Barulho d'Água Música

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775 – Seleção dos melhores lançamentos deste ano, conforme jornal de Campinas (SP), indica álbuns de Gato com Fome, Zé Helder e Chico Lobo

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A jornalista Marita Siqueira, do Correio Popular, um dos mais importantes jornais de Campinas (SP), escreveu para a versão eletrônica matéria na qual aponta entre aproximadamente 120 álbuns que ouviu os três melhores das categorias samba, MPB, rock, instrumental e regional. Marita Siqueira observou ter feito a seleção dos 15 títulos seguindo como critérios música, letra, interpretação e conjunto da obra. Nesta atualização, o Barulho d’água Música destaca para amigos e seguidores o trio da categoria Regional, mencionando ainda que figuram entre os álbuns da categoria MPB Carbono, de Lenine, que tem entre outros a participação Ricardo Vignini — violeiro paulistano que ao lado do mineiro  Zé Helder (cujo novo trabalho, Assoprar o Borralho, Marita também indica) prepara o lançamento agora em janeiro de Moda de Rock-Viola Extrema II.

A lista completa de Marita Siqueira poderá ser conhecida visitando a página virtual acessada pelo linque http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/12/entretenimento/405088-correio-faz-lista-com-os-melhores-discos-do-ano.html

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Assopra o Borralho, de Zé Helder

Marita Siqueira destaca no terceiro álbum autoral de Zé Helder a sonoridade acústica que recria a atmosfera do campo, ‘da roça’ propriamente dita, para reviver musicalmente lembranças da antiga Cachoeira de Minas (MG), terra onde o instrumentista nasceu e passou a infância.

O novo trabalho de Zé Helder foi gravado entre dezembro de 2012 e julho de 2014 no Visual Studio por Diovani Bustamante  em Pedralva (MG) –, e no Estúdio Bojo Elétrico por Ricardo Vignini — em São Paulo. A masterização coube a André Ferraz, do Estúdio Música Bacana. Participaram das gravações Jotagê Alves; Luciano Viera; Fabrício Santos; Diovani Bustamante; Guilherme Cordeiro; Romão Precioso; Seu Oliveira, Novaes; Edson Fontes; André Rass, Edson Hiroshi, Samuel Cardoso, João César e Ricardo Vignini. 

Assopra o Borralho traz momentos diferentes em violas ora densamente acompanhadas (como em Composição sobre os trilhos), ora só com um insólito didgeridoo (O boi). A faixa em tributo ao professor Hermógenes é uma folia de reis com tempero indiano, com participação dos mestres da música caipira tradicional Seu OliveiraEdson Fontes e Novaes; Hermógenes faleceu dias antes de o álbum ser lançado. 

O disco não está preso a um passado nostálgico e a formas musicais conhecidas. Percebe-se a influência de gêneros como landó (afro peruano), rock progressivo, serestas e cantores do rádio. O encarte procura valorizar as letras, que muitas vezes têm o formato de poemas, impressas em papel pólen, o mesmo usado em livros. Em algumas músicas Zé Helder evoca costumes da roça (Sabão de cinza, Assopra o borralho, Pão de queijo), homenageia a mulher Mariana e o filho Francisco (Com você tudo é outra história e Francisco, esta instrumental, respectivamente), ou ainda explora sonoridades orientais (As Bodas de Caná). 

Leia no Barulho d’água Música https://barulhodeagua.com/2015/03/20/ze-helder-lanca-assopra-o-borralho-seu-terceiro-disco-solo-com-show-gratuito-em-pouso-alegre-mg/

Gato com Fome

Gregory Andréas (cavaquinho), Cadu Ribeiro (pandeiro) e Renato Enoki (violão 7 cordas) formam o Trio Gato com Fome (Foto: Divulgação)

Em Busca dos Sambas de Raul Torres, do Trio Gato com Fome 

Durante um ano, o Trio Gato com Fome pesquisou a quase desconhecida obra de samba de Raul Torres, um dos principais nomes fundadores da música caipira, comenta Marita ao se referir ao criador de joias do cancioneiro caipira e regional como Chico Mulato e Pingo d’água (em parceria com João Pacífico), Marvada Pinga (parceria com Laureano), Saudades de Matão (com Jorge Gallati e Antenógenes Silva) e ainda Moda da Mula Preta. “Houve a preocupação em respeitar a melodia original, colocando a identidade do grupo nos arranjos. O resultado foi um belo registro histórico do samba rural paulistano que entrou para a história.”

O Trio Gato com Fome reúne Cadu Ribeiro (pandeiro), Gregory Andréas (cavaquinho) e Renato Enoki (violão 7 cordas) e tem como uma das principais características a vocalização, já que todos cantam. Baseia sua produção em sambas de gafieira e samba-de-breque.  O  primeiro CD, Trio Gato com Fome, apresenta no repertório músicas próprias além de composições de Alcebíades Nogueira (Não manche o meu Panamá, que foi sucesso na voz de Miltinho), Osvaldinho da Cuíca (Minha Vizinha), Rolando Boldrin (Onde Anda Iolanda), Adoniran Barbosa (Vila Esperança) e Conde (Bacharel de Gafieira) — esta sucesso de Germano Mathias que inspirou o nome do Trio a partir do verso “gato quando está com fome come até sabão”.  

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Raul Torres, ilustre filho de Botucatu, não escrevia apenas músicas caipiras, mas também sambas

Osvaldinho da Cuíca é  padrinho, além de amigo e mestre do Trio, revela Cadu Ribeiro. Enfatizando o lado “malandro” e bem-humorado da linha adotada pelos três, o jornalista André Domingues escreveu no encarte do CD: “O Trio come de tudo e com permanente e largo sorriso na cara. Come com gosto, sem dó. Raspa as panelas, limpa os bigodes na toalha, pede para dar uma olhada no que sobrou na geladeira. Tem que ser muito carola para achar que rir na mesa é desfeita para o prato. De jeito nenhum. É deixar a comida no lugar da comida: à disposição do prazer”.

Cantigas de Violeiro, de Chico Lobo

chico lobo e gabio

Chico Lobo é um senhor violeiro de São João del Rei, atualmente morando na capital do estado no qual nasceu, a cidade de Belo Horizonte (MG), com um respeitável tempo de estrada já percorrido: três décadas dedicadas não apenas à composição de folias, modas, batuques, catiras, folguedos, bois e toques de viola (sons inspiradores que fizeram o músico mergulhar na cultura popular e que ajudam a revelar o que há de mais profundo no Brasil) como ainda à pesquisa e projetos que revalorizam a vertente caipira e a viola de dez cordas.

Marita Siqueira entendeu que Cantigas de Violeiro, álbum que Chico Lobo lançou em agosto, reafirmou esta missão e o adicionou à lista divulgada no Correio Paulista. O álbum saiu com 14 canções do violeiro, mais duas músicas inéditas autorais, e convidados especiais como Rolando Boldrin (recitando em Simpatia da Cobra Coral), Tavinho Moura (Breu), Xangai (Boi Carreador), Pena Branca (Tropa) e Aldo Lobo (Criação), pai de Chico. 

O disco chegou juntamente com o livro Conversa de Violeiro (escrito em parceria com Fábio Sombra, ambos pela Kuarup Música) um mês antes de Chico Lobo receber em Belo Horizonte os portugueses Pedro Mestre, Eduardo Braga, Vitor Sardinha e José Barros com os quais, apoiado por João Araújo, promoveu a I Mostra de Violas de Arame do Brasil. Chico Lobo tem entre outros prêmios de destaque em sua estante o troféu Mineiro da Música Independente.

https://barulhodeagua.com/2015/10/10/681-chico-lobo-apresenta-se-e-promove-lancamento-de-novo-album-e-livro-em-atibaia-sp/

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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