Levi Ramiro e Paulo Freire e grupo de Arapiraca (SE) abrem série de 480 concertos do Sonora Brasil/15, em Vitória (ES)

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Os violeiros e compositores Levi Ramiro e Paulo Freire, ambos de São Paulo, abriram ontem, 28 de maio, a 18ª edição do projeto Sonora Brasil com um show no Centro Cultural Sesc Glória, em Vitória (ES). O Sonora Brasil, promovido pelo Sesc, é considerado o maior do país em circulação musical e na edição de 2015 terá, até dezembro, 480 concertos em mais de 130 cidades brasileiras. Além de Levi e Paulo Freire,  estreia contou ainda com apresentação do grupo Destaladeiras de Fumo de Arapiraca (AL), com mestre Nelson Rosa, representando o tema Cantos de trabalho.

O projeto Sonora Brasil visa a difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. A formação de plateia é o que se busca por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música, estimulando o olhar crítico sobre a produção e os mecanismos de difusão da música no país. Todas as apresentações são essencialmente acústicas, valorizando a qualidade sonora das obras e de seus intérpretes. Desde a primeira edição, em 1998, já foram atrações cerca de 80 grupos em mais de 3.900 apresentações por todo o país, alcançando mais de 520 mil espectadores.

A cada dois anos, dois temas são desenvolvidos, buscando aprofundar a relação dos seguidores com aspectos relevantes da música no país.

Para o biênio 2015/2016 os temas selecionados são Sonoros Ofícios – Cantos de Trabalho e Violas Brasileiras, que serão desenvolvidos com a participação de quatro grupos em cada vertente, selecionados por meio de uma curadoria nacional que define a temática e os artistas. Este ano, o tema Sonoros Ofícios – Cantos de Trabalho circulará pelos estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste; o Violas Brasileiras seguirá pelos estados das regiões Sul e Sudeste. Em 2016, será feita a inversão da ordem das apresentações durante a 19ª. edição para que os grupos concluam o circuito nacional.

“Para os músicos, o circuito propicia uma experiência ímpar de se apresentar em todas as regiões do país, colocando-os em condição privilegiada para a difusão de seus trabalhos”, explicou Marcia Rodrigues, gerente de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.

Sonoros Ofícios – Cantos de Trabalho apresentará o canto como expressão musical relacionada às atividades laborais, fato social presente na cultura brasileira tanto no ambiente rural, quanto no urbano, com registros que confirmam sua existência já no século XVIII.

Três grupos representam formas tradicionais relacionadas a trabalhos rurais: Destaladeiras de Fumo de Arapiraca (AL); Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente (BA) e Quebradeiras de Coco Babaçu (MA). O Grupo Ilumiara (MG), formado por músicos pesquisadores, apresentará repertório recolhido em pesquisas sobre diversas vertentes do tema.

O grupo de Arapiraca existe  há oito anos e conta com mulheres que trabalhavam na colheita e destalação do fumo. Elas se apresentam em Arapiraca, em outras cidades e até estados. A maioria deixou o plantio do fumo há algum tempo e estava sem nenhuma atividade até que decidiu participar da ação de resgate cultural, que começou na associação da Canafístula, bairro tradicional em Arapiraca.

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O grupo de Arapiraca existe há oito anos e conta com mulheres que trabalhavam na colheita e destalação do fumo. Elas se apresentam em Arapiraca, em outras cidades e até estados

Uma das integrantes, Maria José dos Santos, 62, explica que os cantos surgiram de improviso durante o trabalho. “Era uma forma de espantar o sono. Trabalhávamos durante o dia na colheita e à noite o cansaço batia. Aí começaram a surgir os versos. Uma falava um, a outra completava e a canção vinha de forma natural”, diz.

Violas Brasileiras traçará um panorama da viola de cinco ordens e de variantes que apresentam características peculiares e regionalizadas do instrumento, relacionadas a práticas musicais restritas a ambientes geográficos pouco abrangentes.

A Viola caipira/sertaneja será representada por Paulo Freire e Levi Ramiro (SP)

A Viola do Nordeste, reconhecida por acompanhar repentistas, será apresentada por Ivanildo Vilanova, Antônio Madureira e Cássio Nobre (PE e BA);

A Viola de concerto terá Fernando Deghi (PR)e Marcus Ferrer (RJ)

As Violas singulares, com suas peculiaridades e suas claras referências regionalizadas, serão apresentadas por Sidnei Duarte (MT), Maurício Ribeiro (TO) e Rodolfo Vidal (SP).

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