Barulho d'Água Música

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Primeiro violeiro a tocar no Free Jazz Festival, Adelmo Arcoverde (PE) é o aniversariante de hoje

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O Barulho d’água Música envia hoje, 31 de julho, um abraço dos mais especiais para Nazaré da Mata (PE), cidade onde reside o aniversariante Adelmo Arcoverde, violeiro que traz em suas composições tanto o burburinho e o cheiro das feiras públicas, quanto a elegância e imponência das salas de concerto camerísticos quando empunha sua viola, e dos dez arames extrai sonoridades tipicamente nordestinas, desfilando peças instrumentais que remetem ao universo de cordel e seus múltiplos temas tanto populares, quanto universais, tais como romances proibidos, a saga de cangaceiros que guerreiam em defesa de sertanejos explorados, a fé e a esperança do camponês em seus santos. Adelmo Arcoverde, em julho, foi uma das atrações ao lado do filho, André, do projeto Viola dos 5 Cantos, organizado pelo violeiro Zeca Collares no Sesc Vila Mariana, de São Paulo. 

Com exceção de Campanário, composição que Adelmo Arcoverde apresentou sozinho no Sesc da Vila Mariana, e até então estava inédita já que brindou o público com sua primeira audição, todas as peças apresentadas no concerto para o Viola dos 5 Cantos fazem parte dos álbuns Convertido (cuja faixa título, conforme relatou o autor, faz referência à conversão ao catolicismo de Antônio Silvino, ex-cangaceiro anterior a Lampião destemido e impiedoso, mas que mijou para trás e descumpriu o trato de sangrar um cabra, deixando furioso o prefeito que encomendara o homicídio) e Mensageiro, respectivamente de 2013 e 2014. Os dois álbuns, que tanto sugerem um passeio pelos incipientes burgos da idade média, quanto um visita aos imponentes Conservatório de Pernambuco e Sala São Paulo (com direito a um saboroso naco de queijo de manteiga ou rapadura enquanto não fica pronta a pintura que se faz à mão ou se revela a imagem captada pelo retratista) podem ser adquiridos pelo endereço eletrônico adelmoarco@yahoo.com.br.  

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Mais sobre Adelmo Arcoverde

Em uma de suas vindas a São Paulo, na década dos anos 1990, Adelmo Arcoverde dividiu o palco da sala Cecília Meirelles, nada mais, nada menos, que com Turíbio Santos. Como se apenas este dado biográfico já não bastasse, foi o primeiro violeiro do país convidado a participar do Free Jazz Festival, em 1988,  quebrando  a histórica resistência dos promotores do evento em abrir espaços para representantes de outras sonoridades, principalmente para nomes tangentes ao do circuito popular da música brasileira.

Mas Adelmo é mesmo um ponto fora da curva, capaz de tocar clássicos de Vivaldi em uma viola caipira, a mesma na qual dedilha as cordas com a mesma técnica e versatilidade dos antigos trovadores. Não se sabe se ele, também, como reza lendas, teria introduzido os dedos em ocos de árvore ou de buracos em capelas retiradas em noite de lua cheia, mas referências espirituais marcam sua vida desde garoto. Adelmo teve avó rezadeira  e tanto dela, quanto da mãe católica, recebeu considerável bagagem a respeito do tema.  Com 17 anos, ele compôs Dança da Morte para homenagem o avô. Quando este morreu durante certa noite, ninguém avisou  o garoto, que, ao acordar no dia seguinte, abriu a porta e deu de cara com um caixão no meio da sala.

Em 1979,  Adelmo solidificou sua formação de músico popular, dois anos antes de, conforme o Dicionário de Música Brasileira Cravo Albin mudar se para Recife, onde ganhou diversos prêmios em festivais de música como arranjador, compositor e instrumentista. Em 1987, participou do disco Marvada viola, homenagem ao Capitão Furtado que saiu em vinil e contou, ainda, com Roberto Corrêa e João Lyra, além das participações especiais de Sivuca, Rolando Boldrin, e Zé Mulato e Cassiano.  Já em  2004, integrou o álbum Violeiros do Brasil, assinando a  faixa Antônio Conselheiro e o arraial do Bom Jesus. O disco foi gravado ao vivo no Teatro do Sesc Pompeia  (SP)entre agosto e setembro de 1997 e lançado em junho de 1998, pelo SESC-Núcleo Contemporâneo e, em outubro de 2004, relançado pelo Selo Revivendo. A edição apresenta importantes artistas da viola caipira das várias regiões do Brasil, entre os quais, Almir Sater, Zé Gomes, Renato Andrade, Roberto  Corrêa, Paulo Freire, Ivan Vilela, Pereira da Viola, Josias Dos Santos, Angelino de Oliveira, Renato Andrade, Tavinho Moura, Heitor Villa-lobos, Zé Mulato e Cassiano e Zé Coco do Riachão. O projeto foi idealizado pela produtora Myriam Taubkin e a gravação do disco foi sugerida pelo músico e produtor Benjamin Taubkin.

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Mensageiro, álbum lançado m novembro do ano passado, no Conservatório Pernambuco de Música e gravado no Batuk Studio, na cidade de Carpina, com a produção artística assinada por André Arcoverde, tem 11 faixas e conta ainda com a participação de Allison Budega de Freitas (baixo elétrico), e Júnior Codorna (percussão). O novo trabalho e Convertido valorizam a xilogravura em suas capas e encartes, reforçando a ligação de Adelmo, também, com a literatura de cordel.

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Ocupação Elomar: até 23 de agosto, no Itaú Cultural, em São Paulo. Entrada franca. Avenida Paulista, na saída da estação Brigadeiro do Metrô

 

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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