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Álbuns de Vidal França (BA), como Fazenda e Cidade Bruxa, podem ser baixados do blog Quadrada dos Canturis

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Vidal França Arte

Vidal França começou a carreira cantando músicas de expoentes como Luiz Gonzaga e Vandré, em São Paulo, mas depois enveredou pelos próprios caminhos e tornou-se um dos cantadores mais marcantes dos ritmos e das mazelas nordestinas e do cancioneiro regional do país, em parcerias com João Bá e Dércio Marques, entre outros

 

O blog Quadrada dos Canturis disponibilizou para ser baixado quatro álbuns da discografia de Vidal França, cantor e compositor de Aporá, sertão da Bahia. Vidal França está na estrada desde 1972,  quando já morava em São Paulo e parte de um trio vocal que ganhou o primeiro lugar num programa de calouros. Seguiram-se alguns anos de plena atividade em teatros, ou com apresentações em casas noturnas, sempre tendo ao lado o inseparável Fernando Lona, interpretando músicas de Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Caetano Veloso, e Luiz Gonzaga,  entre outros. Com a morte de Lona, em 1977, descobriu uma nova ideologia, passando para uma nova fase, para a qual foram importantes viagens que empreendeu por Angola, Moçambique, Canadá e Estados Unidos, onde mostrou suas canções e procurou assimilar a música de raízes daqueles país.

De volta ao Brasil, procurou nas raízes da MPB o caminho ideal. E, para não se tornar repetitivo, eliminou de imediato tendências anteriores, tomando o cuidado de não tematizar a miséria e a pobreza da região natal, pois julgava que assim seria muito fácil ganhar interesse, em vista do óbvio dessas características. Dessa forma, procurou transmitir em sua música valores culturais do sertão baiano, e em alguns casos, também a pobreza decorrente da exploração, como ocorre ainda hoje no Vale do Jequitinhonha, onde riqueza naqueles idos beneficiava intermediários que ganhavam com a comercialização do ouro, como ele mesmo afirmou “A música Vale do Jequitinhonha surgiu quando vi os barranqueiros sofrendo por falta de poder aquisitivo, vivendo em total subdesenvolvimento, apesar do ouro. O problema é que, quando encontram uma pepita, sempre existe o atravessador que, aproveitando-se da ignorância dos barranqueiros, leva as pedras por preços mínimos, e geralmente para o Exterior. Portanto, a minha música é também um alerta para as autoridades, que deveriam tomar providências e legalizar a situação do Vale.”

Antes de lançar o primeiro disco (um compacto simples, com Vale do Jequitinhonha), Vidal França tornou-se conhecido entre os adeptos da música regional do agreste depois de Diana Pequeno ter gravado Facho de Fogo, de sua autoria e presente em Fazenda, que serviu para abrir as portas para o cada vez mais limitado mercado discográfico. Para Vidal, a música regional é um dos caminhos que deve ser seguidos pelos nossos compositores e intérpretes, principalmente por tratar-se de um gênero que divulga os valores culturais de um povo que vive  problemas há centenas de anos. “Somente a música poderá mostrar a condição social do homem que vive e trabalha da terra.”

O texto que você lê agora sobre Vidal França é de 1981, escrito por Angelo Lacocca para a Revista Música, resgatado pelo Quadrada dos Canturis. Na ocasião, Lacocca contava que as composições de Vidal França abordam problemas econômicos que refletem a condição social do homem do sertão, como se constata nos versos de Torre de Ouro, por meio da qual prega igualdade econômica: “Dinheiro é temporal / não desaba todo dia / é como chuva no sertão / que há muito não se via / nessa transição / poder desgovernado / é herói da discussão / desse povo inconformado / Vem vê, a briga começou / dá cá o teu / que é o meu / dá lá o meu / que não é o teu.” Vidal França na época trabalhava entre outros em parceria com o conterrâneo João Bá, de Crisópolis, situada na caatinga. Ao lado dele João Bá, já buscava mostrar o aspecto regional e folclórico da música do sertão, ampliando a informação daqueles que vivem distantes desta outra realidade cultural do país, e deixando de divulgar apenas a pobreza e a miséria, elementos que considerava já muitos explorados por  cantadores e compositores e que para ele já teriam se transformado em atrações turísticas da região Norte-Nordeste.

Os álbuns disponibilizados pelo Quadrada dos Canturis são Fazenda (1985), Cidade Bruxa (1991), Sertão e Mar (1995) e Não é só forró (2002). O acervo daquele blog oferece, ainda, a discografia completa de João Bá, Dércio Marques, Xangai e de Diana Pequeno, entre outros parceiros de Vidal França.

 

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

Um pensamento sobre “Álbuns de Vidal França (BA), como Fazenda e Cidade Bruxa, podem ser baixados do blog Quadrada dos Canturis

  1. Pingback: 908 – Prestigie “Novo Encontro” e conheça a obra de Vidal França no ECLA (SP) | Barulho d'Água Música

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