Barulho d'Água Música

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684 – É vez de Bilora Violeiro no Cine Teatro Brasil Vallouréc, palco do projeto Canto e Viola, em Beagá

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O violeiro, cantador e compositor Bilora voltará a se apresentar no projeto Canto & Viola nesta quarta-feira, 14, a partir das 19h30, agora no palco do Teatro de Câmara do Cine Theatro Brasil, situado na praça Sete de Setembro ntre a rua dos Carijós e as avenidas Afonso Pena e Amazonas, no coração de Belo Horizonte (MG). Bilora, que já foi atração da primeira temporada do projeto de Luiz Tropia e Tadeu Martins, promovida em 2011, agora cantará acompanhado pelo também violeiro Cícero Gonçalves. Para saber mais e comprar ingresso há o (31) 2626-1251
e também o linque http://www.compreingressos.com/espetaculos/5125-projeto-canto-e-viola-apresenta-bilora-teatro-da-camara.

Bilora é nativo de Santa Helena de Minas, onde fica o povoado do Córrego do Norte, a poucos quilômetros da Aldeia dos índios Maxakali, no Vale do Mucuri. Até por volta dos 18 anos, lidou com a roça, mas apesar do trabalho árduo que precisava dispender, ainda criança, à noite descansava ouvindo um rádio de pilha músicas de vertentes diversas à uz de candeeiro, passatempo que dividia com o futebol. “Como morava bem próximo a um campinho, à tardinha e nos finais de semana a pelada era sagrada”, contou ao blogue Em Canto Sagrado da Terra.

O dia a dia de Bilora de fato não era fácil. Para concluir o ensino fundamental em Santa Helena, ora caminhava, ora pedalava  dezesseis quilômetros, distância de sua casa até a escola. Já casado com a educadora Lane, passou a lecionar e em Teófilo Otoni conclui o curso superior de Letras, em 1992. Dois anos depois, em Ataléia, começou a trabalhar em salas de aula lecionando Português e Literatura Brasileira. Em 2.000 fixou moradia em Contagem, n região metropolitana de Belo Horizonte.

Entre a lida com a terra, os livros e o giz, Bilora aprendeu a tocar violão, ainda na adolescência, influenciado por um tio sanfoneiro (Armindo) e por um amigo (Dau). Simultaneamente, passou a participar, primeiro de shows de calouros, depois festivais, faturando desde então mais de setenta prêmios. Antes da carreira solo, Bilora formou dupla com João Brasil. Depois conheceu Pereira da Viola e Josino Medina e junto com eles, a viola caipira, instrumento pelo qual se apaixonou e nunca mais tirou dos braços.

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Cícero Gonçalves (Foto: Arquivo pessoal)

Bilora  valoriza a poesia em suas letras, carregadas ainda de valores tradicionais da cultura popular. O mais recente álbum, Nas Entrelinhas, junta doze canções de sua autoria. uma de Marcílio Menezes (Frutear) e outra de Zé Alexandre e Paulo Delfino (Canto de Folia). Dentre as doze canções que assinou, três são em parceria com João Bá (O Boto), com Marcoré Capitão (Rosinha e o Fumo de Corda), com Adriano Rosa (Minha Muié e Meu Cavalo). O álbum tem ainda participações de Chico Lobo, Paulinho Pedra Azul, Róbson Araújo, Selmma Carvalho, Tavinho Limma, Zebeto Correa e Zé Alexandre.

“Um dos mais promissores violeiros do Brasil é Bilora, talento que enobrece mais ainda este instrumento e  arte de  tocá-lo para deleite de um público cada vez mais devoto dos seus mil encantos”, escreveu o poeta Gonzaga Medeiros, conforme texto publicado no Em Canto Sagrado da Terra em 26 de dezembro de 2014 . “Como apresentador, vi Bilora ganhar muitos dos principais festivais de música do Brasil nos últimos anos”, prosseguiu Medeiros. “Digo isso, assino embaixo, reconheço a firma e registro em cartório: de Bilora se pode dizer que toca, canta e compõe diferente, bebendo sensibilidades artísticas na fonte primitiva da sagrada cultura popular brasileira.”
As apresentações do projeto Canto & Viola são sempre abertas pelo poema abaixo, de Tadeu Martins:

As dez cordas da viola

 

Violeiro é vagabundo
violeiro é beberrão
violeiro é mulherengo
violeiro tem pacto com o cão
Vi Jesus Cristo ao meu lado envergonhado
eu pedi perdão não acredite nisto meu Pai
eu vou Lhe dar uma explicação
isto é invenção do capeta
ele sempre quis ser violeiro
ele perde qualquer desafio é frio e não é verdadeiro
O capeta é um mentiroso ladino, tinhoso, embrulhão
ele jamais vai tocar viola
pois é Deus quem nos guia a mão
Violeiro que pega no pinho
com carinho faz sua escola
em verdade violeiro não toca
ele é tocado pela viola
O respeito que temos por Deus
é expresso nos dez mandamentos
a viola também tem dez cordas
que expressam dez sentimentos
A primeira corda do pinho leva o nome de LIBERDADE
só quem a conhece é que toca espalha leveza e verdade
O AMOR é a segunda corda deve ser tocada por inteiro
é forte e tem som de cristal é razão de ser do violeiro
Na sequência vem a CORAGEM: é uma cordinha encrenqueira
escorrega na ponta do dedo dá medo,
tem eira e tem beira
Dedilhar a corda da PAIXÃO faz qualquer coração se acender
se ela for tocada com força ela faz a canção se perder
A quinta é a corda do SONHO
é som verdadeiro e profundo invade a cabeça e o peito
e muda o ritmo do mundo
Uma corda sustenta as outras é vibrante o seu som lé-com-cré
é uma corda que nos consola na viola: o seu nome é FÉ
Tem outra corda especial cujo som ecoa e faz lambança
é quem amplia o som da vida: é a corda chamada ESPERANÇA
Corda difícil de se dedilhar é a corda fina da GRATIDÃO
faz barulho virar sinfonia, é afinada com o coração
Quem faz a canção ficar bela quanto mais fundo ela alcança
toca o filme da nossa vida a cordinha chamada LEMBRANÇA
A melhor corda da viola tem som de ternura e amizade
é ligada na fonte do peito faz chorar e se chama SAUDADE
Em verdade eu Lhe digo, meu Pai a emoção é que dá o tempero
mas só quem conhece as dez cordas pode ser um grande VIOLEIRO
Por isto eu Lhe peço, meu Pai ajude a levantar nossa bola
proteja todos os violeiros e abençoe o som da viola

Programação do Canto & Viola 2015

||14 de outubro – Bilora Violeiro||25 de novembro – Pereira da Viola|| 16 de dezembro – Chico Lobo

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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