Mauri de Noronha (PE), cantor e declamador, apresenta no Sarau dos Conversadores (SP) músicas e poemas autorais

mauri conversadores

O cantor e compositor Mauri de Noronha (Garanhuns/SP) vai participar neste sábado, 27, de mais uma edição do Sarau dos Conversadores, evento que desde junho de 2013 já ocorreu vinte vezes, sempre no último sábado de cada mês, marcado por apresentações curtas, pontuais e com um bate- papo na medida das boas conversas. Desta vez, vão abrir e fechar o Sarau Cacá Mendes e Edson Tobinaga, que convidarão para dar seu recado no auditório da Livraria da Vila da Alameda Lorena (SP), além de Mauri, o Grupo Cartola Branca e o Beco dos Escritores, com Adriana Calabró, Angela Senra, Danielle Cotrim, Lidia Izecson, Nina Maniçoba Ferraz, Patrícia Cardozo e Paula Marina. Ao final da primeira metade do sarau, o público será convidado a participar, ampliando o diálogo e compartilhando com os artistas talento e criatividade.

Se todo artista tem de ir onde o povo está, ele precisa, também, indiscutivelmente, dos meios não apenas para chegar lá e honrar sua tarefa, mas também para dar o seu recado com o máximo de recursos e ferramentas, sem comprometer a qualidade de sua mensagem e trabalho, e gradativamente se firmar no cenário cultural em que estiver inserido.

Mauri de Noronha é um exemplo entre tantos outros que estão na estrada — recorrendo a uma frase que todos entendem o que significa –a buscar e já merecendo seu lugar ao sol. Há cinco anos residente em Aracaju (SE), estará em São Paulo até outubro, estabelecido no bairro da Mooca, aguardando propostas para apresentações. Entre 1975  2010 ele já viveu em Sampa e retornou agora para, entre outros objetivos, ser uma das atrações do 3º Festival de Arte Popular do Alto Tietê, atendendo ao convite do malungo e produtor cultural Déo Miranda (SE), que a exemplo do amigo também batalha para tirar do papel competentes projetos e para decolar a carreira de cantor e compositor que conduz na região de Mogi das Cruzes (SP).

Noronha esteve no Festival em 2 de maio, no teatro Contadores de Mentira, situado em Suzano (SP). A atração principal, na ocasião, era Fernando Guimarães (MG) — que ele, Noronha, descreveu como sendo uma “escola” — mas o pernambucano cantou, declamou e interpretou músicas e poesias autorais com tamanha emoção que alcançou não apenas a imediata empatia, como ainda a justa simpatia junto a todo o público, deixando a impressão de que brilha mais do que suficiente para também fulgurar em outros espaços, encantar outros auditórios onde quer permitam que ele vá e assim aumentar (ou começar a angariar) seu cordão de fãs.

O músico canta com força e notável expressão poética, além de declamar, épicos e contundentes textos que retratam belezas do sertão, denunciam sem panfletarismo toda exploração ao e o histórico sofrimento dos povos do agreste. A poesia de Mauri de Noronha trata dos descaminhos e dos amores e mesmo quando canta ele está declamando; essa é sua essência. O repertório é, portanto, autoral.  Ele subiu ao palco para entoar parte deste trabalho que transita entre o canto e a declamação, entre sertão e mar com a mesma maestria. Queixou-se do frio que estava sentindo em Suzano, mas depois em parceria com o flautista chileno Chico Pedro (Raíces de América)  deixou a plateia arrepiada.

Em companhia também do percussionista Afonsinho Menino (MG), Mauri almeja ao lado do chileno novos voos e já está inscrito, por exemplo, no 45º Festival Nacional da Canção. Este certame terá seis fases classificatórias em São Lourenço (24 e 25/7), Extrema (31 e 1/8), Varginha (7 e 8/8), São Thomé das Letras (14 e 15/8), Guapé (21 e 22/8) e Três Pontas (28 e 29/8), todas cidades mineiras. Em cada um destes municípios, os participantes serão postos à prova por um júri especializado. A banca selecionará cinco entre 26 músicas por etapa e trinta, portanto, irão às semifinais (4/9 e 5/9) em busca de uma das dez vagas para a final (6/9), ambas em Boa Esperança, sede do evento desde 1971.

A trajetória de Mauri  já registra outras apresentações na Capital – esteve, por exemplo, no al, da Funarte, e na Biblioteca Mário de Andrade. Mauri também possui dois trabalhos fonográficos gravados, mas conforme relatou ao blog, aqueles não representam suas atuais características.  “A apresentação que fiz com o Chico Pedro em Suzano é mais acústica, a flauta acrescenta uma roupagem ilustre ao que e à forma que eu canto”, ponderou. “Eu sou uma espécie de menestrel, embora o formato de meu violão não corresponda tanto àquele da idade média, quando os violeiros destacavam-se mais pela técnica”, prosseguiu. “Eu toco meu instrumento pela alma, sou mais um cantador do que um repentista”, explicou. “Adoro o repentismo e o modo de cantar que é feito de improviso, mas como dizem lá no Nordeste, eu sou um poeta de caneta: escrevo meus poemas e os coloco dentro de um contexto.”

O Sarau dos Conversadores começará às 19 horas, com entrada franca, na Alameda Lorena, 1731, Jardim Paulista, São Paulo. Depois da sua passagem pela Livraria da Vila, Mauri cantará na Casa da Farinha, em São Miguel Paulista, apresentando De repente, um cantador (31 de julho) e no Bar do Frango, no Parque São Lucas (8 de agosto).

Alemão

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