Noel Andrade, com a dupla Cacique e Pajé, canta em tributo a Gedeão da Viola em Barretos (SP)

noel andrade

O violeiro Noel Andrade (Patrocínio Paulista/SP) estará em Barretos, neste sábado, 25, e na manhã seguinte em Catanduva, ambas situadas no estado de São Paulo, em apresentações ao lado da dupla Cacique e Pajé. No Cine Teatro da primeira cidade, a partir das 20h30, Noel Andrade e o tradicional duo, mais o grupo de catira Espora de Prata e a Companhia de Reis Fazenda Cachoeirinha, serão atrações da I Mostra de Cultura Tradicional Gedeão da Viola, em homenagem ao mestre da viola caipira nascido em Limeira (SP) e que há dez nos subiu para o andar de cima. Gedeão e Noel conviveram por mais de uma década em Barretos, e com o amigo e professor o patrocinense aprendeu a tocar o instrumento que hoje o leva a percorrer várias localidades brasileiras e, a cada vez mais, afirmar-se como um dos melhores dos segmentos caipira e regional. Em Catanduva a cantoria está prevista para começar às 10 horas do domingo, 26, no Sesc.

Noel Andrade já está preparando novo álbum para prosseguir a jornada na estrada aberta com Charrua, disco de estreia que o levou a ser premiado com uma das estatuetas do Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola, em 2013, e a participar de programas de televisão como Metrópolis e Viola, Minha Viola (TV Cultura), Todo Seu (TV Gazeta), Dia dia Rural (TV Terra Viva), e Arrumação (Rede Minas). Em Charrua, gravou composições de Rosinha de Valença, Luís Perequê, Godofredo Guedes, Elpídio dos Santos, e Julio Bellodi, com participações especiais de Renato Teixeira (A força de um leão) e Ricardo Vignini (Magdala, instrumental); a parceria com Bellodi permanece no trabalho que está no forno em pelo menos cinco faixas.

cacique e pajé

A dupla Cacique e Pajé, alternando o segundo membro por duas vezes, adotou o nome em 1978, por sugestão de Tonico e Tinoco. Os pioneiros são Antônio Borges de Alvarenga, o Cacique, nascido em tribo às margens do Rio Vermelho (Rondonópolis/MT), em 25 de março de 1935, e Roque Pereira Paiva, o Pajé, natural da mesma aldeia e de 22 de agosto de 1936. Paiva faleceu em São Paulo, em 5 de março de 1994.  Índio Cachoeira o substituiu como Pajé até a entrada no posto de Geraldo Aparecido da Silva, em 1997. Ao longo da profícua trajetória, a história da dupla registra sucessos tais como o Milagre do batismo, Cidade Moderna, Pescador e catireiro, Caçando e pescando e Poema das cordas.

De autodidata a mestre

Gedeão da Viola conheceu ainda pequeno a dança da catira, pela qual se apaixonou, antes de se tornar violeiro. Residente em São Paulo, trabalhou como artesão consertando e reformando instrumentos de corda, e, assim, acabou encantado pela sonoridade da viola caipira, do qual foi aprendiz autodidata. Batizado como Gedeão Nogueira, ele também exerceu o ofício de peão de boiadeiro, além de montador de elevadores. Já em Barretos atuou como instrutor de rodeios e professor de viola, e passou a ser requisitado para animar várias festas populares, como a do Peão de Boiadeiro.

Como compositor, Gedeão da Viola emplacou músicas que entre outras formas de reconhecimento renderam premiações no Festival Violeira Rose Abraão de Barretos. Pau-Brasil, por exemplo, por mais de 10 anos serviu como abertura  do Viola, Minha viola apresentado por Inezita Barroso na TV Cultura de São Paulo. A mesma música foi trilha sonora da novela Serras azuis, na TV Bandeirantes, juntamente com outra também de sua autoria, Solidão sertaneja. Em Brasília, durante um festival de violeiros, representou o Estado de São Paulo. Acompanhou, durante 16 anos, Tião Carreiro e Téo Azevedo fazendo afinações na viola e participando de gravações. Entre seu diversos trabalhos destaca-se, ainda, a parceria com Ranchinho, da dupla Alvarenga e Ranchinho, na música instrumental Dois irmãos.

O mestre violeiro morreu aos 60 anos, em 27 de julho de 2005, em Barretos. Antes de desencarnar deixando um vácuo no circuito da viola, foi considerado como um dos quatro melhores violeiros do Brasil, além de ser o principal tocador de viola autêntica. Como legado deixou, ainda, as obras da discografia Pau Brasil (1988)Solos de viola em dose dupla (1998) e Toque Arranhado (1999).

 

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