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600 – Conheça Simone Guimarães (SP), cantora e compositora paulista que Milton Nascimento adora!

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simone guimarães arte

“Simone Guimarães canta como na letra de uma de suas canções: parece o som do instante quando o rio encontra o mar! Simone é a melodista de uma geração, uma divina compositora, uma grande artista.”

Consuelo de Paula, cantora, compositora e poetisa

Nove álbuns gravados, indicações ao Grammy, parcerias com vários expoentes da música popular brasileira, entre os quais o padrinho musical Milton Nascimento, Danilo Caimmy, Ivan Lins, Paulo César Pinheiro, Renato Braz, Cristina Saraiva, Leila Pinheiro, Maria Rita e Maria Bethânia são marcas e conquistas do currículo da cantora, compositora, instrumentista e intérprete Simone Guimarães,  a quem o Barulho d’água Música dedica esta matéria especial, com a qual chega a seiscentas publicações.

Simone Guimarães é natural de Santa Rosa do Viterbo, cidade do Interior paulista, neta do compositor Antônio Guimarães, e desde muito cedo tem a música como elemento condutor em sua vida. Aos sete anos já tocava um cavaquinho que ganhara de presente, abrindo caminho para apresentações em pequenos eventos escolares e no Teatro de Arena da cidade. Já residente  em Ribeirão Preto (SP), após cursar o segundo grau, matriculou-se no Conservatório Carlos Gomes. Mais tarde, ao conhecê-lo, recebeu convite de Milton Nascimento para cursar a Escola Livre de Música, do próprio Bituca, em Belo Horizonte (MG). Ficou um ano por lá, e de volta a Ribeirão Preto, entrou para a universidade, em cursos de Jornalismo, História e Letras.

Antes de se profissionalizar como cantora de voz marcante, que remete a Elis Regina e tem sotaque de pão de queijo e café recém-coado, Simone Guimarães seguiu a trilha pela qual muitos artistas começam cantando: os bares noturnos, das cidades da região de Santa Rosa do Viterbo, e festivais, até consolidar seu trabalho — no qual há influências de Tom Jobim e de Villa-Lobos presentes em composições que variam do estilo regional ao erudito, da seresta à Bossa Nova, mas que se afirma, sobretudo, pela singularidade e sensibilidade de suas composições próprias. 

O primeiro álbum da carreira data de 1996, e chama-se Piracema. O álbum contou com patrocínio da Prefeitura de Ribeirão Preto para um projeto de despoluição do Rio Pardo, no mesmo ano que a santa-rosense gravou com os instrumentistas Olmir Stoker (Alemão) e Zezo Ribeiro Cordas Versos Cordas. Antes, em 1990, Simone Guimarães gravara, em videoclipe, Gueto à Califórnia e Todas as mulheres do mundo, ambas de sua autoria para a TV Globo do Nordeste paulista. E, em 1992, escrevera, com Paulo Jobim, a trilha sonora do programa de TV O canto da Piracema, produzido pela TV Globo, premiado com o troféu Libero Badaró.

Simone Guimarães também tem participação em outros dois programas da Vênus Platinada: Diogunho e o Globo Repórter A Rota do Sul, com João Pacífico, entre outros. A convite, participou do songbook de Tom Jobim interpretando O Pato Preto, e também aparece no songbook de Chico Buarque.

Cirandeiro, título do segundo álbum, conquistou a crítica em 1997. Recebeu duas indicações para o Prêmio Sharp, nas categorias Melhor Cantora e Melhor Arranjo. Com este trabalho, Simone Guimarães passou, então, a ser mais bem conhecida no meio musical, com a estrada aberta sobretudo pela faixa-título, escolhida por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, autores da novela, para compor a trilha sonora de A Indomada.

Já Aguapé (1999) conta com arranjos e direção musical de Maurício Maestro, mais participações especiais de Elba Ramalho, Ivan Lins, Danilo Caymmi e Zé Renato, entre tanta gente para lá de boa da nossa música! Em um dos shows desta turnê, estava no palco do Café Teatro de Arena (RJ), quando Bituca saiu da plateia, realizando com ela uma participação não programada. Foi nesta ocasião que Milton Nascimento tornou-se uma espécie de “padrinho” artístico de Simone Guimarães, convidando-a no ano seguinte para apresentar-se ao lado dele na temporada do seu show, Crooner. O autor de sucessos como Travessia (em parceria com o saudoso Fernando Brant) também gravou Pietá, com a participação dela em três faixas. E mereceu, em seu tributo, com emocionada interpretação de Simone Guimarães, a faixa Estrela Guia, de Ivan Lins e Vitor Martins.

O mais recente trabalho de Simone Guimarães é homenagem a uma das mais queridas, profundas e contundentes escritoras da Língua Portuguesa, ucraniana de berço, mas brasileira por adoção, Clarice Lispector. Clarice, de 2013, é inspirado no livro A Descoberta do Mundo. ”Ela me fez acreditar cada vez mais na profundidade do meu coração, do meu olhar, da minha visão de mundo”, afirmou Simone Guimarães em entrevista sobre o disco. “Clarice Lispector bancava sua profundidade, seu existencialismo, sua arte, pagava com a fragilidade e com um certo isolamento”, prosseguiu a cantora. “Ela é um gênio e, nesse livro, ensinou-me a aceitar minha arte e as agruras de certas angústias que não são muito comuns no cotidiano de quem não lida com a criação”.

Entre as 14 músicas de Clarice os fãs encontram Ana de Hollanda (Beija-flor Colibri), Novelli, Leonel Laterza, Ilessi, André Mehmari, Tiago Penna da Costa, Gaspar Moura e Miúcha. Além de composições próprias, Simone interpreta músicas de Milton Nascimento e Márcio Borges (Vera Cruz), Guilherme Arantes (Muito Diferente) e de Bia Paes Leme, Bena Lobo e Dudu Falcão (Raio de Luar). Clarice, como faixa título, tem poucos e intensos versos que são interpretados pela própria Simone Guimarães, Miúcha e Paulo Jobim, com um arranjo denso e delicado, como era o olhar da escritora homenageada. O trio também canta junto em Anseios de Sereia e, para completar o cheiro de maresia, Danilo Caimmy participa com uma flauta em Estrela do Mar. Em Como a Vida, o pianista Leandro Braga dá um tom triste e profundo, acompanhando as vozes de Simone e Miúcha. “Ando tão estranha, tão passiva, tão bonita/ Como a vida/. Que vontade de chorar./Cheia de poeira, de pedaços, tão inteira nos mosaicos./ Que vontade de chorar” é um dos trechos da letra de autoria de Miúcha, com a qual Simone Guimarães conta ter ficado muito honrada de cantar. “Ela é uma artista de cabeceira, amiga querida e, para mim, uma das maiores que já apareceram no Brasil”.

https://www.youtube.com/watch?v=e_7tSo0ZyeM

Chão de Aquarela

Cristina Saraiva é uma das mais próximas parceiras de composição de Simone Guimarães. Juntas, ambas lançaram, em 2012, Chão de Aquarela, álbum  com direção musical de Mario Gil, e que o Barulho d’água Música, gentilmente, recebeu da própria Cristina Saraiva na noite de ontem, 6 de agosto, quando a encontrou na Livraria da Vila, em Pinheiros, bairro da capital paulistana. Cristina Saraiva prestigiava o lançamento do novo disco e de um livro do violeiro Chico Lobo, evento do qual falaremos neste blog, em breve. Destacamos deste álbum, Chão de Aquarela, entre tantas composições marcantes, Olhos de Fogo, que pode ser curtida no vídeo abaixo, com as autoras cantando no Sr. Brasil, diante dos admirados olhos de Rolando Boldrin e com as participações de Cássia Maria (percussão), Thadeu Romano (acordeon) e Júlio Santin (viola). 

Estrela Guia, de Ivan Lins e Vitor Martins, que Simone Guimarães interpreta em Aguapé (#6)

Tua voz é tão bonita coisa mais bela não há
Voz do povo, voz da raça do Brasil, Minas Gerais
Estrela guia de Três Pontas um país a iluminar
Trovador da claridade teu segredo, onde é que está?

Tua voz nas estradas já não pode mais parar
Invadiu vilas, cidades, rios, selvas, pantanais
Nos deu voz de fé e faca de paixão, de conquistar
Cantador da liberdade teu segredo, onde é que está?

Coração de brasileiro ta no jeito de abraçar
Nossos olhos plenos d’água são teu jeito de encantar
Canta amigos, conta histórias que são coisas pra se guardar

Tua voz é tão bonita coisa mais bela não há
Voz do povo, voz da raça do Brasil, Minas Gerais
Índios, velhos e crianças voz de alento, a encorajar
Trovador da esperança teu segredo, onde é que está?
Onde é que está? No sertão da minha terra…
Onde é que está? No sertão da minha terra…

simone guimarães discos

Discografia de Simone Guimarães

  • Piracema(1996)
  • Cirandeiro(1997)
  • Aguapé(1999)
  • Virada pra Lua(2001)
  • Casa de Oceano(2003)
  • Flor de Pão(2007)
  • Candidos (2010)
  • Chão de Aquarela (2012)
  • Clarice (2013)
  • moinhoe
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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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