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Deo Miranda, Mauri Noronha e Fernando Guimarães dividem palco em Suzano em evento do Festival do Alto Tietê (SP)

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Os músicos Déo Miranda (SE), Mauri Noronha (PE) e Fernando Guimarães (MG) foram atrações do projeto Cantoria de Todos os Cantos, atividade do 3º Festival de Arte Popular do Alto Tietê, e fizeram marcantes apresentações na noite de sábado, 2 de maio, no Teatro Contadores de Mentira, situado em Suzano (SP). Deo Miranda, sergipano residente em Mogi das Cruzes e produtor do Festival, fez a abertura dos shows cantando ao violão músicas de sua autoria, como Navio Negreiro, e homenageou Elomar Figueira de Melo com Puluxia das Sete Portas.

 

Mauri de Noronha, nascido em Garanhuns, ocupou o palco ao lado de Chico Pedro, flautista chileno ex-integrante da banda Raíces de América. O cantor e compositor atualmente morador do Sergipe, canta, com força e notável expressão poética, além de declamar, músicas e poemas de sua autoria, épicos e contundentes, que retratam belezas do sertão, e denuncia sem panfletarismo toda exploração ao e o histórico sofrimento dos povos do agreste. Queixou-se do frio que estava sentindo em Suzano, mas depois ele e Chico Pedro, com especial canja do poeta Sebastião Dias, deixaram a plateia arrepiada. Antes de se despedir, Mauri de Noronha promoveu tributo ao conterrâneo de Exu (PE) Luiz Gonzaga interpretando em uma releitura o clássico Assum Preto, do Velho Lua. Chico Pedro, por sua vez, mostrou sua versatilidade tocando vários tipos de flautas e uma zampoña cujos sons deram leveza sem tirar a dramaticidade e a força crítica das letras das composições de Noronha.

Fernando Guimarães é considerado um dos mais virtuosos violonistas e dos mais férteis compositores da música regional. Mineiro de Caldas e da escola de mestres como Elomar, Vital Farias (PB), João Bá (BA) e Dércio Marques (MG), abriu a apresentação com a composição Cantilena de Jardim, do álbum Cantilenas de Jardim, que tem produção de Dércio e é o primeiro disco digital da carreira; em 1987 gravara o vinil Bem-ti-viagem primeira a Ribeirão Fundo. Fernando Guimarães cantou  Rio Jordão/Águas Claras em homenagem a João Bá, amigo que recentemente passou por delicada cirurgia no sistema urinário, e de Vital Farias a joia Saga da Amazônia. Com o amigo e parceiro Amauri Falabella (Guarulhos/SP), que estava entre os assistentes, o mineiro cantou Fonte, criação de ambos.

Amauri Falabella já gravou Ciranda Lunar (2001), Violeiro Urbano (2005) e Amauri Falabella (2009) e, atualmente, está produzindo Parceria, álbum que trará entre outras as participações de Consuelo de Paula (MG), Katya Teixeira (SP) e Socorro Lira (PB). Vencedor em 2.000 do prêmio Especial do Júri Popular no Festival da Música Brasileira da Rede Globo, quando sua canção Brincos recebeu 60% da votação, canta coisas nas quais acredita e da maneira que gosta. Com forte influência de variados estilos musicais como o de Elomar, Xangai (BA), Vital Farias, Vidal França (BA) e Dércio Marques, hoje é considerado pela critica como um trovador.

O primeiro álbum, Ciranda Lunar, um sonho acalentado por mais de vinte anos, foi produzido por ele mesmo com requinte e qualidade técnica profissional, trazendo à tona todo o lirismo e suavidade de suas canções. Em Violeiro Urbano, segue a trilha do trabalho anterior, mas deixando evidente a paixão pela viola caipira. Fiel às raízes da música brasileira, Falabella prima pela riqueza dos arranjos e pelo traço comum que une todas as músicas: o respeito à natureza e o amor às coisas simples e verdadeiras. A faixa que dá nome ao álbum explica o apego à viola caipira e o próprio titulo, pois Amauri, que sempre viveu na cidade grande, “sente uma coisa esquisita quando pega a viola” porque “sou passarinho sonhador, fiz meu ninho numa estrela, levo no bico pra longe toda a dor” e utiliza a força desse instrumento popular, lembrando que seu timbre tem conquistado muita gente, mesmo nas grandes cidades.

 

O 3º Festival de Arte Popular do Alto Tietê terá atrações musicais, exposições, montagens teatrais, saraus, sessões de cinema,  e workshops, entre outras formas de manifestações culturais que poderão ser apreciadas  até 17 de maio pelos moradores  de Arujá, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano. De acordo com Déo Miranda, compositor, produtor e idealizador das atividades que serão coordenadas pela Malungada Produtos Culturais, a meta é permitir que todas as linguagens artísticas e seus condutores, quer sejam tradicionais ou urbanas, ocupem simultaneamente e de forma livre o mesmo palco, integrando-se e interagindo em apresentações com acesso liberado ao público, já que “a arte popular é a arte que vem do povo e também é a arte que o povo elege”.

A programação completa e os endereços, datas e horários do III Festival de Arte Popular do Alto Tietê pode ser conferida em http://www.malungadapc.com

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Deo Miranda abriu a cantoria em Suzano e fez homenagem a Elomar (Fotos: Marcelino Lima)

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Chico Pedro e Mauri Noronha: fusão da sonoridade dos Andes com os ritmos do sertão do Nordeste

mauri noronha arte

Mauri Noronha canta com força poética letras de aguda criticidade e encanta ao declamar poemas contestadores

 

Chico Pedro arte

Chico Pedro deu um toque de sensibilidade com suas várias flautas às composições do pernambucano Mauri de Noronha

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Santiago Dias, poeta e autor de uma das músicas apresentadas no Contadores de Mentira por Mauri Noronha

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Fernando Guimarães, mineiro de Caldas, da mesma escola de composição e modo de tocar dos trovadores Elomar e Dércio Marques homenageou João Bá e Vital Farias

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Amauri Falabella participou da noite de cantoria em Suzano cantando com Fernando Guimarães a canção Fonte, que ambos assinaram

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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