Poeta, fotógrafo, jornalista, compositor: hoje João Evangelista Rodrigues (MG) faz aniversário

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João Evangelista Rodrigues assina as poesias que viraram as faixas do álbum Pote: A Melodia do Chão, gravadas por Wilson Dias e por Pereira da Viola

O mineiro da cidade de Arcos que está comemorando mais um aniversário hoje, 4 de julho, não canta, e nem toca viola. Mas perguntem para os conterrâneos Pereira da Viola e Wilson Dias, por exemplo, de quem é boa parte das músicas com as quais eles nos encantam, entre as quais as faixas de Pote: A Melodia do Chão (2010) e a resposta virá em forma de mais pura poesia: João Evangelista Rodrigues.  Atualmente residindo em São Paulo, para onde se mudou há poucos meses, João Evangelista Rodrigues, além de compositor, é jornalista, fotógrafo, poeta e parceiro, também, de Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale, e Téo Azevedo, Rodrigo Delage, entre outros. Ex-diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Evangelista compartilha muitas das suas belas imagens clicadas no dia a dia em páginas de mídias sociais e entre outros livros publicou O Avesso da Pedra, Mutação dos Barcos e A Oeste das Letras.  Ao mestre que tão bem se expressa não apenas com as palavras, mas também por meio de suas imagens clicadas pelas ruas, portanto, o Barulho d’água Música expressa sua admiração e envia apertado abraço e votos de sucesso!

Sobre o álbum Pote: A melodia do chão*

O trabalho que marca a parceria dos músicos Pereira da Viola e Wilson Dias com o poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues pode ser entendido como uma metáfora da condição do homem no mundo contemporâneo, uma evocação do ambiente do mineiro a partir de uma visão crítica. O álbum é contemporâneo e primitivo, rústico e refinado, modelado pela sensibilidade da palavra e conduzido pelo fio mágico dos acordes da viola. O pote em si é cercado de simbologia, um objeto real e mítico que reflete a arte, a cultura, os valores, a religiosidade e as contradições da mineiridade. 

O trio de mineiros de águas fortes e confluentes, dos Vales do Mucuri, do Jequitinhonha e do São Francisco, tem raízes comuns no que diz respeito à cultura popular, ao sentimento de religiosidade e às convicções políticas, fundados na amizade e na defesa da cidadania.

João Evangelista, além da música, utiliza várias linguagens e campos de conhecimento para expressão como filosofia, jornalismo, literatura e fotografia. Destaca o papel da letra na construção da canção, orientando todas as etapas de produção do álbum: desde a composição, passando pelos arranjos, processo de gravação, interpretação, mixagem à concepção gráfica do encarte.

A viola, cada vez mais valorizada no complexo cenário musical brasileiro da atualidade, ganha uma nova aliada: a poesia, que se mistura de maneira equilibrada e harmônica com o timbre e com a autêntica sonoridade do instrumento. Assim, tanto do ponto de vista temático, quanto musical e poético, pode-se dizer que há uma verdadeira sintonia criativa e estética.

Ficha Técnica:
Pereira da Viola (voz, viola caipira, violão e rabeca); Wilson Dias: (voz e viola caipira e violão); André Siqueira: (direção musical, bandolim, guitarra e flauta); Wallace Gomes (violão); Pedro Gomes (contrabaixo); Dito Rodrigues (violão); Gladson Braga (percussão) e Carlinhos Ferreira (percussão)
*Da redação do site Curitiba Caixa, publicado em em 30/04/2012 – 13:04

Leia e curta abaixo poemas e fotos de João Evangelista Rodrigues

a folha espera o sono
enquanto brinca no ar
sonata de outono

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poema (s/título)

    os de 45
                   declaram guerra
                       aos de 22
                     os concretos
                      atiram pedra
                    contra os de 45
                  todos atiram merda
                       contra todos
                        contra tudo
                      o que vem após
                        nem de longe
                    espiam pela janela
                      a lua parnasiana
                  o signo da poesia pisca
                       entre neon e nada
                   a mesma letra escrita
                   a mesma letra escusa
                   a mesma letra escassa
                    a mesma luta insana
                        clava tupiniquim
                          a roupa suja
                        o varal da esquina
                            o marketing
                             em sangue
                         marginal floresta
                        a luta não termina
                      entre mortos e feridos
                    seja o que o leitor quiser
                         ninguém se salva
                        salve-se quem puder

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Envie seu abraço ao aniversariante Fernando Caselato (SP), violeiro que Egberto Gismonti recomenda

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O Barulho d’água Música registra hoje o aniversário de mais um expoente da atual safra de violeiros paulistas e envia o seu abraço e votos de sucesso lá para a Terra da Pamonha, Piracicaba, onde reside Fernando Caselato. Violeiro e instrumentista ganhador do prêmio revelação nacional da viola instrumental em 2004, Fernando Caselato acumula participações em oficinas, encontros, festivais e concursos nos quais sempre se destaca e participa das gravações dos álbuns que terminam por reunir os melhores trabalhos apresentados durante os eventos, tais como os discos Ao vivo no teatro Alfa em São Paulo e o 2º Circuito Syngenta de Viola Instrumental (este, de 2009, antológico pelo conjunto de revelações que elenca), sem contar inúmeros shows nas demais unidades do SESC e trabalhos como arranjador e compositor de trilhas e programas de rádio e de televisão.

A discografia de Fernando Caselato conta com o sugestivo Pé de Viola (2005), no qual com sua bem temperada viola brasileira toca ritmos típicos das vertentes caipira e regional do Brasil — onde tudo, se bem plantando e cultivado com apuro, rende — como toadas, rasqueados, chamamés, cateretês, batuques, pagodes de viola, arrasta-pé, baião, maracatus e choros, com arranjos ora marcados pela simplicidade, ora de rara sofisticação.

Em 2012, com o Quarteto Tau, assinou Cordas Brasileiras, projeto inédito produzido por Paulo Bellinati que casou a viola brasileira e quatro violões para traçar um panorama da música brasileira desde Ernesto Nazareth, passando por Angelino de Oliveira e Garoto, até encontrar preciosidades do próprio Bellinati e Weber Lopes, mais jovens compositores como Chico Saraiva, Emiliano Castro e Daniel Murray. “Além das músicas e das belas interpretações e arranjos, este grupo apresenta um CD que confirma o que eu mais gosto: alegria, com cara e jeito de música muito bem tocada, sem nenhuma formalidade na escrita” declarou Egberto Gismonti.

Ainda em 2012, agora com as bênçãos de Swami Júnior, chega o cedê autoral Solo das Cores, mostra das recentes composições e arranjos de sua autoria. Para a gravação, Fernando Caselato reuniu além de Swami Júnior, Luiz Guello, Chico Saraiva, Daniel Murray, Alexandre Ribeiro e Julio César.

O blog tem em seu acervo a obra completa de Caselato e a recomenda! Fica aqui, mais uma vez, nossos parabéns!

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