Violeiro Noel Andrade é atração que fechará evento de catira em Patrocínio Paulista (SP), sua cidade natal

noel andrade
Noel Andrade é autor do álbum independente Charrua, que tem participações de Renato Teixeira e Dércio Marques, e composições de Rosinha de Valença, Francisco Nepomuceno, Elpídio dos Santos, Godofredo Guedes, Luís Perequê e Chico Lobo

 

Patrocínio Paulista, município próximo a Franca e a Batatais, no interior do Estado de São Paulo, promoverá nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado alusivo ao Dia Internacional do Trabalhador,  a 1ª Mostra: Catira, Dança ou Desafio? e um show com o violeiro e filho Noel Andrade. O evento está previsto para começar após a Missa Sertaneja, marcada para as 18 horas. De acordo com o cronograma oficial, a celebração deverá transcorrer em cerca de 60 minutos, assim, por volta das 19 horas, terá início apresentações de grupos de catira de Guarulhos (Favoritos da Catira), de Barretos (Espora de Prata), de Araçatuba (Novos Araças), de Santa Eudóxia (Os Defensores do Catira) e da cidade anfitriã (Sola de Ouro) que antecedem a cantoria de Noel Andrade. O cantor e compositor estará acompanhado por Sandro Premmero (contrabaixo e vocais) e Mauricio Oliveira  (teclados). As atrações terão transmissão ao vivo pela rádio Imperador 920 AM, nas vozes dos locutores Zé Rasteiro e Ádamo AlvesO ingresso será um quilo de alimento não perecível e toda arrecadação será revertida ao Lar São Vicente de Paula.

Para Noel Andrade voltar às origens e participar da Mostra permitirá o resgate e a valorização dos diferentes modos da catira e suas influências.  “É importante lembrar que a música que os acompanha, a vestimenta e a tradição oral, carregam parte significativa desse legado. Esse poderoso sapateado brasileiro vem se mantendo, resistindo ao longo do tempo”.

Noel Andrade é autor do álbum independente Charrua, que tem participações de Renato Teixeira e Dércio Marques, e composições de Rosinha de Valença, Francisco Nepomuceno, Elpídio dos Santos, Godofredo Guedes, Luís Perequê e Chico Lobo e já participou de importantes projetos ligados ao mundo da viola, entre os quais o Encontro Nacional de Violeiros, promovido em novembro de 2014, em São Paulo. Com composições que falam do Brasil caboclo, não só da música caipira como de todos os ritmos e manifestação populares, ele vem se destacando entre os músicos brasileiros que tocam e cantam a terra.

Em entrevista ao portal eletrônico A Nova Democracia concedida em junho de 2010, Noel conta que começou a tocar “por pura inspiração”. O avô era músico, e o influenciou positivamente. “Me encantei com a viola desde a primeira vez que ouvi alguém tocando, e creio que o fato da minha família ser de caipiras mesmo, cheios de costumes da roça, me serviu de muleta para ingressar neste mundo”, observou. “Depois de colecionar discos e tudo que tinha a ver com viola, comprei o instrumento e fui a luta para aprender a tocar”. Em um período no qual residiu em Belo Horizonte (MG), conheceu o violeiro Chico Lobo e participou do grupo de tradições folclórica Aruanda, que realiza pesquisas sobre cultura popular brasileira e as representa através da música e da dança. “Éramos quinze tocando ritmos do Brasil inteiro, todos com instrumentos populares, como sanfona, viola e violão”, finaliza o patrocinense, que também já tocou com Kátya Teixeira, Daniela Lasalvia, Doroty MarquesDércio Marques, Zé Gomes, Negão dos Santos, e outros expoentes.

“A chamada ‘música regional é algo muito forte em mim. Passo o som da viola, que é a base do meu trabalho, contudo sou influenciado por todos esses grandes mestres. Normalmente quando produzo não penso que farei uma música caipira ou regional. Produzo de forma espontânea, e o que surge para mim não tem rótulo, até porque acho difícil rotular o trabalho que eu e meus companheiros violeiros fazemos.”

Dança e viola se encontram na catira 

A catira, que também pode ser chamada de cateretê e de o catira, é considerada modalidade de dança do folclore brasileiro cujo ritmo musical é marcado pela batida dos pés e das mãos dos dançarinos. De origem híbrida, com influências indígenas, africanas e europeias,  tem coreografia executada no Brasil por segmentos como boiadeiros e lavradores e pode ser formada por seis a dez componentes e mais uma dupla de violeiros, que tocam e cantam a moda. Ocorre principalmente na área de influência da cultura sertaneja, que abrange estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo , Mato Grosso do Sul, Tocantins , e, principalmente, São Paulo.

A coreografia da catira apesar de parecer semelhante varia bastante em determinados aspectos e nota-se diferenças nítidas de uma região para outra. Segundo historiadores, a dança foi incutida no caminho das bandeiras, pois era praticada pelos peões dos Bandeirantes, e assim foi sendo defendida pelos peões por onde eles acampavam.

Diversos autores, entre eles o poeta modernista Mário de Andrade, contam que a catira no Brasil se originou entre os índios e que o Padre José de Anchieta, entre 1563 e 1597, incluiu-a nas festas de São Gonçalo, de São João e de Nossa Senhora da Conceição, da qual era devoto. Anchieta teria composto versos em ritmo de catira para catequizar índios e caboclos e a considerava própria para tais festejos, já que era dançada somente por homens, fato que se observa, ainda hoje, em grande parte do país, embora vários grupos admitam também idosos, jovens e crianças, tanto masculinos, quanto femininos. Há estudiosos que dizem que a catira seria oriunda da Oceania e aqui desembarcou com australianos e outros acham que é de origem alemã. O certo é que ela adquiriu características desses três grupos citados, podendo até ter recebido influências de outros povos que para o Brasil imigraram. A família Malaquias da região de Mato Grosso do Sul é uma das grandes divulgadoras da dança.

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