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Alegria com apresentação no Sesc Interlagos (SP) marca retorno de João Bá (BA) aos palcos

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Interlagos arte

Daniela Lasalvia, Esther Alves, João Arruda, Galba, Danilo Bá, João Bá, Nanah Correia e Levi Ramiro na cantoria Prosa de Mestres promovida pelo Sesc Interlagos (Foto: Marcelino Lima)

 

A apresentação do cantor, compositor, ator e poeta João Bá (BA) voltou a se apresentar em público após o período de internação e recuperação, em Belo Horizonte (MG), da cirurgia pela qual teve de ser submetido, em março, para correção de um delicado problema no sistema urinário. Do alto de toda meninice e alegria dos seus mais de 80 anos, João Bá cantou e proseou com o público que acompanhou na tarde de 30 de abril a cantoria Prosa de Mestres, que o Sesc de Interlagos (SP) promoveu no Viveiro de Plantas como parte dos eventos do projeto Pétala por Pétala, que destaca por meio da instalação Territórios da Mata vários aspectos relacionados à fauna, à flora e às atividades de preservação e exploração sustentável do bioma Mata Atlântica. O show coordenado pelo cantor, compositor e multi-instrumentista João Arruda (SP) juntou ainda Esther Alves, João Galba, Danilo Bá (filho de João), Nanah Correia e Levi Ramiro. A cantora Daniela  Lasalvia estava na plateia e foi convidada a cantar com João Bá Cachoeira do Aracá, faixa que ambos gravaram com Pereira de Manaus no álbum do baiano Pica-pau Amarelo. Luiz Carlos Bahia, coautor de Chapéu de Palha (que fez parte do repertório em Interlagos e que Arruda incluiu em Celebra Sonhos), também estava no público.     

Sobre João Bá 

O Brasil tem sido prodigioso em gerar compositores, músicos e escritores que com sua genialidade retratam e perpetuam as belezas dos sertões, sua gente e suas riquezas, seja o físico — aquele que tem suas vastas extensões territoriais em estados como Minas Gerais, Bahia, Piauí, Pernambuco: o agreste –; seja aquele que Elomar Figueira de Melo define como “profundo” — no qual só se penetra por meio de portais como o que se abriria a partir da pedra de Itaúna, ou seja, a porção mítica, imaginada, fantástica, que atravessa todos os tempos —; ou também a que é  explicada por uma forma de ser e de agir, um estado de espírito, conforme se depreende do sentido roseano. O próprio menestrel da quadra das águas perdidas que tornou-se sertanez por dissidência do estado no qual nasceu — a Bahia entendida apenas como Salvador, cidades do Recôncavo e litorâneas por esta dar as costas ao e relegar o sertanejo –, é um destes bardos, assim como vem sendo Levi Ramiro, Paulo Freire, Pereira da Viola e o foram João Guimarães Rosa, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Dércio Marques.

João Bá também guerreia nesta cruzada e integra este panteão, e ainda hoje, no ápice dos seus 80 anos de idade, é um dos seus mais profícuos atalaias. Autor de mais de duzentas músicas, muitas gravadas por expoentes como Almir Sater, Diana Pequeno, Marlui Miranda, Hermeto Paschoal e o parceiro São Dércio, o menino que nasceu em Crisópolis  (BA) e que imediatamente após a queda do primeiro dente já se viu obrigado a trabalhar para ajudar no sustento da família de lavradores parece, ainda, morar dentro dele. A lida com a enxada e as dificuldades da infância pobre não impediram que já aos 12 anos João Bá começasse a compor e a cantar, sempre reverenciando e inspirando-se na natureza que o rodeava, tema recorrente até os dias de hoje em suas canções.

Hoje cantador respeitado por onde passa e já visitou, a obra está reunida em sete discos independentes, além da participação em quatro faixas do álbum Aruanã, de 2005, lançado pela Warner-Chapelli/Y Records*.

Cavaleiro Macunaíma é a mais recente contribuição de João Bá na preservação e na divulgação destes universo e ânimo. O álbum ganhou noite de lançamento em agosto de 2014 no SESC Itaquera, justamente no ano durante o qual ele tornou-se octogenário, porém incansável. O disco reúne cirandas, bois, toadas, xotes, repentes, batuques, canções populares de rendeiras e lavadeiras que falam de paisagens, personagens e ritmos da cultura popular brasileira. Participam da obra Toninho Carrasqueira, João Arruda, Ivone Cerqueira, Fernando Guimarães, Sérgio Turcão, Sérgio Teixeira e Edu Barreto, Levi Ramiro, Joaquim Celso Freire, Nádia Campos, Rita de Cássia Costa, Déa Trancoso, Vidal França, Xangai, Gereba, Carlinhos Ferreira, Katya Teixeira, Ney Couteiro entre outros tantos cavaleiros.

Pétala por Pétala 2015

Tendo em vista a importância do bioma Mata Atlântica e a necessidade de ressaltar o histórico de atuação do Sesc Interlagos na área socioambiental e a sua relação com as áreas de floresta dentro e no entorno da unidade,  o evento Pétala por Pétala 2015 propõem trabalhar uma diversidade de diálogos sobre o bioma Mata Atlântica , em toda sua abrangência, com o tema Territórios da Mata.

Iniciado em 25 de abril e com temporada até 3 de maio, Territórios da Mata é uma instalação cenográfica desenvolvida pela equipe do Ateliê Mata Adentro. O objetivo da instalação é ser um espaço lúdico e de sensibilização do público sobre o bioma Mata Atlântica. Sua composição envolve diversos elementos naturais (galhos, troncos, minerais, plantas) com artefatos de comunidades tradicionais e uma dinâmica circular de mandala que convida o visitante a vivenciar a diversidade da vida em toda sua força e fragilidade, harmonias e conflitos. A proposta é gerar sensações e reflexões sobre as características do bioma Mata Atlântica e a urgência da sua preservação e recuperação. Durante os dias do evento, será possível degustar as delícias do Café da Roça, com bebidas e pratos frios e quentes típicos das comunidades que vivem na Mata Atlântica, a preços populares. 

O Sesc Interlagos fica na Avenida Manuel Alves Soares, 1100, Parque Colonial, na zona Sul de São Paulo, a 1.500 m da estação Primavera-Interlagos da CPTM.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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