Barulho d'Água Música

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737 – Três anos de retiro em cidadezinhas de Minas Gerais resultam em valiosa joia instrumental de Roberto Zara!

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Roberto Zara conhece os veios por onde corre a música de Minas Gerais e deles extraiu uma pepita de rara beleza, lapidada em 10 faixas instrumentais que compõem seu primeiro trabalho autoral (Foto: Shirlei Gomes dos Santos)

O blogue Em Canto Sagrado da Terra, mantido por Daniel Lamounier, é todo dedicado à divulgação da música de qualidade que se faz em Minas Gerais. Lá se encontram disponíveis para serem baixados em mp3 álbuns completos, alguns antológicos e fora de cátalogo, e dependendo do artista ou banda até a discografia completa, apresentados entre textos da série Pelas Istradinhas de Minas  que traz dicas turísticas para passeios a cidades e lugares da hora, imagens e deliciosas receitas típicas que vão muito além do consagrado pão de queijo ou broa de milho. Quem visitar, com certeza, curtirá, ficará com uma coceira danada para querer baixar tudo!

Como sugestão para começar o Barulho d’água Música propõe Roberto Zara – Instrumental, uma pepita de ouro do ourives Roberto Zara, músico com 35 anos de estrada que já tocou e trabalhou com vários Venturini, circulou em e frequentou ambientes como o Clube da Esquina ou nos quais a Bossa Nova animava, integrou bandas na efervescente década dos anos 1970 e trabalhou com produção musical em estúdios de ponta. Ou seja, Roberto Zara entende do riscado e depois de alguns anos de maturação resolveu lapidar um trabalho autoral. Idas e vindas à Serra do Cipó,  permitiram após três anos “condensar” em 10 faixas tudo o que Zara sabe e aprendeu: ao final de quatro dias a pedra estava esculpida e se encerrava o retiro de “semanas isolado do caos urbano, ouvindo apenas o silêncio do mato para testar as infinitas afinações de suas violas” e oferecer ao público — conforme palavras do crítico Lucas Simões, do jornal Em Tempo  — “uma ode à cultura de Minas Gerais, repleto de arranjos de cordas que remetem à natureza, sons de pássaros e cachoeiras, além de outras simplicidades que se escondem atrás das tradicionais montanhas mineiras”.

canto sagrado

Roberto Zara contou a Lucas Simões que antes de pintar a vontade de gravar “um som genuíno de Minas Gerais em um álbum com a minha personalidade”, primeiro foi preciso acumular muitos aspectos de movimentos como o Clube da Esquina e a Bossa Nova; se ele tivesse de encontrar uma definição para todo o disco, talvez escolhesse a palavra “paciência”, cultivada em povoados da Serra do Cipó como Lapinha da Serra e São José da Serra. “Passava o dia testando afinações do bandolim em mi e de uma viola em sol, compondo, rearranjando, numa paz total e em clima muito mineiro”, revelou. “Guardei as músicas compostas lá até achar que elas estavam maduras para serem gravadas”. A tarefa, por fim, concluiu-se no estúdio Celsom, no Prado, e de forma totalmente analógica: “O instrumento precisa ser captado à moda antiga para soar como algo genuíno de Minas, não adianta fazer diferente com viola”, justificou.

Multi-instrumentista, Roberto Zara utilizou violas de 10 e 12 cordas, bandolim e mandolim (variação italiana do bandolim), além de violões de aço e náilon. Simões ainda observa que outros instrumentos dão corpo às canções do disco, tais como órgão, violino, violoncelo e flauta transversal, gravados no teclado pelo maestro e parceiro, Celso Ramos. “Eu quis usar essencialmente a viola e o bandolim neste trabalho porque representam a raiz e a essência de Minas Gerais. Os outros instrumentos são complementares e, apesar de serem clássicos, mantiveram a pegada popular do disco que eu queria”.  

A joia é mesmo preciosa, valerá a pena baixar. Mas fica a dica: façam contato com Zara e adquiram o álbum para valorizar também o trabalho dos outros artistas envolvidos! 

Sobre a tragédia em Mariana (MG) e as consequências que ela vem causando leiam:

http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/%e2%80%98impacto-de-lama-no-mar-seria-como-dizimar-pantanal%e2%80%99-diz-bi%c3%b3logo/ar-BBnhb9L#image=1

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Onda de lama de rejeitos atingiriam 10 mil km² em região conhecida como Giro de Vitória, importante celeiro de nutrientes para animais marinhos (Imagens © Copyright British Broadcasting Corporation 2015)

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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