Daniela Lasalvia, cantora paulistana e autora do álbum duplo Madregaia, faz aniversário hoje

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Hoje, 24, é a aniversário de Daniela Lasalvia, a Dani Lasalvia, cantora que gravou um dos álbuns mais belos de música brasileira de todos os tempos, seja pela diversidade musical com ritmos que vão do fado ao blues, pela bela voz desta paulistana que estudou canto lírico (com direito a aperfeiçoamento no Conservatório Tchaikovsky, de Moscou) antes de se dedicar ao canto popular, mais percussão vocal e corporal com Stênio Mendes, ou quanto pela direção artística e ponteio de violões do mestre Dércio Marques. Madregaia é o nome do álbum duplo, cujo encarte é outra atração que faz dele um trabalho indispensável para quem curte música de qualidade.

Lançado em 2007 na Casa dos Cordéis, em Guarulhos (SP), depois de Dani Lasalvia participar de três edições consecutivas do projeto Prata da Casa, do Sesc Pompeia (SP), e apresentado em turnê que percorreu várias capitais,  Madregaia reúne 26 faixas de criações próprias e de outros autores como Jean Garfunkel, Nô Stopa, Luís Perequê, Juraildes Cruz, Chico César, Renato Teixeira, Edvaldo Santana, Denise Emmer e Amauri Falabella, além de obras consagradas de compositores renomados em participações especiais, como Trenzinho do Caipira (com Stênio Mendes na craviola) e Melodia Sentimental, ambas de Heitor Villa-Lobos, em parcerias com Ferreira Gullar e Dora Vasconcelos; Valsinha, (Chico Buarque & Vinícius de Moraes); e Feixe (Chico César). Merecem citações, ainda, o fado Samba das Índias (Edu Santhana & Juca Novaes), com Toninho Ferragutti no acordeon, e o alerta ambiental Quiquiô (Kykyó), de Geraldo Espíndola, que aborda a formação do povo indígena brasileiro, e que também já fez sucesso interpretado por Almir Sater.

Dani Lasalvia estudou piano dos 7 aos 15 anos e ao escolher o nome Madregaia cunhou um conceito de dupla maternidade, já que madre em espanhol é mãe, e Gaia é a deusa grega da fertilidade, em tradução literal, mãe terra. “Escolhi esse nome porque as canções selecionadas celebram a vida”, diz Dani Lasalvia sobre o repertório que tem forte influência da world music e ritmos regionais. “O CD foi determinado pela estética da letra, melodia e estilo de cada canção, pois objetivo era que o trabalho não ficasse linear.”

 

Disco Madregaia

Tietê Meu Rio (Jean Garfunkel & Lony Rosa); Vida de Água (Amauri Falabella); Manacá da Serra (Luís Perequê); e Meninos (Juraildes da Cruz) são algumas faixas de temática “verde”. Madregaia busca também resgatar a identidade cultural do país e as duas canções de domínio público são bons exemplos disso. Água de Mani conta a história antiquíssima de hábitos ritualísticos dos já extintos índios Tremembé, de Almofala (CE), enquanto Olê Caninana mostra a influência negra da dança folclórica potiguar Coco de Zambê.

A religiosidade brasileira também é lembrada em emocionantes interpretações de Ave Maria (Charles Gounod/Vicente Paiva & Jayme Redondo), Romaria (Renato Teixeira) e Procissão de Fogaréu (Luís Perequê), esta alusiva à festa popular de origem portuguesa feita em Paraty (RJ). Prece do Ó (letra recolhida por Cassiano Ricardo) conta a história do santo negro Santo Antonio do Catigeró, muito cultuado na Bahia.

“Foi o êxtase, a vontade do êxtase, que levou Dani pelos quadrantes da Terra de Vera Cruz. Por mais de dez anos, ela andou por aí, à própria custa, ouvindo aprendendo, conversando com as lavadeiras das Alagoas, com os violeiros do Mato Grosso, com os catireiros do interior paulista, com os jongueiros daqui e dali, os quilombolas, os índios das tribos tais e quais, aprendendo idiomas, incorporando gestos e gostos, entendendo as lendas, reconstruindo-se, ampliando-se, maravilhando-se”, observou o crítico de música Mauro Dias, responsável pela apresentação do disco.

danicassia

Madregaia não é o único trabalho de Dani Lasalvia. Além da convivência com Dércio Marques, ela dividiu shows com Vidal França, José Gomes, José Eduardo Gramani, Renato Teixeira e Natan Marques, as Irmãs Galvão e Almir Sater. Participa como convidada de discos como Volvo pra vivir, comemorativo aos 25 anos do grupo latino-americano Tarancón; Cantigas de abraçar, Espelhos d’água e Folias do Brasil, de Dércio Marques; Cantos da Mata Atlântica, de Dércio e Doroty Marques, e ainda Monjolear, também dos irmãos Marques, com coro de 240 crianças da Escola da Criança, em Uberlândia (MG), álbum com indicação ao Prêmio Sharp de Música na categoria Melhor Disco Infantil.  Em um festival de Alfenas (MG), acompanhada pelo grupo Tarumã, classificou em primeiro lugar a composição Ciranda Lunar. Como vocalista participou de O Expresso Arrasta-pé, de Paulo Simões; Ações dos bacurais cantantes, de João Bá; Lugar seguro, de Juraíldes da Cruz; Fábrica de mágicas, de Zezé e Simões; Encantos brasileiros, de Eliezer Teixeira; Acústico, de Adauto Bento Leal, e no disco Conterrâneos, de Carlinhos Piauí.

“A voz aguda e afinadíssima de Daniela Lasalvia vem aspirada, um sopro de brisa, uma sugestão de paz”, torna a dizer Mauro Dias. “Seu trabalho de composição inspira sensação semelhante, agora de forma explícita: um convite à harmonia com a natureza, o olhar carinhoso para o mundo das coisas palpáveis – os bichos, as árvores, os cursos d’água. O sotaque da autora e cantora paulista é interiorano, rural, sotaque de quem vive o que compõe e canta”. 

Vinda de recente viagem aos Estados Unidos, Daniela Lasalvia reencontrou no Sesc da Vila Mariana no começo de janeiro deste ano as amigas do Vozes Bugras, grupo vocal paulistano do qual fez parte da primeira formação. Antes do final do show, ela subiu ao palco para cantar com elas tema em homenagem a São Benedito. Ao Barulho d’água Música contou que está começando um novo projeto no qual terá ao seu lado entre outros o violonista erudito João Omar, filho do menestrel Elomar Figueira de Mello.

Nós, do Barulho d’água Música, enviamos a Dani Lasalvia, então, nossos votos de feliz aniversário e constante sucesso! Parabéns, querida!

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