Barulho d'Água Música

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Depois de Avaré e Botucatu, alô São Carlos (SP): o 4 Cantos estará no Teatro do Sesc, em junho!

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Os músicos do projeto cultural 4 Cantos reuniram um animado público, superior a 350 pessoas, e lotou o Cine Teatro Nelli, em Botucatu, em noite para ficar na memória da cidade e para a plateia que por quase duas horas ouviu belas canções do repertório de Rodrigo Zanc, Wilson Teixeira, Cláudio Lacerda e Luiz Salgado (Foto: Marcelino Lima)

A noite foi de gala para os músicos do projeto cultural 4 Cantos em Botucatu, no sábado, 25 de abril. Cláudio Lacerda, Luiz Salgado, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira,  mais uma vez acompanhados por Bruno Bernini (bateria) e Ricieri Nascimento (baixo e vocal) contaram com casa cheia e tomados praticamente os 380 assentos do Cine Teatro Nelli para vê-los encerrar com um show de animada interação com a plateia a mini-turnê que promoveram por aquele município e pela vizinha Avaré — onde, na véspera, já tinham arrebatado o público com um repertório de canções autorais, nas Oficinas Culturais (antigo CAC). Os dois municípios ficam no interior de São Paulo e estão entre os que mais apoiam e preservam manifestações culturais ligadas às várias formas de expressão popular. Em ambos, o quarteto também promoveu prosas-shows e concedeu entrevista à emissora 103,5 FM, de Avaré. Para os fãs e muitos amigos que deixaram o Cine Teatro Nelli com água na boca e querendo mais, o grupo anuncia a boa notícia: em  25 de junho, a partir de 20 horas, haverá nova cantoria, desta vez no teatro do SESC São Carlos! 

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Luiz Salgado, Cláudio Lacerda, Wilson Teixeira e Rodrigo Zanc: plateia presente em Botucatu voltou para casa de alma lavada e pedindo bis para a apresentação memorável do 4 Cantos (Foto: Adriano Rosa/Campinas)

 

Cláudio Lacerda, Luiz Salgado, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira formaram o 4 Cantos em 2011. É difícil etiquetá-los, cravar um estilo e resumi-los. Em comum, a viola caipira. Mas o som não é exatamente caipira, embora existam influências. Nem exatamente folclórico, embora existam influências. Nem exatamente guarani, fronteiriço, embora existam influências. Nem exatamente regional, essa denominação que, apesar da tentativa de ser específica, acaba se revelando uma definição vaga demais. Talvez, como o sertão de João Guimarães Rosa, mineiro na gênese e infinito na chegada, as melodias aspirem ao universal.

Os músicos – compositores, violeiros e cantores, mais do que oferecer ao público uma oportunidade para rotulá-los, algo que a indústria fonográfica e a crítica ainda não conseguiram, buscam, como “quatro rios que se encontram, misturando suas águas”, junto da plateia, somar “suas alegrias” e compartilhar “suas mágoas”. Afinal, a música do interior – do Brasil e da alma – sempre celebrou momentos de amizade e exteriorizou a angústia do entardecer no campo, hora de solidão e nostalgia.

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Cine Teatro Nelli: casa cheia prestigia a noite de cantoria do 4 Cantos em Botucatu (Foto: Adriano Rosa/Campinas)

 

“Nos eventos prosas-show, como o próprio nome já diz, conversamos com o público e executamos algumas das nossas canções. É um momento de contato, em que respondemos a perguntas, saciamos curiosidades, contamos ‘causos’, essas coisas. Falamos também sobre nossas pesquisas culturais e sobre o projeto 4 Cantos”, explicou Rodrigo Zanc. “Muitas vezes, vira um grande bate-papo, permeado pelo estalar das cordas e gorjear das vozes”, brincou.

Para Cláudio Lacerda, o 4 Cantos não se limita a exibições. “Trata-se de um projeto cultural. E aproximar o público da arte e do universo artístico é um dos objetivos.”

“Nessas prosas-show, há desde gente interessada em conhecer instrumentos, principalmente a viola, até gente que deseja debater os processos de criação”, comentou Wilson Teixeira.

“A palavra-chave é encontro. Também nós nos encontramos, vindos de estradas diferentes, e construímos um caminho”, observou Luiz Salgado. “Dividir essa diversidade de origens e essa unidade de propósito com o público, em encontros diretos, feitos de proximidade, é uma maneira de trazê-lo para a nossa jornada.”

O 4 Cantos é um projeto cultural realizado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo) e pelos músicos Cláudio Lacerda, Luiz Salgado, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira, com patrocínio das Indústrias Romi e dos Supermercados Pague Menos, com apoio da Usicomp, da Prefeitura de Avaré e da Prefeitura de Botucatu e produção cultural da 3marias. Em dezembro, fez apresentações em Santa Barbara d’Oeste e em Piracicaba, ambas no interior paulista. Em agosto de 2013, foi atração do programa Sr. Brasil, apresentando por Rolando Boldrin.

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Foto: Nalu Fernandes/Araraquara-SP

CLÁUDIO LACERDA

Paulistano filho de mineiros, estreou em 2003, ao lançar Alma Lavada. Dois anos depois, venceu o I Prêmio Rozini Nacional de Excelência da Viola Caipira, promovido pelo IBVC (Instituto Brasileiro de Viola Caipira)  como melhor intérprete, feito repetido nas outras duas edições, realizadas em 2010 e em 2013. Já dividiu palco e faixas de seus discos com nomes como Dominguinhos e Renato Teixeira. Em 2007, gravou seu segundo Alma Caipira, e, em 2010, o autoral Cantador.

Atualmente Cláudio Lacerda está em estúdio gravando um novo trabalho, Estradas do Sertão, com participações de Neymar Dias (viola caipira, baixo, violão) e Toninho Ferraguti (acordeon), que reunirá músicas de autores consagrados como Tom Jobim e Chico Buarque com  temática sertão. Em 16, 23 e 30 de maio ele retomará o projeto “Olhos d’água”, que apresentou pela primeira vez, em outubro de 2014, em Campinas (veja programação abaixo).

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Foto: Nalu Fernandes/Araraquara-SP

LUIZ SALGADO


Mineiro de Patos de Minas, suas composições são ligadas ao folclore, exaltando a biodiversidade e a cultura do povo do cerrado. Participou de vários festivais e venceu alguns deles, como o Canções para Arteiros, do Itaú Cultural, em 2009. Gravou os discos  Trem Bão (2003), Sina de Cantadô (2007), e Navegantes (2010), além do DVD “Noite e Viola” (2012). Em 2013, em parceria com Katya Teixeira, fez o álbum 2 Mares.

Luiz Salgado já começou a gravar Quanto mais meus óio chora mais o mar quebra na praia, cuja faixa título cantou tanto em Avaré, quanto em Botucatu. A empreitada pode contar com a colaboração dos amigos e admiradores mediante contribuição, com direito a recompensas, à plataforma de financiamento coletivo (crowfunding) partio. Para saber como participar clique em https://partio.com.br/projeto/luiz-salgado/  

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Foto: Nalu Fernandes/Araraquara-SP

RODRIGO ZANC


Pesquisa a viola brasileira e suas influências há mais de 20 anos, lutando incansavelmente pela manutenção e propagação da cultura ligada ao instrumento. É natural de Araraquara, residente na vizinha São Carlos (SP). Participou de vários festivais, dentre eles o Viola de Todos os Cantos, da EPTV – Rede Globo, e chegou às finais de 2005 e de 2007.

Em 2006, lançou Pendenga, o primeiro CD. Em 2010, Rodrigo Zanc foi à Europa divulgar seu trabalho. Em 2013, produziu  Fruto da Lida,  selecionado para o 26º Prêmio da Música Brasileira. Embora Fruto da Lida esteja ainda apenas dando os primeiros passos, Rodrigo Zanc e seu parceiro, o compositor e letrista Isaías Andrade, já estão produzindo a pleno vapor um novo álbum, desta vez com faixas apenas de ambos. Uma destas novidades, Dona Pombinha, Rodrigo Zanc  já vem mostrando ao público em suas apresentações e também a incluiu no repertório do 4 Cantos. Em 30 de maio será atração, a partir das 19h30, da Virada Cultural em sua terra natal, Araraquara.

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Foto: Nalu Fernandes/Araraquara-SP

WILSON TEIXEIRA


A “Terra do Verde”, Avaré, é o berço deste violeiro que também estudou violão e piano erudito. Participou de diversos festivais relacionados com a viola ou a música regional, como os de Tatuí (SP), Ilha Solteira (SP), Avaré (SP) e Ponta Grossa (PR). Em 2001, integrou a gravação do CD Ciranda de Cantigas, organizado por Salatiel Silva e Paulo Netho. Em 2004, passou a fazer parte da equipe de músicos dos Trovadores Urbanos. E, em 2007, gravou Almanaque Rural e está finalizando Casa Aberta para lançamento em junho.

Neste novo álbum, Wilson Teixeira apresentará entre outras uma releitura de Canta que é bonito Brasileiro parceria do amigo Cláudio Lacerda e Júlio Belodi  e No caminho de casa, dele e do folkeiro Bezão, que já está virando sucesso e agradou em cheio ao público nas duas apresentações do 4 Cantos. Em 31 de maio,  Wilson Teixeira abrirá a partir das 15h30 a Virada Cultural de Votuporanga (SP), na Praça Cívica, sem número, Centro.  

FICHA TÉCNICA


Projeto 4 Cantos

Patrocínio: Indústrias Romi e Supermercados Pague Menos
Apoio: Usicomp, Prefeitura de Avaré e Prefeitura de Botucatu
Produção cultural: 3marias
Realização: 4 Cantos (Cláudio Lacerda, Luiz Salgado, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira), Programa de Ação Cultural (ProAC) e Secretaria da Cultura (Governo do Estado de São Paulo)

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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