653 – Paranambuco (PR), grupo que toca blues e baião com atabaques, lança Orun Ayê no Paiol

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Paranambuco, grupo de Curitiba que surgiu em 2010 e une os nomes dos estados do Paraná e de Pernambuco com intuito de estudar e apresentar ao público músicas que valorizam diferentes vertentes da cultura tradicional brasileira, com influências assumidas dos terreiros de umbanda, lançou o primeiro álbum na noite de domingo, 20, no palco do Teatro Paiol, em Curitiba. Orun Ayêtermo que de acordo com um dos seus integrantes, Fred Pedrosa, significa “entre o céu e a terra”,  possui arranjos nos quais se distinguem ritmos como coco, samba, baião, maracatu e xote, bem como ijexá, toruá, barravento, puxada de rede e jongo, entre outros que são populares no território nacional. Nota-se ainda influências de artistas contemporâneos como Kiko Dinucci e Criolo, além dos Novos Baianos, de Roque Ferreira e do Clube da Esquina.

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652 – Pedro Antônio recebe o “Pop Roça” de Tadeu Franco no Teatro Rondon Pacheco, em Uberlândia (MG)

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Tadeu Franco, mineiro nascido em Itaobim,  é o convidado da próxima rodada do projeto “Pedro Antônio convida”, que o receberá o conterrâneo em Uberlândia (MG) a partir das 20 horas, no palco do Teatro Rondon Pacheco. Tadeu Franco é um dos principais intérpretes surgidos no Estado na década dos anos 1980, fã confesso do-Clube da Esquina, no qual encontrou em Milton Nascimento o esteio para estrear no mercado fonográfico. Aos 10 anos, em Teófilo Otoni, Tadeu Franco ganhou um acordeom, mas gradativamente passou a ser violonista.  Logo estava despertando atenção  e provocando curiosidade em programas de calouros, circos, festas populares e até serenatas. Quando chegou a Belo Horizonte, conheceu o projeto Fim de Tarde, na Sala Humberto Mauro do Palácio das Artes. Ali, abriu as portas para embarcar no Expresso Melodia, que era abrigado em um caminhão de cujo palco eram feitas transmissões para a Rádio Inconfidência.

Com a carreira começando a torná-lo conhecido do público mineiro, simultaneamente os troféus arrebatados em festivais promovidos em templos como o Mineirinho e o Teatro Francisco Nunes foram se acumulando,  e encontro com Milton Nascimento ocorreu. Encantado com a voz do rapaz, prontamente, Bituca convidou-o para gravar Comunhão, música que assina em parceria com Fernando Brant,  faixa do álbum Ânima.  A gravação, que teve ainda a participação de Simone Bittencourt, tocou por emissoras de todo o país e tornou-se na esteira do sucesso clipe no Fantástico. Milton Nascimento também produziu o álbum de estreia de Tadeu Franco, Cativante (1984), que teve arranjos de Wagner Tiso e de Túlio Mourão, e que consagrou Nenhum Mistério e Se meu Jardim der flor.

Em 1990, Tadeu Franco gravou tanto no Brasil, como na França, Alma Animal, pelo selo Paixão Brèsil.  Neste trabalho dos mais bem acolhidos pela crítica especializada, há parcerias com Beto Guedes, Heraldo do Monte e Tomaz Antônio Gonzaga. Cinco anos depois, saiu  Orlando, pelo selo Velas, trazendo 16 músicas consagradas pelo “Cantor das Multidões”, Orlando Silva, com destaque para a interpretação de Rosa, de Pixinguinha.

O quarto álbum, Pop Roça, conforme o próprio autor define, virou um adjetivo para seu estilo, assim por ele explicado: “O nome ‘Pop Roça’ é um conceito que tem a ver com um jeito mineiro de se fazer música brasileira, algo que vem desde o Clube da Esquina”. Para Tadeu Franco, “o que aquela turma compunha passava por vários estilos, de balada a samba às canções de folclore com o Tavinho Moura, mas tudo com um sotaque mineiro”. Ele ainda observou: “Beto Guedes, Lô Borges, Wagner Tiso, todo mundo teve uma fase de fazer baladas roqueiras, que tinha influência dos The Beatles e guitarras, mas com um jeito muito próprio, pois mantinha um jeito matuto”.

Uma das interpretações mais marcantes de Tadeu Franco, Nós dois, é do também mineiro Celso Adolfo. A contribuição de Tadeu Franco à cultura mineira já rendeu ao cantor o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte  a Comenda Rômulo Paes, de Mérito Artístico e em Uberlândia se espera que ele adiante a Pedro Antônio informações sobre um novo álbum, cuja preparação já iniciou.

Serviço:

Pedro Antônio convida Tadeu Franco
Dia 26/09 – Sábado as 20 horas
Teatro Rondon Pacheco (Rua Santos Dumont, 157, Centro, Uberlândia)
Para mais informações e reserva de ingressos: (34) 3235-9182

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651- Da série “Vale a pena guardar”: Um tereré com a aniversariante Helena Meirelles!

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Um dia destes, organizando minhas tralhas cá no Solar da Lageado (onde instalamos a redação do Barulho d’água Música), entre meus bolachões de vinil encontrei o folheto cujas imagens compartilharemos aqui. Uma relíquia agora, o folder informa que entre 11 e 14 de agosto de 1994 estaria no Sesc Pompeia, em São Paulo, Helena Meirelles e Banda, conforme pode-se notar na parte frontal. As páginas do meio trazem dados biográficos e o repertório das apresentações.

A “grande dama da viola”, que recentemente caíra nas graças do público e da mídia (mas apenas após ser “descoberta” e merecer destacada matéria na revista Guitar Player, em novembro de 1993), na ocasião completaria 70 anos, em 13 de agosto de 1994. Naquele dia, fui prestigiá-la e, após o show, tive a honra de compartilhar no camarim um tereré com ela e com os músicos,  enquanto a parabeniza, e ouvi relatos muito interessantes sobre sua vida; Helena Meirelles era uma mulher de baixa estatura, se tanto não mais do que 1,60 m, e lembro-me perfeitamente de sua fragilidade: ao abraçá-la, pude sentir os seus ossos das costelas.

Dias depois, em 17 de agosto de 1994, dona Helena e a banda, da qual fazia parte o sobrinho, Mário Araújo, tocariam no Sesi da avenida Paulista (repare no alto da capa do folheto que anotei os então números do telefone dele, e a data na qual ocorreria a nova apresentação, agora no prédio da Fiesp). A convite de Mário Araújo, mais uma vez, fui vê-los. Até hoje tenho na memória a imagem dela tocando a caráter, usando chapéu pantaneiro, de camisa impecavelmente branca, calça preta, botas, lenço em torno do pescoço; marcou-me a intimidade com a qual ela dedilhava as cordas da viola dinâmica, produzindo uma sonoridade que permanece inigualável aos meus ouvidos; se não estou levando um passa-moleque da memória, em afinação “cebolão”, assim chamada porque ao ser tocada faz como a cebola ao ser cortada os olhos de quem ouve chorarem.

As letras “HM” que estão assinaladas também na capa do folheto é o autógrafo dela, suas iniciais, já que não sabia escrever. Helena Meirelles morreu quase dez anos depois, em Presidente Epitácio (SP), no dia 28 de setembro de 2005, gozando de um merecido prestígio, embora hoje esteja mais uma vez obliterada, sendo “apagada” e largada, desrespeitando-se sua obra e memória, a exemplo do que sofre, por exemplo, o legado de Dércio Marques, que só não prossegue no auge do anonimato por conta da obstinação de um punhado de fãs, de amigos e de pupilos. A Grande Dama da Viola, sem aspas, era natural de Bataguassu (MS), onde nascera em 13 de agosto de 1924.

Choro de tristeza, tiros de alegria

Em 13 de agosto próximo, a instrumentista sul-mato-grossense Helena Meirelles chega aos 70 anos em esplêndida forma, e os comemora no palco do Teatro Sesc Pompéia com quatro dias de shows. Ser reverenciada pela mídia nacional e norte-americana já se tornou um fato corriqueiro na vida repleta de acontecimentos insólitos dessa mulher, que viveu 67 anos em total ostracismo artístico.

O jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, tem a música de Helena Meirelles como “a herança folclórica do Mato Grosso em estado bruto, sem sofisticações. Os rasqueados que saltam de sua viola são integrados por melodias e harmonias ancestrais, frutos do aprendizado auditivo feito com o passar dos anos. É a tradição musical de uma região do Brasil, que chega incrivelmente intacta aos ouvidos de uma grande metrópole como São Paulo.” Nada mal para uma mulher analfabeta, que foi considerada a Spotlight Artist (Revelação) do mês de novembro passado pela Guitar Player, principal publicação especializada em violão e guitarra do mundo.

Em sua edição deste mês de julho, a Guitar Player apresenta a famosa palheta de chifre de boi que Helena faz às sextas-feiras santas, entre uma coleção de 101 palhetas pertencentes aos grandes heróis da guitarra, entre elas Eric Clapton, Jeff Beck, John Mac Laughlin, B. B. King,. Pete Townshend, Keith Richards, George Benson e muitos outros famosos nas últimas décadas. Em breve, Helena se tornará tema de um filme a ser dirigido pelo cineasta novaiorquino Douglas Cooper, prestes a chegar ao Brasil com esse propósito, além de que terá um CD lançado pelo selo Arhoolie, da Califórnia.

A história da vida de Helena Meirelles poderia ter sido tema para alguns dc nossos escritores regionalistas. Nascida numa sexta-feira treze, do mês de agosto, na fazenda Jararaca, próxima a Campo Grande (MS), a artista é uma virtuose que executa solos ligeiros e vibrantes cm instrumentos de corda como a viola caipira e o violão, este em diferentes afinações.

Helena Meirelles viveu perambulando por seu nativo Mato Grosso do Sul, animando festas, bares e bordéis frequentados por boiadeiros, tendo, também, sido parteira – fez sozinha, por onze vezes, os seus próprios partos – e benzedeira. Seus solos incluem raridades do repertório folclórico-sertanejo mato-grossense, com acentuada influência do Paraguai, e dentre eles podemos citar as polcas Guaxo, com a qual imita o ruído de um pássaro comedor de laranjas, e Araponga. No espetáculo comemorativo de seus 70 anos, Helena Meirelles convida a plateia a tomar um tereré, o chimarrão frio mato-grossense, e não conta causos, mas passagens reais de sua aventurosa vida, ilustradas com muitos dos belos solos que faziam valentes boiadeiros não apenas “chorar de tristeza”, como também “dar tiros de alegria”

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Discografia e filmes de e com Helena Meirelles

  • 1994 – Helena Meirelles
  • 1996 – Flor de Guavira
  • 1997 – Raiz pantaneira
  • 2002 – Ao vivo (também conhecido como De volta ao Pantanal)
  • 2004 – Os bambas da viola (compilação com um tema de Helena Meirelles)
  • Helena Meirelles – A Dama da Viola (2004); direção de Francisco de Paula
  • Dona Helena (2004); direção de Dainara Toffoli

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