Barulho d'Água Música

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631- Ícone da cultura popular, parceiro de Dércio Marques e Elomar, João Bá (BA) comemora aniversário hoje

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joao ba

O menino que logo que perdeu o primeiro dente teve de começar a calejar as mãos no cabo da enxada, no sertão baiano, assim que fez 12 anos também já compunha iniciando a trajetória e a obra gravada por nomes como Almir Sater e que registra parcerias com Dércio Marques e Elomar (Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música)

O Barulho d’água Música não poderia baixar as portas do boteco sem registrar com a mais pura felicidade que neste primeiro de setembro transcorreu o aniversário do poeta, cantor, compositor, ator e eterno menino João Bá (Crisópolis/BA), músico dos mais admirados e queridos sobretudo porque, recentemente, não fosse o amor de amigos, familiares e fãs irmanados em uma corrente de solidariedade e fé estaríamos nesta data amargando um triste silêncio. Foram dias difíceis em meados de abril, mas do Norte ao Sul e de todas as partes do Brasil chegaram contribuições e preces evitando que a canoa dele virasse e complementando a competente intervenção cirúrgica da equipe do médico Rodrigo Quintela, do Hospital Octaviano Neves, de Belo Horizonte (MG), onde nosso bacurau cantante livrou-se dos incômodos do sistema urinário.

O zumbi que veio por aqui zanzar para levá-lo para a outra margem desta feita perdeu a viagem e João Bá, rapidamente, voltou aos palcos, logo apresentando-se em shows em São Paulo, no Sesc Interlagos, e em Campinas. E com a energia revigorada, dando corda novamente ao garoto que começou a trabalhar na lavoura familiar quando perdeu o primeiro dente,  mas mesmo enfrentando as mais terríveis procelas cresceu atento e amante da natureza e das tradições populares, tornando-se um marco com uma densa obra discográfica e artística. João Bá desfruta de um merecido lugar no coração e na crítica dos que batalham, como ele, pelo respeito às manifestações culturais autenticamente nacionais, ao lado de Hermeto Pascoal, Heitor Villa Lobos, do Velho Lua, do malungo Elomar e do seu saudoso parceiro Dércio Marques, entre outros a sua altura.  

São estes que escrevem, resgatam, e perpetuam  o Brasil por dentro e que felizmente apesar de toda a indiferença, a vesguice e a tirania da indústria do entretenimento formam o país que não cessa de gerar compositores, músicos e escritores que genialmente retratam as belezas dos grotões e das periferias, sua gente e suas riquezas, seja o sertão físico — aquele que tem vastas extensões territoriais em estados como Minas Gerais, Bahia, Piauí, Alagoas, Sergipe, Pernambuco; seja aquele que Elomar define como “profundo” — no qual só se penetra por meio de portais como o que se abriria a partir da pedra de Itaúna, ou seja, a porção mítica, imaginada, fantástica, que atravessa todos os tempos; ou também a que é  explicada por uma forma de ser e de agir, um estado de espírito, conforme se depreende do sentido roseano. O próprio menestrel da quadrada das águas perdidas que se tornou sertanez por dissidência do estado no qual nasceu — a Bahia entendida apenas como Salvador, cidades do Recôncavo e litorâneas por esta dar as costas ao e relegar o sertanejo –, é um destes bardos, assim como vem sendo João Bá, Levi Ramiro, Paulo Freire, Pereira da Viola e o foram João Guimarães Rosa, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Dércio Marques.

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João Bá chega aos 83 anos cercado pelo carinho e admiração de fãs e amigos de todo o país, entre os quais está a cantora Nanah Correia (Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música)

Hoje João Bá  alcança  83 anos de idade, mais ainda é um dos seus mais profícuos e incansáveis atalaias desta cruzada. Autor de mais de duzentas músicas, muitas gravadas por expoentes como Almir Sater, Diana Pequeno, Marlui Miranda, Hermeto Paschoal e o parceiro São Dércio, o menino que lidou com a enxada e as dificuldades da infância pobre já aos 12 anos também começou a compor e a cantar, sempre reverenciando e inspirando-se na natureza que o rodeava, tema recorrente até os dias de hoje em suas canções.

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Cantador respeitado por onde passa e já visitou, a obra de João Bá está reunida em sete discos independentes, além da participação em quatro faixas do álbum Aruanã, de 2005, lançado pela Warner-Chapelli/Y Records*.

Cavaleiro Macunaíma é a mais recente contribuição de João Bá na preservação e na divulgação destes universo e ânimo. O álbum ganhou noite de lançamento em junho de 2012 no Sesc Pompeia. O disco reúne cirandas, bois, toadas, xotes, repentes, batuques, canções populares de rendeiras e lavadeiras que falam de paisagens, personagens e ritmos da cultura popular brasileira. Participam da obra Toninho Carrasqueira, João Arruda, Ivone Cerqueira, Fernando Guimarães, Sérgio Turcão, Sérgio Teixeira e Edu Barreto, Levi Ramiro, Joaquim Celso Freire, Nádia Campos, Rita de Cássia Costa, Déa Trancoso, Vidal França, Xangai, Gereba, Carlinhos Ferreira, Katya Teixeira, Ney Couteiro entre outros tantos cavaleiros.

Comprar os  CDs do João Bá (Cavaleiro Macunaíma, Amigo folharal e 50 anos de carreira) é possível enviando mensagem  para Nanah Correia pelo endereço virtual nanahcorreia22@yahoo.com.br.

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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