Barulho d'Água Música

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Documentário Caminhos da Mantiqueira será tema de novos debates do projeto Imagens do Brasil Profundo, em Sampa

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mantiqueirense

A fala simples e a sabedoria dos mantiqueirenses, entremeadas a importantes informações geográficas, históricas e ambientais,  mais depoimentos na voz de especialistas, costuram com belas imagens e uma delicada trilha sonora  do violeiro Ricardo Anastácio o filme de Galileu Garcia Júnior

Em mais uma rodada do projeto Imagens do Brasil Profundo, a Biblioteca Mario de Andrade (São Paulo, SP) receberá na quarta-feira, 29 de julho, um debate com as presenças de Galileu Garcia Júnior e de Paulo Dias, com entrada franca, a partir das 20 horas. Na ocasião, antes da exibição do vídeo Caminhos da Mantiqueira, de Garcia Júnior, está prevista, também, a apresentação pelo blogueiro Marcelino Lima dos objetivos deste Barulho d’água Música — trabalho que em pouco mais de um ano de atuação e já beirando 600 matérias tem colaborado com os objetivos do curador do Brasil Profundo, Jair Marcatti, que é trazer à tona um país mais interior. Iniciado em 2014, na primeira temporada do Brasil Profundo foram convidados vários violeiros para falar sobre as ligações de sua música com a cultura caipira. Em 2015, com a ampliação do programa, passaram a ser abordados outros aspectos das diversas culturas regionais do Brasil, agora desvendados em diferentes formatos: shows, bate-papos musicais, debates e palestras.

galileu

Galileu Garcia Júnior

Galileu Garcia Júnior é sócio-diretor da produtora Mistura Fina e já assinou centenas de filmes publicitários e institucionais, além de vários filmes de curta-metragem, firmando-se como um importante nome na área. Galileu apresentará o filme Caminhos da Mantiqueira, documentário que em pouco mais de 70 minutos costura uma narrativa emocionante sobre a vida na região da Serra da Mantiqueira, onde vivem comunidades que têm identidade de origens diversas (como germânica, italianas, portuguesas e quilombolas) e cultura próprias, encravadas em localidades dos estados de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Durante 35 dias de expedições, uma equipe da Mistura Fina formada por dez pessoas lideradas por Galileu Garcia Júnior percorreu 40 cidades e vilarejos que ficam na cadeia montanhosa de 500 quilômetros de extensão e área de 10 mil quilômetros quadrados, semelhante ao Líbano.

caminhos

Neste período de gravações ambientalistas, tropeiros, poetas, violeiros, líderes religiosos, agricultores, e historiadores deram depoimentos sobre dados históricos, geográficos e ambientais da Mantiqueira, além de revelar na fala dos cidadãos mantiqueirenses com os quais Galileu Garcia Júnior interagiu o dia a dia das cidades e dos vilarejos percorridos e em cujas narrativas não podiam faltar causos como o do Lobisomem, da Mãe de Ouro e do Corpo Seco, contados com a graça que só os contadores de estórias têm. Tudo emoldurado por belas imagens nas quais podem ser notadas a exuberância da flora e de paisagens recortadas por cachoeiras, vales, trilhas e pequenas estradas, ao som da delicada trilha sonora composta pelo violeiro Ricardo Anastácio. 

 “É um documentário com ritmo, que aborda diversos temas da região, como água, pinhão, araucária e lendas, um pedaço do Brasil profundo”, explicou Galileu Garcia Júnior.

Para o ambientalista Lino Martins de Sá Pereira, da Fundação Mantiqueira, do Vale das Flores, de Bocaina de Minas (MG), a Mantiqueira não deveria ser tratada “apenas como um perímetro de quintal de lazer das grandes cidades, e sim ser considerada como uma região estratégica para o futuro, pois tem grandes fábricas de ar e de água, certa autonomia e um potencial muito grande que não tem porque não ser tratada como diferenciada”.

Outro depoimento marcante está nas palavras de Luís Felipe César, da Associação de Proteção Ambiental Serrinha do Alambari, de Resende (RJ). “Neste mundo utilitarista, a Mantiqueira precisa ser vista, mais do que uma grande reserva de água para grandes cidades, como um olhar mais profundo e considerada como um bem imaterial que fala às consciências das pessoas, no sentido mais espiritual. É uma grande montanha que nos obriga a olhar para cima, para algo mais, para além do que a gente é”.

O debatedor Paulo Dias é pianista, percussionista e etnomusicólogo, bacharelado pela Unicamp (Campinas/SP). Aprendeu percussão popular brasileira em vivências com mestres tradicionais de diferentes comunidades afro-descendentes e já realizou shows e gravações com artistas como Eliete Negreiros, José Miguel Wisnik, Oswaldinho da Cuíca, Grupo Beijo,Virgínia Rosa, Paulo Tatit e Sandra Peres, Mônica Salmaso e Ivaldo Bertazzo.

Atualmente, Paulo Dias atua como percussionista do Grupo Anima. Desde 1988, realiza extenso levantamento de tradições musicais populares brasileiras em diferentes comunidades, com destaque para as detentoras de tradições afro-brasileiras na região Sudeste. O resultado desse trabalho tem sido divulgado em publicações, oficinas, rádio, TV, discos e exposições. Ele dirige a Associação Cultural Cachuera!,  que tem como objetivo contribuir para a valorização da cultura popular tradicional brasileira e de suas comunidades produtoras em todos os setores da sociedade, com ênfase no meio educacional. A base do trabalho da Cachuera! é a relação com estas comunidades, pesquisando, registrando, divulgando e refletindo sobre suas tradições culturais.

Serviço
Imagens do Brasil Profundo
Debate com as presenças de Galileu Garcia Júnior e de Paulo Dias
Dia: 29/07, quarta-feira, às 20 horas
Local: Auditório da Biblioteca  Mario de Andrade
Rua da Consolação, 94, Centro, telefone (11) 3775-0002
Entrada gratuita

moinhoe

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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