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Dia Nacional do Choro, em homenagem a Pixinguinha, completa 15 anos

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Pixinguinha, compositor e arranjador, flautista e saxofonista, deixou obras primas do choro como Carinhoso, 1×0 e Lamento

 

Hoje, 23 de abril, comemora-se o 15º ano da introdução no Brasil do Dia Nacional do Choro, data escolhida em 2.000 por ser o dia de nascimento de Alfredo da Rocha Vianna Filho, que ficou conhecido por Pixinguinha (Rio de Janeiro, 1897, Rio de Janeiro, 1973), flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro, criador entre outros do célebre Carinhoso.

O gênero choro, a princípio, era apenas um jeito brasileiro de tocar nos anos finais do século XIX que mesclava elementos da música africana e européia. Era executado principalmente por funcionários públicos, instrumentistas das bandas militares e operários têxteis. Segundo José Ramos Tinhorão, o termo choro resultaria dos sons plangentes das modulações que os violonistas exercitavam a partir das passagens de polcas transmitidas por cavaquinistas, e que induziam a uma sensação de melancolia. Na grande leva de chorões que o Brasil viria a conhecer nas décadas seguintes, já no período do século dos anos 1900 — trilhando os caminhos abertos por  pioneiros  como Callado, Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, surgiram compositores, instrumentistas, arranjadores, e entre eles, com destaque, Pixinguinha.

Pixinguinha era filho do músico flautista Alfredo da Rocha Vianna, funcionário dos Correios e que possuía uma grande coleção de partituras de choros antigos. Ainda garoto começou a aprender música em casa, fazendo parte de uma família com vários irmãos músicos, entre os quais Otávio Vianna, o China. Foi ele quem obteve o primeiro emprego para Alfredinho, que começou a atuar em 1912 em cabarés do bairro carioca da Lapa e depois substituiu o flautista titular na orquestra da sala de projeção do Cine Rio Branco. Nos anos seguintes, continuou atuando em salas de cinema, ranchos carnavalescos, casas noturnas e no teatro de revista.

Pixinguinha integrou o famoso grupo Caxangá, com Donga e João Pernambuco, embrião do Oito Batutas, muito ativo a partir de 1919. Na década dos anos 1.930 foi contratado como arranjador pela gravadora RCA Victor, criando arranjos celebrizados na voz de cantores como Francisco Alves ou Mário Reis. No fim da década foi substituído na função por Radamés Gnattali, mas logo passou a integrar o regional de Benedito Lacerda, passando a tocar o saxofone tenor. Algumas de suas principais obras foram registradas em parceria com o líder do conjunto, mas hoje se sabe que Benedito Lacerda não era o compositor, mas pagava pelas parcerias.

Quando compôs Carinhoso, entre 1916 e 1917 e Lamentos em 1928, Pixinguinha foi criticado e as composições consideradas inaceitáveis por supostamente apresentarem muita influência do jazz, enquanto hoje em dia podem ser vistas como avançadas demais para a época. Além disso, Carinhoso, inicialmente, recebeu a classificação de polca. Outras composições, entre centenas, são Rosa, Vou vivendo, Lamentos, 1 x 0, Naquele tempo, e Sofres porque Queres.  

Pixinguinha morreu na igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, quando seria padrinho em uma cerimônia de batismo, no dia 17 de fevereiro de 1.973, e teve seu corpo enterrado no Cemitério de Inhaúma.  Ao escrever a biografia do chorão, o jornalista Sérgio Cabral lembrou que músicos, musicólogos e amantes de nossa música podem discordar de uma coisa ou outra, pois, “como diria a vizinha gorda e patusca de Nélson Rodrigues, gosto não se discute”. Entretanto, prossegue Cabral, todas as polêmicas cessam quando se afirma que  acima das preferências individuais está o nome de Pixinguinha. Ainda conforme o texto de Cabral, o crítico e historiador Ari Vasconcelos sintetizou de forma admirável a importância desse fantástico instrumentista, compositor, orquestrador e maestro: “Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: Pixinguinha.”

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Pixinguinha integrou o famoso grupo Caxangá, com Donga e João Pernambuco, embrião do Oito Batutas, muito ativo a partir de 1919. Na década dos anos 1.930 foi contratado como arranjador pela gravadora RCA Victor, criando arranjos celebrizados na voz de cantores como Francisco Alves ou Mário Reis

 

Casa do Choro e Festival Nacional

No Rio de Janeiro, 23 de abril também é reservado, como feriado, ao louvor a São Jorge, efeméride que transferiu para os dias 25 e 26 a realização de um festival ao ar livre e a inauguração da Casa do Choro, o primeiro centro de referência do gênero na cidade onde ele foi criado.

A Casa do Choro está instalada na Rua da Carioca, no Centro, em um sobrado de 1902 construído com arquitetura de inspiração mourisca, em voga na época. Embora tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), o prédio estava em ruínas ao ser cedido pelo governo fluminense ao Instituto Casa do Choro, responsável pela implantação do espaço cultural. A restauração exigiu investimentos de R$ 3 milhões liberados por fontes como Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), patrocínio da Petrobras e incentivo da Lei Rouanet. A reforma resultou em oito salas de aula, estúdio, centro de pesquisa e um auditório para shows e palestras.“A criação do espaço é, antes de mais nada, uma atitude de respeito para com a mais antiga e rica música instrumental brasileira”, disse ao jornal Correio Brazilense a compositora e cavaquinista Luciana Rabello, presidente do Instituto Casa do Choro. Da diretoria da instituição fazem parte ainda o compositor, arranjador e violonista Mauricio Carrilho, na vice-presidência, os também músicos Jayme Vignoli, Paulo Aragão e Pedro Aragão e o produtor César Carrilho. E o conselho do Instituto é composto por artistas como o poeta e produtor musical Hermínio Bello de Carvalho, os compositores Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro e a cantora Maria Bethânia.

O apoio financeiro do BNDES também possibilitou a disponibilização, na internet, de um acervo com mais de 15 mil partituras relacionadas ao repertório do choro, datadas desde o século 19, além de 2 mil discos, entre LPs e 78 rotações, e vasto material bibliográfico e iconográfico.

A inauguração, marcada para às 11 horas do sábado, 25,  marcará também a abertura do VI Festival Nacional do Choro, evento que reunirá, em sucessivas apresentações gratuitas e ao ar livre na Praça Tiradentes, 20 grupos um total de 160 chorões, de todo o Brasil. Entre os confirmados estão os grupos Galo Preto, Camerata Brasilis, Água de Moringa, Época de Ouro, Nó em Pingo D’água, Trio Madeira Brasil e Quarteto Maogani.

O festival terá ainda a presença de músicos consagrados do gênero, como Hamilton de Holanda, Yamandu Costa, Zé Paulo Becker, Joel Nascimento, Déo Rian, Henrique Cazes, Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Cristóvão Bastos e Zé da Velha.De segunda-feira, 27, até quinta-feira, 30, haverá uma série de sete palestras sobre o panorama do choro em várias partes do país. Espera-se por meio delas dar ao público uma primeira oportunidade de conhecer as instalações da Casa do Choro. A visitação, no entanto, só terá início no segundo semestre e será gratuita, exceto em dias de apresentações artísticas, já que estas vão compor a receita que ajudará a custear a manutenção do espaço. Tanto no auditório de 120 lugares, no térreo do prédio, como no último andar, a Casa do Choro terá uma programação de palestras, workshops e encontros musicais, incluindo rodas de choro no fim da tarde e no horário de almoço.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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