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650- Viola Quebrada (PR) lança “Meus Retalhos”, álbum com o qual percorrerá seis cidades paranaenses

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O Viola Quebrada  iniciou com shows em São Paulo e em Curitiba a turnê do show Meus Retalhos que marcará o lançamento do álbum homônimo, de 13 faixas, sexto trabalho do grupo que está estabelecido na capital paranaense. O Viola Quebrada é uma referência não apenas no Sul do país de boa música caipira e de raiz e entremeia a composições próprias clássicos como Flor do Cafezal e Queria, ambas de Luiz Carlos Paraná, que incluiu no repertório que trouxe ao auditório da galeria Itaú Cultural, em São Paulo, na noite de quinta-feira, 17 de setembro. Nesta apresentação, com as participações de Mari Amatti e Consuelo de Paula, a plateia ouviu, ainda, Valeu, de Paulo Leminski, e As mocinhas da cidade (Nhô Belarmino e Nhá Gabriela)*; Valeu se tornou conhecida em 1981 na voz de Paulinho Boca de Cantor (Santa Inês/BA) e As mocinhas da cidade é considerada como o segundo hino do Paraná.

Meus Retalhos reúne composições e arranjos inéditos para ritmos variados, elaborados nos mais recentes seis anos por Oswaldo Rios (voz  violão)e Rogerio Gulin (violão e viola caipira), que formam o grupo com Rubens Pires (acordeon), Sandro Guaraná (contrabaixo) e Marco Saldanha (percussão), e assinaram parcerias também com Consuelo de Paula, Paulo Freire, Rubens Pires, Etel Frota, Chico Lobo, João Evangelista Rodrigues e Roberto Prado. Katya Teixeira, em Flor de Algodão, Álvaro e Daniel, e Daniel Vicentini (viola caipira) em Linda Flor do Paraná, também participam do álbum.

rios e gulin

Pelo conjunto da obra, o Viola Quebrada vem ganhando corpo nas redes sociais e resolveu disponibilizar o novo trabalho também em versão online. O repertório contempla temas contemporâneos como a defesa da natureza; êxodo rural; fé e festejos populares; e  amor, além de outros comuns ao cotidiano do sertanejo.

Nas fontes de Mário de Andrade

O nome do grupo formado em 1997 está inspirado em canção homônima do poeta e escritor estudioso da cultura popular, o modernista Mário de Andrade, que também destacou-se como pesquisador musical.  Desde a criação, o Viola Quebrada propõe a apresentação de motes clássicos do repertório caipira, em arranjos recriados que ganham vida pelas vozes e pelas cordas dos violões de Oswaldo Rios, da viola caipira de Rogerio Gulin, do acordeon de Rubens Nunes Pires, do baixo de Sandro Guaraná e da percussão de Marcão Saldanha. A discografia é composta por cinco discos, dos quais o primeiro, Viola Quebrada (2000) registra Pena Branca e Xavantinho, Roberto Corrêa e Terra Sonora. Em seguida saiu Viola Fandangueira (2002), duplo, só de fandangos, com a participação da Família Pereira de Guaraqueçaba, do Mestre Eugênio e Pedro Pereira, ambos da Ilha dos Valadares.

rios e amattirios consuelo

Sertaneja (2003) conta com Zeca Baleiro cantando o fandango paranaense Balão que cai. Neste mesmo, o grupo integrou coletânea da gravadora Kuarup chamada Caipiríssimo, com Rolando Boldrin, Pena Branca e Renato Teixeira. Já em 2006, Noites do Sertão trouxe faixa de Alaíde Costa. Em 2011, os fãs ganharam o CD e o DVD Viola Quebrada canta Cascatinha e Inhana com participação das Irmãs Galvão. Depois dessa caminhada, o grupo passou a se dedicar às criações autorais.

A turnê no Paraná do show Meus Retalhos,  a partir de 26 de outubro, segue abaixo. Para mais informações e contatos há os endereços e telefone violaquebrada@gmail.com/(41) 3324-1017 e www.violaquebrada.com.br e facebook.com/violaquebradaoficial

26 de outubro – Sesc água Verde (Curitiba) ƒ 27 de outubro – Sesc Ponta Grossa ƒ 28 de outubro – Sesc Guarapuava ƒ 29 de outubro – Sesc Cascavel ƒ 30 de outubro – Sesc Maringá ƒ 31 de outubro – Sesc Londrina

Contatos: violaquebrada@gmail.com/(41) 3324-1017/www.violaquebrada.com.br
facebook.com/violaquebradaoficial

Meus Retalhos

Repertório de Meus Retalhos 

1) Meus Retalhos  (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e Etel Frota)  
2) Caminhos do Campo (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e Etel Frota)
3) Zóio Seco (Paulo Freire e Oswaldo Rios)
4) Ilusões  (Oswaldo Rios e João Evangelista Rodrigues)
5) A Viola é que me Toca  (Chico Lobo, Oswaldo Rios e Roberto Prado)
6) Margarida (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e Consuelo de Paula)
7) Estação  (Rogério Gulin e Rubens Nunes Pires)
8) Louvação (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e J. Evangelista Rodrigues)
9) Viola de Palha (Rubens Nunes Pires, O. Rios e Dalton Luiz Gandin)
10) Rio do Peixe  (Rogério Gulin, O. Rios e J. Evangelista Rodrigues)
11) Violeiro e Poesia (Oswaldo Rios e Etel Frota)
12) Flor de Algodão (Rogério Gulin, Oswaldo Rios e Etel Frota)
13)Linda Flor do Paraná (Sérgio Penna, Oswaldo Rios e João Evangelista Rodrigues)

 

Autoria resgatada

Maior clássico da música paranaense, As Mocinhas da Cidade foi “resgatada” por uma decisão judicial pela família Graciano, herdeira do espólio da obra da dupla Nhô Belarmino & Nhá Gabriela que fez sucesso no país inteiro entre as décadas de 1940 e 1980A canção havia sido usurpada há cerca de dez anos pela banda baiana de forró Arriba Saia, que a alterou para Enche Bailão, deturpando a letra original de Salvador Graciano (nome real do Nhô Belarmino) para atribuir a autoria de Roney Brasil, líder da banda de forró. Com o novo nome, a música se tornou um grande sucesso no circuito de shows do Nordeste em 2005 . A notícia do furto da canção chegou em 2006 aos ouvidos do musico Ivan Graciano, filho de Nhô Belarmino, por meio de fãs da música do pai.

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Ivan Graciano, filho de Nhô Belarmino, em foto de Marcelo Andrade (Jornal Gazeta do Povo/Curitiba-PR)

“As pessoas viajavam para o Nordeste, ouviam e me ligavam”, disse Graciano. “Este pessoal simplesmente pegou a música do meu pai, modificou a letra colocando alguns versos de mau gosto e fez muito sucesso”, contou. “Em parte, tinha um lado benéfico, pois fez o povo cantar novamente a música. Se eles tivessem me procurado, eu teria autorizado com prazer como fiz nas outras diversas gravações da música”, observou. “Mas não foi isso que aconteceu, eles omitiram a autoria do meu pai e isso é inaceitável, ainda mais uma música como essa que não pertence só ao Nhô Belarmino, ou aos seus herdeiros, mas ao Estado inteiro”, concluiu.

O advogado asseverou que a ação foi uma das que lhe deu maior alegria em toda a carreira pois “resgata um patrimônio cultural paranaense e uma espécie de hino popular do estado”. Saraiva disse que pretendia, no entanto, recorrer da decisão: a sentença não incluia a gravadora como corresponsável, apenas o musico usurpador. Ele explicou ainda que a decisão estipulou o valor do dano moral (cerca de R$ 40 mil), mas os danos materiais serão calculados durante a fase de liquidação da sentença. “Na época do lançamento do disco, a banda deu declarações públicas que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias e isto foi comprovado nos autos.”

Para Ivan Graciano, a indenização vale menos do que o acerto de contas com a memória do pai. “Para nós da família, o mais importante é dar uma resposta para os fãs de Belarmino e Gabriela de que há uma sentença judicial decidindo a questão”. Presidente da Ordem dos Músicos do Paraná, acredita que a sentença também poderá servir como base legal para outros casos semelhantes, para restabelecer uma relação de respeito que deveria existir no mercado musical. “Meu pai me ensinou que música é um trabalho sério como qualquer outro e é preciso ser feito com responsabilidade”.

As Mocinhas da Cidade, maior sucesso da dupla Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, quase não foi gravada.  A música foi composta no tempo de solteiro (Salvador e Júlia Graciano se casaram em 1939). O pai já a cantava antes de formar a dupla com a mãe quando ainda se apresentava como Belarmino e sua trupe. Graciano recordou que Nhô Belarmino considerava a música “muito simples poeticamente e achava que ela cabia melhor nos espetáculos de circo que eles faziam”. Tanto que apesar de estar no reportório de Belarmino há anos, a música não entrou nas primeira gravação feitas por eles na antiga RCA no Rio de Janeiro no início dos anos 1950.

A música só foi registrada por insistência da Nhá Gabriela em 1959, como lado B da moda Paranaguá. Em 1961, a música foi incluída no primeiro LP da dupla e desde então é o seu maior sucesso projetando o nome dos dois em todo o Brasil. “A música era perfeita para o tipo de show humorísticos que eles faziam em dupla e virou uma referência da musica paranaense desde então”.

Anos depois, Belarmino compôs uma resposta à canção chamada As mocinhas do sertão. As Mocinhas da Cidade já teve mais de cem gravações inclusive em países como Alemanha, Portugal, Paraguai e Argentina.

https://www.youtube.com/watch?t=5&v=xjemVka15nM

 

 

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

Um pensamento sobre “650- Viola Quebrada (PR) lança “Meus Retalhos”, álbum com o qual percorrerá seis cidades paranaenses

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