo para mais uma apresentação, desta vez no Sesc, a partir das 20 horas do sábado, dia 21 de fevereiro. Com as cacetadas deste anos todos após sair de casa quando principiava o inverno, levando na mão direita a viola, o peito vazio de tudo e a mala cheia de amor materno, Zé Geraldo pode ter ficado mais velho que o velho pai dele, mas segue cantando com a mesma filosofia e razão de ser de quem nasce Zé, mas não se rende à tentação de ser Johnny que fizeram dele um dos cidadãos mais cultuados da música popular brasileira e do rock rural.

Pois é: a reciclagem do Zé Geraldo é promovida de palco em palco, na poeira dos caminhos, com um pé no rock, outro no mato. Em sua nova passagem por Osasco, com a banda que o acompanha ele cantará os maiores sucessos e os mais recentes da carreira em um grande show cujo título reverencia um dos mais belos e contundentes hinos ao migrante, Cidadão Trinta e poucos anos: tá vendo aquele edifício, moço?

 O Sesc divulga no próprio portal que haverá cobrança de ingresso, a partir de seis paus, para curtir a cantoria. Mas Severinos e Marias Bonitas podem ir desencanados: não haverá necessidade de pagar a entrada, não! Por um erro de impressão, na revista com a programação de fevereiro da entidade, conta que a apresentação seria gratuita. O Sesc resolveu bancar o erro e quem quiser poderá entrar no vasco — entretanto é bom ficar esperto porque o convite já começou a ser distribuído e se vocês ficarem na praça dando milho aos pombos…  

Nascido em Rodeiro, criado em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, o cantor e compositor com 18 anos baixou em Sampa para estudar e trabalhar. Alimentava o sonho de virar boleiro, em um tempo em que futebol ainda era apenas tradição por aqui. Mas por conta de um acidente automobilístico, com pouco mais de 20 anos, nosso craque teve de aprender a tabelar com as cordas da viola e do violão e suas melhores jogadas bem sendo convertidas em versos e canções tão bem finalizados como um chute que balança a roseira lá onde a coruja dorme. 

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Estudo reforça o desmatamento da Amazônia com a seca do país e aponta como solução: zerar o desmatamento e replantar florestas. A Tropical Amazônica tem um papel fundamental para a regulação do clima no mundo. Precisamos de desmatamento zero, assine: http://bit.ly/PXghFB Leia mais: http://bit.ly/1ohjTBU (Foto: Greenpeace)

Por cerca de oito anos, ainda conhecido por ZeGê,  a vida do artista nos explosivos anos 1970 dividia-se entre os estudos, o trabalho e bailes da periferia paulistana nos finais de semana, onde tocava. Saíram nesta fase três compactos e um disco de vinil pela gravadora Rozemblitt, mas romantismo não era a dele.

O artista Zé Geraldo, então, entrou em campo e entre 1975 e 1978 passou a participar de e faturar festivais. Até que em 1979 gravou Terceiro Mundo (CBS); ainda pela CBS na sequência veio Estradas e Zé Geraldo. Canções como Cidadão, Como diria Dylan e Senhorita, indispensáveis no repertório de seus shows, fazem parte desta primeira safra de gravações, assim como Rio Doce, com a qual Zé Geraldo participou do Festival MPB-Shell de 1980, e Milho aos Pombos, que o tornou conhecido em todo o Brasil no mesmo festival promovido pela Rede Globo, em 1981.

A emissora do Jardim Botânico (RJ), por sinal, utilizou como temas de novelas  Semente de Tudo (Livre para Voar) e São Sebastião do Rodeiro (Paraíso). Em mais de trinta anos, Zé Geraldo alcançou dezesseis discos, sem contar coletâneas e compactos. Com o Duofel, por exemplo, assinou Acústico (1996), com o amigo Renato Teixeira O Novo Amanhece (2000). Já Tô Zerado, o décimo-quarto trabalho, foi relançado em 2004, pelo selo Sol do Meio Dia.

O primeiro DVD, Um Pé no Mato – Um Pé no Rock, é de 2006, gravado ao vivo em 2005, no Teatro do Sesc Pompéia (SP), também em CD. Em 2007, ao receber o título de cidadão de Governador Valadares, veio no pacote outra deferência da Câmara Municipal: Rio Doce tornou-se o hino da cidade.

Zé Geraldo já esteve nos Estados Unidos e no Canadá, onde brasileiros e latinos o receberam cantando em uníssono como faz por aqui o público fiel que lota teatros, feiras, exposições e ginásios. O cantor e compositor Guarabyra costuma repetir: “a sua voz ecoa nos rodeios e nas universidades fazendo sonhar, fazendo sorrir e dançar. Sem preconceito… é o inacreditável mundo de Zé Geraldo. Um brasileiro e tanto”.

O Sesc de Osasco fica na avenida Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, jardim das Flores,  há 2.400 m da estação CPTM Comandante Sampaio. Oferece estacionamento gratuito e comedoria.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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