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662 – Paulo Matricó (PE), poeta que entoa a essência do Sertão, é atração do I Congresso Nacional de Pequenos Agricultores, em São Bernardo (SP)

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“Eu viajei pra muito longe atrás do mundo novo e me realizar/quanto mais distante eu fui mais perto eu me encontrei aqui do meu lugar/ (…) Inconscientemente o povo corre atrás do novo e perde o endereço/ninguém trará de volta a feira, a roça e a cachoeira/tudo tem seu preço”

Apreço ao meu lugar, faixa 10 de Junho Também, de 1997, segundo álbum de Paulo Matricó

matrico arte

O cantor e compositor Paulo Matricó (PE) estará em São Bernardo do Campo, em 15 de outubro, como atração do 1º Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (que começará no dia 12 e prosseguirá até o dia 16). Paulo Matricó é um dos mais conceituados cantores  e compositores do Nordeste e relançou em maio para comemorar 20 anos da primeira prensagem o álbum Outro Verso, esgotada completamente após a projeção do artista no cenário da música brasileira. O disco, agora remasterizado, ganhou também uma releitura visual da capa e do encarte por meio de primoroso trabalho assinado por Paulo Rocha, constituindo-se em uma autêntica joia para colecionadores. A versão original, de 1995, bem como vários outros títulos da carreira de Paulo Matricó, pode ser baixada do blogue Quadrada dos Canturis, em Mp3. 

Se a mídia e a indústria do entretenimento não padecessem de crônico cinismo e da vesgueira que beira o criminoso e o tragicômico, Paulo Matricó seria voz corrente nas emissoras do país afora dividindo programações com nomes ao menos um pouco mais acalentados como Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Zé Ramalho, Ednardo e Luiz Gonzaga, por exemplo. Nascido no vale do Rio Pajeú, no município de Tabira (PE), poeta, declamador, cantor e compositor, Paulo Matricó possui um eclético repertório por meio do qual entoa desde poéticas cantigas a ritmos tradicionais do Nordeste tais quais forró-pé-de-serra (não o de grife, o de raiz!), xotes, baiões e xaxados e até reggae. Suas composições, conforme bem observou os Campeões do Repente ao assinar o texto por meio do qual o Quadrada dos Canturis o apresenta, “traz no coração a essência do Sertão onde se batizou nas águas da poesia popular ao herdar do pai e de grandes menestréis da cantoria de sua região a arte de contar histórias simples, com o apuro de métrica e a graciosidade da rima cadenciada”.

Criado no meio de poetas, repentistas e forrozeiros, Paulo Matricó moldou-se por  influências de grandes mestres da cantoria e da música popular do Nordeste. A carreira musical começou em 1990, em Caruaru (PE), com a formação do Grupo Matricó – expressão indígena que significa Pai do Fogo (instrumento rudimentar que pega fogo com atrito entre duas pedras). Em 1995 saiu a primeira versão de Outro Verso e de lá para hoje o autor vem construindo uma importante obra, com 10 álbuns publicados — entre os quais Maria Pereira, lançado na Alemanha em parceria com o compositor alemão Stephan Maria, marcando dois anos nos quais trabalhou e residiu no país europeu.

(Ao regressar à Pindorama, Matricó fez Forrozeiro e logo depois realizou um concerto acústico no Teatro do Parque, Recife, gravando em 2002 ao vivo Em Canto do Sertão, obra antológica com 30 sucessos que pontificam os melhores momentos de Matricó até então.) 

De volta à Europa, Paulo Matricó participou de festival de cultura brasileira nas cidades espanholas de Madrid e Sevilha (2007); outro trabalho destacado é o musical Cordel Operístico Lua Alegria, a partir do seu livro de 2012 em literatura de cordel  em homenagem ao centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Entre suas músicas publicadas estão composições em parceria com Cátia de França, Anchieta Dali e outros músicos e poetas do Nordeste.

Outro Verso réune as músicas autorais ou em parcerias Pau de Atiradeira (Papalo Monteiro), Da cor do chão (Anchieta Dali e Luiz Homero), Na roça (Anchieta Dali e Paulo Matricó), Moenda (Paulo Matricó, Luiz Homero e Miguel Marcondes), Fuxico (Dinho Oliveira, Gutemberg Vieira), Avoante Saudade (Paulo Matricó), Canção da lua (Paulo Matricó), Prosa mineira (Lima Júnior e Milton Edilberto), Terra Mãe (Luiz Homero e Miguel Marcondes), Fulorando (Anchieta Dali), Absorto (Zeto do Pajeú) e Coração Mamulengo (Paulo Matricó). 

Congresso reforça elo entre camponeses e trabalhadores

O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) realizou em junho o Ato de Lançamento Nacional do 1º Congresso dos Pequenos Agricultores, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em São Paulo, em evento que atraiu camponeses de todo país, o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT), Paulo Cayres, representantes da Consulta Popular, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), da Federação Única dos Petroleiros (FUP), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Levante Popular da Juventude e do Sindicato dos Advogados de São Paulo.

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Paulo Cayres: “a classe trabalhadora nunca formou covardes” (Foto: Divulgação MPA)

O 1º Congresso Nacional do MPA será realizado entre 12 e 16 de outubro em São Bernardo do Campo (SP), no Pavilhão de Exposições Vera Cruz. Com o tema Plano Camponês, Aliança Camponesa e Operária por Soberania Alimentar, os organizadores esperam receber 4 mil camponeses de todo o país, convidados e parceiros do movimento. Paulo Cayres entende que a aliança camponesa e operária é importante parceria na luta do trabalhadores, pois “não tem volta e não tem retrocesso”. O sindicalista ainda ponderou que “o Congresso Nacional pode até tentar um golpe contra o projeto dos trabalhadores, mas não sem resistência, pois a classe trabalhadora nunca formou covardes”.

(Fonte: Adilvane Spezia – Movimento dos Pequenos Agricultores)

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Álbuns disponíveis no blogue Quadrada dos Canturis, de Paulo Matricó. O cantor e compositor assina ainda Lavradores, de 2014. Para mais informações e para adquirir discos de Matricó há os telefones de Maria do Carmo de Andrade (81-99635 9740) e o do próprio artista (81- 99866 9930). 

[1995] Outro Verso
[1997] Junho Também
[1999] Maria Pereira
[2001] Forrozeio
[2002] Em Canto do Sertão
[2006] Paulo Matricó no Pé de Serra
[2007] Claro, O Coração no Cerrado (Indisponível)
[2011] Claro, O Coração no Cerrado – Ao Vivo

 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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