Canto Livro traz ao palco do Sesc Campo Limpo (SP) o universo roseano de Grande Sertão: Veredas

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O coletivo Canto Livre apresenta espetáculos litero-musicais que destacam autores brasileiros, de Língua Portuguesa e latino-americanos consagrados, além de abordar em seus trabalhos o delicado universo feminino revisitando obras de escritoras como Clarice Lispector, Carolina de Jesus e Cora Coralina (Fotos: Marcelino Lima)

 

O Barulho d’Água Música acompanhou na noite de 15 de maio, no Sesc Campo Limpo (SP), a apresentação de Guimarães Rosa: O Sertão na Canção, espetáculo da Equipe Canto Livro, atração do projeto Em Canto e Prosa. O Sertão na Canção, concebido em 2006 e desde 2008 na estrada, com passagem inclusive por Cordisburgo (MG), terra natal do escritor, põe no palco pai e filha, Jean e Joana Garfunkel. Ambos apresentam canções inspiradas no fabuloso romance Grande Sertão: Veredas, compostas por Jean e o irmão Paul, permeadas por narração de trechos da obra que imortalizou entre outras personagens Riobaldo e Diadorim. É uma viagem pelo sertão roseano por meio dos atalhos da oralidade e da canção brasileira, traços essenciais de nossa identidade cultural.

Jean e Joana Garfunkel protagonizam um espetáculo marcante em que a interpretação de ambos transporta a plateia para as paragens do sertão e coloca os espectadores frente a frente com Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro, o Hermógenes e todo o elenco da narrativa, auxiliados pela competente percussão, que entre entre outros ruídos e barulhos típicos do ambiente que Rosa tenta evocar, reproduz o som do tropel de cavalos com fidelidade impressionante. Para uns, um convite e um estímulo para conhecer o universo sertanejo tão humano como fantástico, para outros a possibilidade e o privilégio de revisitá-lo e até de compreendê-lo. “Guimarães Rosa é para os fortes, não é para qualquer um”, disse Jean Garfunkel. “Esperamos que quem ainda não conheça ao sair daqui leia o livro e quem já teve esta experiência a repita”, recomendou o cantor e compositor, que já visitou as páginas de Grande Sertão: Veredas oito vezes. “Leiam em voz alta, leiam em dupla e procurem as várias formas de suporte que existem no mercado literário para extraírem o máximo desta obra”.

jean garfunkel arte joana garfunkel

joão paulo amaral arte

O espetáculo Guimarães: O Sertão na Canção reúne ainda João Paulo Amaral (viola caipira); Pratinha Saraiva (flauta, bandolim), Rafael Mota (percussão) e Rogério Maio (baixo), com produção de Luci Traça, mas não é o único do coletivo Canto Livro. Sobre coordenação de Jean e de Joana, o grupo  promove shows e oficinas inspirado na obra de vários outros autores Brasileiros e de Língua Portuguesa, inclusive adaptados para o público infantil. A lista de opções oferece Jorge Amado (Jorge Amado – Amor e Mar); Carlos Drummond de Andrade: (E Agora, Drummond?); Manoel de Barros (Matéria de Poesia); Machado de Assis (O Bruxo do Cosme Velho); Vinícius de Moraes (Para Viver um Grande Amor); Clarice Lispector: (Que Mistério tem Clarice)?; Cora Coralina (Todas as Vidas); Manuel Bandeira (Vou-me Embora Pra Pasárgada), além de Carolina de Jesus (Sacramento/MG), que viveu em São Paulo e entre outras obras nos legou Quarto de Despejo, este dentro do projeto Universo Feminino: Histórias de Mulher, que ocupou o palco do Sesc Campo Limpo em 27 de março. 

Em Histórias de Mulher, Joana e Jean Garfunkel contam e cantam um pouco do misterioso e fascinante universo feminino na música e na literatura brasileira. Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Marina Colasanti e Adélia Prado tem como contraponto as músicas de Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Joyce e Caetano Veloso. O diálogo do texto com a canção ao longo do roteiro desenha um perfil nítido e delicado da alma feminina. Autores latino-americanos como Isabel Allende (Chile) e Gabriel Garcia Marquez (Colômbia) também são representados, além de Mia Couto (Moçambique) e Fernando Pessoa (Portugal).

Brincar de imaginar

A versão para o público infantil de Guimarães Rosa constitui o espetáculo litero-musical O Som dos Meninos Quietos, programado para ser apresentado às 16h30 do sábado, 30 de maio, como parte das atividades da Semana Mundial do Brincar, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), com interpretação de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Neste trabalho a canção popular, a narração de histórias e a infância sertaneja são atalhos para que o público percorra as veredas literárias do escritor. O protagonista observa a natureza, cria seus próprios brinquedos e brinca de imaginar ao som de um conjunto de canções infantis de Jean e Paul Garfunkel inspiradas no folclore brasileiro, na infância sertaneja e no respeito ao meio-ambiente.

O MAM fica n rua Pedro Alvares Cabral s/n°, com entrada pelo portão 3 do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Para mais informações há o telefone (11) 5085-1300.

pratinha saraiva arte rogério maio

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Elisa Lucinda, em junho

O Sesc Campo Limpo já divulgou também a próxima atração do Em Canto e Prosa. Em 12 de junho, a convidada será a atriz, poetisa e escritora Elisa Lucinda (Cariacica/ES), que mostrará Olhos da cara, passeio entre canções e poemas, extraindo um do outro. Poemas e crônicas compõem o repertório por meio do qual, apenas empregando a voz,  Elisa Lucinda revelará o poder de contar histórias que as canções possuem. 

O Sesc Campo Limpo fica na rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120, a 500 m da estação Campo Limpo do Metrô. Para mais informações há o número de telefone (11) 5510-2700.

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