Barulho d'Água Música

Veículo de divulgação de cantores, duplas, grupos, compositores, projetos, produtores culturais e apresentadores de música independente e de qualidade dos gêneros popular e de raiz. Colabore com nossas atividades: leia, compartilhe e anuncie!

Almoce no Mercado Municipal de São Paulo ao som da viola do mineiro Wilson Dias (MG)

Deixe um comentário

wilson dis arte mercado

O violeiro e compositor Wilson Dias estará nesta quinta-feira, 18, no Mercado Municipal de São Paulo, ponto turístico da Capital paulistana, como convidado do Sesc do Carmo para apresentar entre 13 e 14 horas as músicas do álbum Lume, o sexto de sua carreira. Neste e em outros de seus trabalhos, Wilson Dias  reforça uma característica que historicamente se verifica em Minas Gerais: o de ser um estado fértil e terra inesgotável da qual já brotaram nomes consagrados em vários setores da arte e da cultura.

Natural de Olhos d’Água, cidade cujo nome por si só já evoca poesia, Wilson Dias comprova a bendita condição das Alterosas de revelar à nação gente que pode ser muito boa quando faz música, literatura, pintura, escultura e jogando bola; trem bão pelo qual o mundo inteiro acaba agradecido, uai, e pelo qual viajam o país Drummonds e Cacasos como expressa a joia Ó, Minas Gerais, de Sérvulo Augusto e Eduardo Santana, canção que Augusto gravou em Coletivo com a participação de Jane Duboc; “minas de ouro, minas de rimas, de tantos tesouros”, Tostões e Tavinhos que parecem florescer em cada clube ou esquina; Rosas e Brants que são patrimônios culturais como o pão de queijo, a broa de milho ou as estátuas de Aleijadinho; santuários de pretos em ruas de pé de moleque, montanhas douradas de verde ou veredas que conduzem a sertões e jequitinhonhas; berços de folias ancestrais, batuques e congadas e das várias manifestações e ritmos que a obra de Wilson Dias acolhe, preserva e soam em suas dez cordas.

Além de Lume, Wilson Dias já gravou cinco outros álbuns, nem todos como o violeiro que vem se consagrando dotado de rara técnica na lida com o instrumento. As composições que no início flertaram com a MPB, incluindo gravações de sambas, hoje transitam entre o caipira e o moderno e são tocadas e cantadas com sensibilidade e total entrega: um misto de devoção e de gratidão. As músicas, principalmente as instrumentais, em vários momentos, soam como peças de composição clássica de rara beleza.

Esta forma de tocar reflete um doce olhar de quem desde pequeno devota a natureza e se envolve com a divulgação da cultura do norte mineiro, motivado pelo ambiente familiar no qual a música e elementos da religiosidade, os costumes e o comportamento típicos de um sertanejo que luta com tenacidade pela sobrevivência e sua afirmação no mundo sempre regavam as descobertas e apontavam os caminhos que o menino, mais tarde, viria a seguir.  O mesmo menino que precisava caminhar 16 quilômetros para chegar à escola hoje atravessa o país e nos ensina a importância da preservação da memória e das tradições culturais dos vários rincões do país.

Lume saiu em novembro de 2014 e conta com a participação do professor da Universidade de Londrina (PR), arranjador e multi-instrumentista André Siqueira, produtor de vários discos do mineiro. Também estão presentes Déa Trancoso, Ná Ozetti e o poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues, compositor que assina várias belezuras neste álbum e de outros bambas como Pereira da Viola.

Serviço:

Lume é essencialmente um disco de canção. Por isso, nele, valoriza-se a sonoridade da palavra, chegando, assim, à melodia a partir do desejo de que o ouvinte pare e ouça a letra que, neste caso, não é mero ornamento, mas signo constitutivo do trabalho do compositor. Wilson Dias potencializa seu instrumento para dar asas à sua imaginação e inaugurar o encontro entre música e letra. O violeiro desvenda fronteiras, rompe preconceitos, funde territórios urbanos e rurais, particulares e universais. Nos acordes de uma viola caipira, imagens e ecos vindos de um certo João Guimarães Rosa, inesgotável; de um Paulo Leminski, irreverente; de sons de além-mar, da antológica e venerável Cesária Évora, o som forte e inconfundível dos tambores de congado, humilde reverência ao saudoso mestre e amigo, João do Lino Mar, e dos imaginários mares interiores das Gerais. Mistura, com maestria, graça e ironia, no melhor estilo popular Don Quixote e Lampião.  
Show Sesc no Mercado, com Wilson Dias
Quinta-feira, 18, das 13 às 14 horas
Wilson Dias – Voz e viola caipira; Pedro Henrique – Baixo, Wallace Gomes – Violão, Gladson Braga – Percussão
Local: Praça de Alimentação – Mercado Municipal de São Paulo – Rua da Cantareira, 306
11537268_1632388726972721_5614287474351562033_o
Anúncios

Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s