Barulho d'Água Música

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608 – João Omar (BA) lança no Itaú Cultural (SP) álbum para solo de violão da obra do pai, Elomar; Ocupação Elomar prossegue até dia 23

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João Omar trouxe a São Paulo, em 13 peças para solo de violão, aspectos da obra do pai, Elomar Figueira de Mello, que retratam com fidelidade o dia a dia do sertano, homem simples do campo baiano que mesmo diante de procelas que o afastam da terra natal jamais perde a fé e, sempre que possível, celebra as tradições com festas e outras formas de manifestação que o ajudam, de quebra, a preservar sua identidade (Foto: Ivson Miranda/Itaú Cultural)

Barulho d’água Música acompanhou na noite de quinta-feira, 13 de agosto, o concerto de lançamento por João Omar (Vitória da Conquista/BA) do álbum Ao Sertano,  obra na qual gravou 13 peças para violão solo de Elomar Figueira Mello, seu pai. A apresentação transcorreu no auditório da galeria do Itaú Cultural, em São Paulo, como uma das atividades da Ocupação Elomar — cuja proposta até 23 de agosto é permitir uma viagem ao universo do músico, cantor e compositor e também autor de romances, de poemas e peças de teatro, por meio de uma releitura da Casa dos Carneiros, a fazenda onde Elomar vive no sertão baiano. Ao percorrer os espaços montados para tal finalidade, o visitante poderá encontrar e ouvir discos de vinil, fitas cassetes e vários outros materiais inéditos que incluem objetos, partituras, cartas e registros literários de Elomar.

João Omar, durante o concerto, observou que a montagem inspirada na Casa dos Carneiros está tão fiel ao cenário original que até o ajuda a matar as saudades da casa. Durante a permanência no palco, ele tocou 9 das 13 peças do álbum, explicando à medida em que as ia apresentando particularidades relativas à produção de cada uma, revelando detalhes e informações por vezes bastante curiosas e até mesmo engraçadas que relata no encarte do álbum, cuja capa é uma imagem de 1982 do artista plástico Juracy Dórea.

ocupação

Vista de uma das dependências inspiradas na Casa dos Carneiros montada em São Paulo para a Ocupação Elomar, na galeria Itaú Cultural,  e na qual se pode ouvir fitas cassetes e álbuns em vinil de Elomar, além de visualizar partituras, ler cartas e apreciar objetos ligados ao compositor  e seu dia a dia na fazenda

Graduado em Composição e Regência e mestre em Regência Orquestral pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Omar trouxe nas cordas do seu violão toda a beleza e a grandeza da obra do pai nestas peças que narram aspectos da vida cotidiana do  sertanez (por meio de batuques, valsas, tiranas e até mesmo xaxado) relativos a temas como o trabalho no campo (a destoca e o chiquerar das cabras), sua relação com a natureza e alguns fenômenos inclementes como as secas que castigam e obrigam famílias inteiras a abandonar suas terras para fugir da fome, o apego e a crença em Deus e aos demais elementos manifestados pela fé para vencer procelas, mas também, referências às festas tradicionais do sertão nordestino, como a de São João, evocada na última faixa do álbum.  

“A obra musical de Elomar raramente é ligeira, é geralmente épica ou trágica”, disse João Omar, acrescentando que as composições do pai aproximam os ouvintes do sertão por meio da oralidade sem retórica ou fraseados farsescos apoiada em uma narrativa que permite vislumbrar — e, portanto, conhecer –, cenários e situações vivenciadas pelas personagens, quer sejam reais ou fantásticas.

(N.R.: Vale a pena, neste sentido, destacar: o sertano, a quem João Omar dedica a obra, nada mais é que o trabalhador, o vivente comum do grotões, mas que, em alguns aspectos, poderia ser considerado um ser mítico, posto nunca permitir que fotografem seu rosto — nem mesmo de perfil –, e só autorizar que o reproduzam de costas, por meio de desenhos ou de outra técnica. Assim, tanto forte no sentido euclidiano, quanto homem misterioso conforme o perfil roseano, o sertano sugere ser imaculado e transcendental, pois com seus hábitos e crenças não só salvaguarda as feições, mas ainda a identidade que lhe é única e sua profunda fé, talvez seu bem maior e imperecível que nem fome, nem a modernidade alcançam e conseguem destruir.)

Já ao final do concerto durante o qual ao talento nato do próprio músico tinha-se a impressão que se juntava a áurea do pai que ele ali representava (pelejando, inclusive, com uma unha quebrada há vinte dias, “a qual ainda não cresceu como eu queria”!) João Omar noticiou: vencida, enfim, as dificuldades para lançamento de Ao Sertano, em breve admiradores e fãs ganharão Ao apanhador de cantigas  álbum que “está no forno” e que  gravará com Daniela Lasalvia e o violonista Cao Alves, em homenagem a Dércio Marques (Uberaba/MG). Ainda neste ano, também, João Omar conta com a chegada de Riachão do Gado Brabo, disco que encerrará a fase das canções de Elomar, uma vez que o pai vem se dedicando à composição de óperas e outros trabalhos com formação mais erudita.  

Ocupação Elomar

• 15 de agosto, sábado, 20 horas

disco lomar

TOCA BRASIL – FLÁVIO PAIVA E BANDA DONA ZEFINHA

Invocado é adjetivo que leva a dois caminhos — o que se invocou em uma prece ou o que se invocou por cisma. Nesse caso, o escritor cearense Flávio Paiva recorre ao segundo sentido para apresentar um olhar sobre a música brasileira provocante e atemporal. O show é homônimo ao livro-CD lançado em 2014, com ilustrações musicais de autores cearenses em gravações acústicas da Banda Dona Zefinha. Distribuição de ingressos 30 minutos antes do início do espetáculo.

• 16 de agosto, domingo, 18 horas

TOCA BRASIL – A ROZA (MARIETA CAZARRÉ E JULIANO CAZARRÉ, 2013, 11 MIN)

O curta em 3D A Roza é uma animação que conta uma história de amor e desgraça, nas vésperas de um casamento, como tantas da tradição oral sertaneja. Elomar é o narrador do filme e João Omar autor da trilha sonora. O enredo é a adaptação do conto No Manantial, do regionalista gaúcho Simões Lopes Neto. Distribuição de ingressos 30 minutos antes do início do espetáculo.

O  Itaú Cultural fica na avenida Paulista 149,  ao lado da Estação Brigadeiro do Metrô, telefone  11 2168 1777 (fax 11 2168 1775). Mais informações pelo telefone 2168-1876, de terça a sexta, das 9 horas às 20 horas, ou no balcão de atendimento ao público. As filas para retirada de ingresso são formadas do lado de fora da galeria.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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