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Vila Mariana recebe Viola dos 5 Cantos, projeto que enfoca a diversidade e a beleza da viola caipira

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O mineiro Zeca Collares é o idealizador do projeto que o Sesc abraçou e que mostrará ao público que for à unidade da Vila Mariana as belezas e particularidades da viola caipira nas cinco regiões brasileiras ; além dele vão se apresentar Júlio Santin, Adelmo Arcoverde, Daniel de Paula e o Grupo de Catira Botas de Ouro (Foto: Marcelino Lima)

Quatro dos mais conceituados violeiros do Brasil e o grupo de catira Botas de Ouro (Guarulhos/SP) vão se apresentar no mês de junho no SESC da Vila Mariana (SP) como atrações do Projeto Viola dos 5 Cantos, idealizado por um deles, o mineiro radicado em Sorocaba (SP) Zeca Collares. Autor de obras do gênero antológicas tais como Feito em Rendas, Primavera Mineira, Pés descalços e o mais recente Estação, Collares afirma que todo povo se faz caracterizar pela sua cultura autêntica e toda autenticidade se distingue nas raízes. “O exemplo disso é a nossa música popular que pode se orgulhar (e muito) por também ser gerada no bojo de uma viola caipira/brasileira”, aponta.

Ainda de acordo com Collares, por ser o Brasil um país de proporções continentais, a viola adquiriu sotaques diferentes em cada região e estados nos quais é fortemente cultivada. Estas características podem ser observadas com muita nitidez nas regiões Sudeste (Minas Gerais e São Paulo); Centro-oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde também aparece a viola de cocho); Nordeste (Pernambuco e Ceará); Norte; e Sul. É com esse foco que Zeca e os demais integrantes do Projeto Viola dos 5 Cantos Júlio Santin (SP), Adelmo Arcoverde (PE) e Daniel de Paula (MS) propõem shows individuais para revelarem toda a diversidade e belezas da viola caipira contemporânea das cinco regiões brasileiras, complementados por uma apresentação-oficina do grupo de catira Botas de Ouro.

As apresentações seriam em formato de espetáculos instrumentais ou vocais (conforme a característica do músico convidado) para, além do entretenimento, registrarem historicamente as nuances da viola brasileira em teatros ou em outros locais adequados, uma vez por mês, por tempo indeterminado ou não, em dias determinados da semana. O público vivenciaria ótima oportunidade para conhecer a evolução e o destaque que a viola galgou dentro da música popular, tornando-se mais íntimo desse fantástico instrumento que carrega em seu bojo e em suas cordas vários elementos da nossa cultura, muitos dos quais aspectos formadores de nossa (múltipla) identidade.

O SESC de São Paulo percebeu e entendeu o alcance desta proposta e programou as mostras abaixo para sua unidade localizada na rua Pelotas, 141, Vila Mariana, nas quais teremos regiões do país representadas nas seguintes datas, com apresentações no Teatro principal, às 20h30:

SUDESTE, 10/06/2015 às 20h30, JÚLIO SANTIN e 18/06, 20h30, ZECA COLLARES
CENTRO-OESTE, 12/06/2015, às 20h30, DANIEL DE PAULA
REGIÃO NORDESTE, 19/06/2015, às 20h30, ADELMO ARCOVERDE
CATIRA BOTAS DE OURO, 14/06/2015, às 16h30

A apresentação-oficina do grupo de Catira Botas de Ouro (Guarulhos/SP) está marcada para o dia 14, a partir das 16h30, na Área de Convivência do Sesc Vila Mariana. A música de viola sempre foi associada às festas populares e o grupo consegue envolver todo o público para uma dança coletiva, inclusive os alunos de viola caipira.

Viola dos 5 Cantos é uma produção da Chasquento Música & Meio Ambiente, que dispõe dos telefones 15 3211-0639, 15 3016-0167 e 15 998173-1512. 

O Sesc Vila Mariana, localizado na rua Pelotas, 141, fica a menos de 1.000 m da estação Ana Rosa do Metrô e tem o telefone (11) 5080-3000.

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Foto: Marcelino Lima

JÚLIO SANTIN nasceu em Irapuru,  na região da Alta Paulista (SP). Aprendeu a tocar e fabricar seus próprios instrumentos e atualmente, à frente da Associação Cultural Caipirapuru, colabora na promoção e preservação da música caipira na região onde nasceu organizando ações como o Caipirapuru (Encontro de Violeiros e Cantadores de Irapuru, Feira Regional Caipira, Festa do Milho e Fórum de Cultura Caipira).
Como músico, já se apresentou ao lado de Gedeão da Viola, Rio Pardo, Zeca Collares, Fernando Deghi, Levi Ramiro, Índio Cachoeira, entre outros. Em 2006 lançou o CD instrumental de viola caipira Sentimento Matuto e em 2014 Capim Dourado.
Com seus Cateretês, Pagodes, Guarânias, toadas e afins será o anfitrião representando a viola paulista em sua mistura máxima de estilos variados. O estado de São Paulo é uma síntese da diversidade cultural brasileira e a viola de Júlio Santin transmite muito claramente isso.
Serão executadas toadas, guarânias, rastapés, pagodes de viola em duas afinações distintas e representativas do universo da viola caipira no Estado de São Paulo: cebolão e rio abaixo. Ao longo do show, o violeiro falará das aplicações dessas afinações e importância no contexto regional, exemplificando com temas autorais.
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Crédito: Divulgação Daniel de Paula
DANIEL DE PAULA como representante de uma viola única, a Viola de cocho. Nascida no Pantanal e executada por ele com maestria, o instrumento traz no seu “cocho” a cultura viva do povo pantaneiro.
Neste show, o Viola de Cocho Pantaneiro, Daniel de Paula cantará e executará obras através da sonoridade ímpar do instrumento pantaneiro e mostrará que saboreia na rica história das vertentes musicais de fronteira até a formação do rasqueado mato-grossense, numa concepção inovadora. Será acompanhado pelo violonista Di Brandão para juntos trazerem uma interpretação e paisagem sonora que valorizam a música regional e a interação do cancioneiro mato-grossense com sua cultura. É autor de Lufada em Viola de Cocho e Viola e Sentimento.
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Crédito: Divulgação Zeca Collares
ZECA COLLARES com sua viola rebuscada e contemporânea e ao mesmo tempo singela, que vem das Folias de Reis, dos Calangos, dos Cocos e das Marujadas mineiras, representando Minas Gerais.
Musical e poético, o espetáculo aborda o nosso comportamento diante da vida e como isso se manifesta e influencia o outro. Trata da alegria, da tristeza, do amor, da indiferença, sempre colocando os “pés” como o termômetro destas manifestações sentimentais.
O espetáculo é estruturado em 16 composições autorais e cada uma delas retrata um tipo de “pé”: Pé Triste, Pé Alegre, Pé Que Vai e Não Volta, Pé de Mãe, Pé de Crianças, Pé de Uma Paixão, etc.
O espetáculo é sutil, envolvente e leva a plateia a se identificar com os temas que constroem o roteiro musical.
Zeca Collares é bacharel em Cinema e nascido em Grão Mogol (MG). Autor de obras do gênero antológicas como Feito em Rendas, Primavera Mineira, Pés descalços e o mais recente Estação.
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Foto: Glauce Oliveira

ADELMO ARCOVERDE (Serra Talhada/PE) é violeiro, compositor, arranjador, professor e pesquisador reconhecido em todo o país como uma das principais referências nordestinas de seu instrumento. Além do talento e da qualidade de seu trabalho, destaca-se por ser o principal responsável por desenvolver um novo conceito da viola popular, tradicionalmente utilizada por repentistas apenas para marcar a poesia de cordel. É autor de Convertido (2013). Apresenta-se com seu filho, o também violeiro André Arcoverde.
Com sua viola pura, oriunda dos repentes nordestinos, Adelmo Arcoverde é hoje o maior nome da viola Nordestina no Brasil, estilo único que se perde no tempo com as regras e belezas que só o Nordestino sabe.
Nos 11 temas apresentados, os Arcoverde mostram a verdadeira viola nordestina que funde com os temas característicos, virtuosismo e uma versatilidade no instrumento – com direito a improvisação – que flerta com ritmos universais, que vão do repente, do maracatu rural, do bumba meu boi e do fandango ao bluegrass.
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Crédito: Divulgação Botas de Ouro

FLORESTA E TIÃO RAMALHO são responsáveis pela música que o grupo BOTAS DE OURO dança: a catira, ao ritmo da moda de viola, o recortado e a chula.  A apresentação se inicia com coreografias complexas de sapateados. Aos poucos o grupo vai ensinando passos básicos da catira para o público, que vai interagindo com o mesmo até formar uma grande roda de dança.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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