Pamonha com uísque: Robson D’Angelo e Rogério Ribon encontram encruzilhada onde Mississípi e Piracicaba confluem

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Os músicos Robson D’Angelo e Rogério Ribon poderiam ter formado mais uma dupla Robson & Rogério como tantas, com direito à fama no programa do Faustão e de serem os queridinhos da Fátima Bernardes, mas encontraram a encruzilhada na qual os rios Mississípi e Piracicaba se juntam e, na terceira margem desta confluência, onde apearam para beber da límpida água, encontraram Robert Johnson pescando com Tião Carreiro. Raul Seixas afinava uma viola e ao ver os dois rapazes perambulando por ali, convidou-os para fitar um cigarrinho de palha. Durante a prosa, o Maluco Beleza recomendou: para além do ouro dos tolos, busquem uma concepção alternativa de tocar. Não precisa, necessariamente, ser uma metamorfose, ou um ponto extremo fora da curva, mas seria bom algo que passe longe do rame-rame que mantém famílias como macacos adestrados aos domingos no sofá, com seus saquinhos de pipoca e olhos calmos, apesar de tanto mau trato aos ouvidos. D’Angelo e Ribon entenderam o toque, e entre um gole e outro, agora de uma boa destilada na roça, resolveram que botariam o pé na estrada. Unindo paixões ao agradável, conceberam após um ano e meio de pesquisas um projeto que ganhou um irrepreensível repertório no qual pamonha se come tomando uísque caubói.

Ao som de uma viola de dez cordas (ponteada por Robson D’Angelo), e violões de aço e gaitas (tocados por Rogério Ribon) parte deste repertório ecoou na manhã de domingo, 7, no Museu da Casa Brasileira (MCB), situado em São Paulo. Os dois foram convidados a tocar no espaço que vem se tornando um palco de excelência para apresentar o Pé no Blues, o projeto de ambos que mescla tradicionais blues norte-americanos, de compositores como Johnson, Muddy Waters e Bo Diddley, com boas pitadas de música caipira. Temas como Sweet Home Chicago, Last fair deal gone down, a lendária Crossroads e Walking Blues, de Jonhson, fizeram parte do show, ao lado de Walking by myself (Jimmy Rodgers), Little red rooster (Willie Dixon) e Before you accuse me (Bo Biddley), e dialogaram sem barreiras com uma releitura gringa de A coisa ta feia (com direito à sinistra gargalhada daquele que carrega muitos dos que não são filhos de Deus em suas unhas), Canceriano sem lar (Raul Seixas), Bumerangue Blues (Renato Russo e Frejat) e ainda a divertida O mineiro, de Tony Damito.

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Atualmente residentes em Sorocaba, os músicos estão juntos há pouco mais de dois anos, mas apenas recentemente, com o interesse e a chegada dos produtores Marcos e Amanda Juliano, o Pé no Blues começou a decolar e aos poucos entra no circuito da música de qualidade. D’Angelo é formado pelo Conservatório de Tatuí (SP), enquanto Ribon desde garoto tem as manhas com a viola e o violão, interesse que surgiu em Viçosa (MG). Desde os 14 anos ele também curte, estuda, toca e canta blues, gênero que inclusive o levou a pontificar em bares noturnos antes de se unir ao atual parceiro. “O blues e o caipira têm muitos pontos em comum e um deles, inclusive, é a possibilidade de homens simples que viviam no campo por meio da música ascenderem socialmente, além de obterem inserção cultural”, afirma Rogério. “Além disso, há muita similaridade também nas afinações dos instrumentos, no modo de cantar e de sentir as composições, isto sem falar de aspectos fantásticos em torno das duas culturas, como os sinistros pactos que músicos promovem para se tornarem exímios violeiros”.

Quem perdeu o trem que levou os passageiros para ver o Pé no Blues em Pinheiros poderá utilizar o Metrô para desembarcar na rua Arcipreste Ezequias, 245, no bairro do Ipiranga, onde Robson D’Angelo e Rogério Ribon estarão para nova apresentação em 24 de junho, a partir das 21h30. O endereço abriga a casa Sampa Jazz, que tem o telefone (11) 3205-1007 e o endereço eletrônico sampajazz@gmail para reservas e mais informações.

Grupo Raízes de Atibaia

Sob a regência do maestro Rafael Cardoso, o Grupo Raízes de Atibaia manterá a atmosfera caipira no MCB neste domingo, 14, quando interpretará joias deste rico cancioneiro, bem como peças instrumentais escritas por autores da cidade que se localiza a menos de 70 quilômetros da Capital. Em sua formação, o grupo conta com violas caipiras, violões, flauta transversal e sanfona, distribuídos em naipes de solo, vozes e harmonia para executar, por exemplo, Cálix Bento, de domínio público, Você vai gostar, de Elpídio dos Santos, e Paçoca no Pilão, de Carlos Alberto Peranovich.

O MCB fica na avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.705, em Pinheiros, onde tanto no sábado, 13, quanto no domingo, 14, estará animado também por uma festa junina com as participações de Neymar Dias, Toninho Ferraguti e Badi Assad. Para mais informações ligue 11 3032-3727. 

mundo arte cor

 

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