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Aniversariante de hoje, 12 de junho, Daniel de Paula é atração do projeto Viola dos 5 Cantos, em Sampa

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daniel de paula

Nascido em Tangará da Serra, o violeiro de cocho Daniel de Paula, aniversariante de hoje, dará continuidade ao projeto Viola dos 5 Cantos, com Di Brandão, no Sesc Vila Mariana

O músico e compositor Daniel de Paula  (Tangará da Serra/MT), atração de hoje, 12 de junho, do projeto Viola dos 5 Cantos, que está ocorrendo no Sesc da Vila Mariana (SP), vai fazer sua apresentação em clima de festa já que nesta data ele também está comemorando mais um aniversário. Atualmente residente em Cuiabá, capital mato-grossense, Daniel de Paula, ao qual enviamos nossos votos de sucesso e os parabéns, representa no projeto que tem curadoria do colega de estrada Zeca Collares (Grão Mogol/MG) a viola de cocho, cultuada como uma viola única e singular, a que ecoa com mais fidelidade a sonoridade e a cultura dos povos da região pantaneira, instrumento que ele executa com maestria.

Neste show do Sesc, intitulado Viola de Cocho Pantaneiro, Daniel de Paula cantará e executará composições  ímpares que permitirão à plateia saborear a rica história das vertentes musicais de fronteira até a formação do rasqueado mato-grossense, numa concepção inovadora. O aniversariante será acompanhado pelo violonista Di Brandão para juntos trazerem uma interpretação e retratarem a paisagem sonora que valoriza a música regional e a interação do cancioneiro mato-grossense com sua cultura.

Daniel de Paula é autor dos álbuns Lufada em Viola de Cocho e Viola e Sentimento, este lançado ao final do ano passado com shows no Mato Grosso  no vizinho Mato Grosso do Sul,  com participações de  Di Brandão (violão), Marcos Azevedo (violão) e Júlio Santin (viola caipira), estes dois convidados por Collares para abrir na recente quarta-feira, 10 de junho, o projeto Viola dos 5 Cantos. As onze faixas de Viola e Sentimento reúnem músicas autorais e outras em parceira com Levi Ramiro, Brandão e Branco Barros e, em todas, é marcante  o virtuosismo de Daniel de Paula com a viola de cocho. De acordo com ele, as canções em viola de cocho “proseiam” com outros instrumentos como a viola caipira, o violão, o violoncelo, a flauta transversa, o pífano, o charango e quenas, apresentando aos ouvintes expressões tipicamente de fronteira, carregadas de histórias e das muitas vertentes advindas da miscigenação de nossa cultura com elementos folclóricos da região do Prata e do rasqueado mato-grossense.

A viola de cocho, por esta força representativa e aglutinadora, é instrumento tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e  ocorre principalmente na região da bacia do rio Paraguai, baixada cuiabana e Pantanal, incluindo os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Singular quanto à sua forma e sua sonoridade, produzida de forma artesanal com matéria prima encontrada no ecossistema regional, a confecção se processa a partir de um tronco de madeira esculpido a seu formato peculiar e escavada na parte que vem a ser a caixa de ressonância. Em geral possui cinco cordas de nylon, em particular linha de pesca de vários diâmetros, cuja afinação varia entre os sistemas canotio preso e canotio solto, rio acima e rio abaixo.

A habilidade de tocar este instrumento rendeu a Daniel de Paula uma das estatuetas do 3º Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola, em reconhecimento à gravação do disco  Lufada em Viola de Cocho, entregue em 17 de junho de 2013 no Memorial da América Latina pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira. O álbum foi agraciado na categoria Outras Vertentes e tem entre as faixas Papo de Viola, destacada para compor uma das obras primas do paulista  Levi Ramiro, Prosa na base do Ponteio. O mato-grossense também emplacou Curva de Rio entre os finalistas do 2 º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola, de 2006, e a própria  Lufada em Viola de Cocho no Prêmio Syngenta anterior.

Julio-Trio

André Rass, Júlio Santin, e Marcos Azevedo: big band da roça para tocar ritmos paulistas como cateretê, cururu e pagode, com o requintado direito a barulhos de rio e de chuva, além de fon-fon de porquinho de plástico (Foto: Silvana Carneiro)

Júlio Santin

Júlio Santin (Irapuru/SP) é médico cardiologista e na véspera de uma viagem aos Estados Unidos, onde está participando de um congresso de ecocardiograma, deixou o afazer da preparação das malas para abrir no teatro do Sesc da Vila Mariana o projeto Viola dos 5 Cantos. Santin foi destacado por Collares para apresentar e falar sobre a presença da viola na música caipira paulista por meio de duas afinações distintas e representativas do universo da viola caipira no Estado de São Paulo: cebolão e rio abaixo.

Ao longo do show, o violeiro falou das aplicações dessas afinações e importância no contexto regional, exemplificando com temas autorais em ritmos diversos como caruru, guarânia, rastapé, cateretê e pagode, e brindou o público também com um chamamé — ritmo que tem suas fontes na região da bacia do Prata, espraia-se até o Rio Grande do Sul e subiu até cidades do Mato Grosso do Sul, onde Santin cursou parte da faculdade, levado por nativos dentre outros locais da cidade de Corrientes, na Argentina. O chamamé, de acordo com Santin, tem evocações festivas e durante sua execução, marcado por um breque, ocorre um grito de alegria entre os ouvintes conhecido por “sapucai”.

Marcos Azevedo (São Paulo/SP) e André Rass (Dom Pedrito/RS), violonista e percussionista dos mais requisitados no meio, acompanharam Júlio Santin. Esta formação, na avaliação de uma fã de Santin que assistiu à apresentação permitiu colocar no palco uma verdadeira “big band da roça”. Ela se referia não apenas às variações sonoras que a atração principal conseguia extrair das cordas de suas violas, lembrando do samba à catira, mas também às performances de Marcos Azevedo ao atuar como violão-base para os ponteios de Santin, e à inventividade característica do gaúcho. Com suas cuias e cabaças, Rass trouxe para o show o autêntico som de águas correndo por rios e descendo por cachoeiras, além de produzir com fidelidade o barulho de chuva em peças como Cristalina e Tempo das Chuvas, além de um multi-instrumento artesanal que ele mesmo produziu, o qual toca com luvas e chama a atenção por ter em uma das extremidades … um cofre porta-níquel, de plástico, em forma de porco, cor de rosa! O porco, o décimo-nono que Rass “experimentou” apertando na banca de um mascate até encontrar a nota pretendida, foi utilizado junto com uma buzina fon-fon durante a execução de Circense, faixa de Capim Dourado, um dos álbuns já gravados por Santin, que lançou ainda Sentimento Matuto.     

O projeto Viola dos 5 Cantos terá, ainda, uma roda de catira aberta ao público na área de convivência do Sesc da Vila Mariana, oficinas de vivências restritas a alunos do projeto Curumim, e apresentações de Zeca Collares e de Adelmo Arcoverde (Serra Talhada/PE). 

O Sesc Vila Mariana, localizado na rua Pelotas, 141, fica a menos de 1.000 m da estação Ana Rosa do Metrô e tem o telefone (11) 5080-3000.

zcaarcoverde

 marino

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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