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Baixe gratuitamente a discografia de Cátia de França (PB) do blog Quadrada dos Canturis

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Cátia de França (PB), já está com mais de 45 anos de carreira dos quase 70 de idade. Em suas canções invoca desde Guimarães Rosa a João Cabral de Melo Neto e traz mensagens contra formas de discriminação  e preconceitos que ainda imperam , como o racismo e a homofobia (Foto: Dayze Eusébio)

A discografia de uma das mais emblemáticas cantoras e compositoras do país, Cátia de França (João Pessoa/PB) está disponível para ser baixada pelo blog Quadrada dos Canturis (clique na palavra em azul para ter acesso), em formato MP3. A lista começa pelo antológico 20 Palavras ao Redor do Sol (1979), com músicas compostas com base em poemas de João Cabral de Melo Neto. Uma música da cantora foi trilha sonora do filme Cristais de Sangue, de 1975.e termina com No Bagaço da Cana – Um Brasil Adormecido (2012). Apenas Olinda, gravado em 1986, está indisponível.

Cátia de França foi professora de música e em meados da década dos anos 1970 começou a fazer composições com o poeta Diógenes Brayner. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde travou contato com outros artistas nordestinos que chegaram ao sucesso, como Sivuca, Zé Ramalho, Amelinha e Xangai. Em 1975 teve uma composição na trilha sonora do filme Cristais de Sangue e três anos depois Amelinha gravou Coito das araras em Frevo Mulher.  Entre as faixas de 20 Palavras Ao Redor do Sol  está Kukukaya (Jogo da asa da bruxa), gravada no mesmo ano por Elba Ramalho em Ave de Prata e também uma das preferidas de Xangai, que a cantou para o registro do célebre Cantoria 1, obra que além dele reúne Elomar, Vital Farias e Geraldo Azevedo

Estilhaços, (1980) traz a participação especial de Clementina de Jesus na faixa  Meu boi surubim. Nesse ano participou do Projeto Pixinguinha ao lado de Jackson do Pandeiro. Em 1983, Cátia de França trabalhou na trilha sonora do filme Paraíba, Mulher Macho, da cineasta Tizuka Yamasaki. O terceiro elepê, Feliz Demais, saiu em 1985. De volta à Paraiba, tornou-se em 1990 membro da Organização não-Governamental e do Projeto Malagueta, que tem como finalidade a preservação e divulgação do acervo cultural paraibano. Avatar, de 1998, foi sucedido por Cátia de França Canta Pedro Osmar (2005), não comercializado.

Sua música tem como fonte a literatura, fazendo referências à obra de Guimarães Rosa, José Lins do Rego, Manoel de Barros, além do citado João Cabral de Melo Neto. Negra, nordestina, adepta do candomblé e homossexual assumida, Cátia de França parece encarnar todas as minorias numa só mulher. Com  quase 70 anos de idade e  mais de 45 anos de carreira, tem sempre uma mensagem positiva e atual aos fãs; as seguintes palavras, por exemplo, cabem para o momento no qual rendeu polêmicas, reforçou preconceitos e rótulos o beijo entre as personagens vividas por Nathália Timberg e Fernanda Montenegro, na novela Babilônia: “Acredito que toda reforma do pensamento pela aceitação passa pela educação. Hoje vejo aluninhos tendo aula com professores gays com uma postura muito mais respeitosa do que no meu tempo”.

Cátia de França também escreveu livros tais quais Zumbi em Cordel, o infantil Falando de Natureza Naturalmente; A Peleja de Lampião Contra a Fibra Ótica e Manual da Sobrevivência. Em 2006 ela recebeu em reconhecimento por sua contribuição à arte e à cultura da Paraíba a medalha Augusto dos Anjos da Assembleia Legislativa do Estado. No ano seguinte, foi agraciada com o Prêmio Maestra das Artes, também concedido pelo Governo do Estado da Paraíba.

Discografia de Cátia de França

[1979] 20 Palavras ao Redor do Sol
[1980] Estilhaços
[1985] Feliz Demais
[1986] Olinda (Indisponível)
[1996] Avatar
[2005] Canta Pedro Osmar
[2012] No Bagaço da Cana – Um Brasil Adormecido

Fonte: Cantoras do Brasil

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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