Barulho d'Água Música

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732 – Fabrício Conde, Chico Lobo, Almir Sater: três dos melhores violeiros do país revezam-se em palco de Juiz de Fora (MG)

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Que ninguém se perca pelo nome oficial do evento que possibilitará a quem mora em Juiz de Fora (MG) curtir neste domingo, 22, entre 14 e 23 horas, a apresentação de três dos maiores violeiros da atualidade durante o Festival Rancho Sertanejo (de Raiz, atentem!) que será promovido no bairro Teixeiras da agradável cidade da zona da Mata. No palco que será armado na Avenida Deusdedith Salgado, 3955, irão se revezar Fabrício Conde, juiz-forano nato; Chico Lobo, de São João Del Rei e residente em Belo Horizonte; além do sul-mato-grossense Almir Sater. Universitários, lógico, também poderão prestigiá-los e, como o público em geral que for conferir esta dica do Barulho d’água Música, apreciar comidas típicas e cervejas artesanais. O ingresso já está à venda, parte de R$ 10, cobrados pela meia-entrada, e poderá ser reservado por meio do portal https://www.sympla.com.br/rancho-do-sertao–festival-sertanejo-de-raiz 49113.

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O Rancho Sertanejo também terá entre as atrações Tarcísio Manuvéi e Grupo Catira Raízes do Sertão, Júlio Marques Violeiro e Tino Gomes em Cantoria, Poesia e uns cauzim de Safadeza, além de show humorístico com a personagem Nerso da Capitinga e convidados na noite da terça-feira, 24, no Cine Theatro Central, que fica no calçadão da rua Halfed, sem número, no Centro de JF. 

Almir Sater, aniversariante de 14 de novembro, dispensa apresentações. Apontado como um dos maiores responsáveis pela redescoberta e valorização da viola caipira a partir de sua participação ao lado de Sérgio Reis na novela Pantanal, da extinta TV Manchete, escrita por Benedito Ruy Barbosa no começo da década de 1990, nasceu em Campo Grande (MS). Desde antes da trilha em que brilhou como ator, entretanto, Almir Sater marca o cenário nacional por conta do experimentalismo e de composições classificadas como atemporais que agregam à sonoridade tipicamente caipira da viola de 10 cordas influências das culturas fronteiriças do estado natal a traços populares e eruditos temperados com pitadas de blues, rock e folk. Em mais de trinta anos de carreira produziu dez discos solo gravados. Em 7 Sinais (2006) reforçou o repertório eclético e inovador com participações especiais dos sanfoneiros Dominguinhos e Luiz Carlos Borges.

Chico Lobo tem o mesmo tempo de estrada já percorrido pelo sul-mato-grossense e é incensado pela crítica como um dos mais ativos e efetivos violeiros no processo de divulgação deste instrumento, tanto no país como no exterior. Em setembro trouxe a Belo Horizonte os portugueses Pedro Mestre, Eduardo Braga, Vitor Sardinha e José Barros com os quais, apoiado por João Araújo, promoveu a I Mostra de Violas de Arame do Brasil. Um mês antes lançara com Fábio Sombra o livro Conversa de Violeiro, simultaneamente ao início da distribuição do seu mais recente álbum, Cantigas de Violeiro. Chico Lobo tem entre outros prêmios de destaque em sua estante o troféu Mineiro da Música Independente.

Fabrício Conde estará cantando praticamente em casa no bairro Teixeiras. Morador do Granbery, na porção central de Juiz de Fora, o violeiro conjuga como poucos rara técnica e simpatia e habitualmente toca sorrindo. Os tampos de suas violas costumam ser aproveitados como tambores e instrumentos de percussão típicos para enriquecer os ritmos que dedilha (ou palmeia!) e que cobrem vertentes que vão do universo caipira ao flamenco, passando pelo samba, por sonoridades caribenhas, ibéricas, latinas e ainda visitando as tradições afro-brasileiras e o repentismo. Tudo como bom mineiro, ainda domina a arte de contar causos e permeia seus números com trechos de poemas e crônicas próprias. Esta dedicação à cultura de vários povos e à literatura que traz em suas cordas e voz soma já mais de vinte anos, levou-o a giros pela Europa e turnês pela América do Sul —  continente no qual pesquisa músicas produzidas nas comunidades rurais do Chile, Venezuela, Peru e, país que visitou em outubro, Argentina. Destas viagens e vivências resultaram as composições gravadas em Fronteira, o mais recente álbum.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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