Barulho d'Água Música

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778 – Cumprimente Neymar Dias (SP), multi-instrumentista e um dos mais respeitados violeiros do país, aniversariante de hoje!

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Antes de virar a página para celebrar a chegada de um novo ano, o universo da viola caipira (e por que não também o da música erudita) tem hoje, 30 de dezembro, um motivo dos mais especiais para festejar. O Barulho d’água Música entra nesta vibração e em nome de nossos e seguidores também parabeniza o compositor, arranjador e multi-instrumentista paulistano Neymar Dias, sem nenhuma possibilidade de errar um dos mais talentosos Músicos (sim, assim mesmo, com eme em caixa alta!) brasileiro. Neymar Dias faz aniversário e certamente estará cercado de amigos tão notáveis como ele, entre os quais podemos destacar Igor Pimenta, Toninho Ferraguti, André Mehmari, Tarita de Souza, Consuelo de Paula, Sá (da dupla com Guarabyra), Wilson Teixeira, Cláudio Lacerda, Rolando Boldrin…

A lista é extensa, escrever sobre Neymar Dias nunca é demais e sempre será muito fácil e agradável por que, entre outros motivos,  as opções que ele dá para nos ajudar no dia a dia a contornar a mesmice e a caretice que impregnam a música comercial que insistem em nos impingir ouvidos abaixo é muito valiosa e está sempre se renovando. Arranjos elaborados com seriedade e esmero, que jamais são produzidos “sobre os joelhos”, mas só depois de muito estudo, pesquisas, audições e experimentações; composições que conforme ele mesmo “fogem do caricato” e vão do universo caipira ao clássico, costurando harmoniosamente desde intrincados acordes de pagodes de Tião Carreiro às cantatas mais marcantes de Bach, que soam muitas vezes despretensiosas e quase imperceptíveis, noutras de forma marcante como recurso incidental quando notas de Jesus Alegria dos Homens dialoga ao final da peça com  The Long And Winding Road, de Lennon e McCartney, última faixa do álbum The Come Together Project, que Neymar Dias lançou neste ano com Igor Pimenta (contrabaixo acústico), no qual regravou, tocando viola caipira, 13 canções famosas dos quatro reis do iê, iê, iê que convulsionaram o mundo a partir de Liverpool.

Recentemente, o blog elaborou como dica para amigos e seguidores curtirem uma lista, de A a Z, de músicas instrumentais de viola caipira. Seria muita pretensão afirmar que se tratam, aquelas músicas, das melhores e mais bonitas já tocadas em todos os tempos; a seleção, por sinal, reuniu apenas uma parte pequena de tantas que poderiam dela fazer parte, entre muitas do acervo do blog. Uma afirmação relativa àquele rol, porém, vamos bancar como indiscutível: entre elas está Chamamé Azul, composta e tocada por Neymar Dias, à qual dificilmente alguém não daria o título, principalmente depois da palavra de Inezita Barroso, que não se cansava de pedí-la a Neymar Dias, tamanha era a admiração da rainha da música caipira por esta composição que abre o disco Caminho de Casa.

O aniversariante de hoje,  na definição do maestro Gil Jardim, autor do texto de apresentação na página virtual do músico que é uma das revelações também do Prêmio Syngenta de Música de Viola, “dá substância musical às suas composições com cores decididamente autorais. Naturalmente sua música revela também um forte traço antropofágico unindo gestos do universo da música sertaneja com gestos do universo metropolitano e cosmopolita; fundindo as poéticas de um Tião Carreiro e de um Ralph Towner na sonoridade das cordas duplas de sua viola”

Neymar Dias é filho de um compositor caipira, informa-nos Gil Jardim. Inicialmente autodidata, aperfeiçoou-se depois  em vários  instrumentos de cordas como viola caipira, guitarra, violão, baixo elétrico, guitarra havaiana e bandolim e estudou música, formando-se em composição e regência pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM). Em Orquestras respeitadas como a Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) e a Experimental de Repertório sempre atuou tocando contrabaixo com excelência, tanto no estilo popular, quanto no erudito. Juntando as raízes com a formação acadêmica,  é dono de uma bagagem que consegue colocar em benefício do jazz à música erudita, com especial propriedade à música regional brasileira. Desta forma, sempre é destacado por sua profundidade e musicalidade ímpares.

“Neymar Dias a cada dia que passa faz sua viola soar mais intensa, mais atrevida, mais brilhante”, escreveu no encarte de Caminho de Casa o cantor Ivan Lins.”Faz parte de uma nova geração de músicos brasileiros que teimam em preservar o maravilhoso nome de nossa música mundo afora e, com a ajuda de uma mídia mais generosa e patriótica em seu próprio país, poderá contribuir ainda mais para que o nosso povo possa se encantar e culturalmente crescer com ela”, complementou o autor de Bandeira do Divino, com Vitor Martins.

O xará de Lins, Ivan Vilela, é uma sumidade quando a conversa é viola e música caipira e também admira Neymar Dias (cumprimentou-o fazendo o gesto de inclinar o tronco, abaixando a cabeça e estendendo às mãos em um encontro entre ambos presenciado pelo blogue, recentemente, na unidade Pinheiros do Sesc). “A viola tem sido recriada nas mãos de muitos e alguns jovens têm singrado águas mais profundas nessa crescente relação com o instrumento”, observa Ivan Vilela, destacando que Neymar Dias, no disco de estreia já apontava “caminhos novos na maneira como lida com o instrumento, quer seja na expansão impressa ao usar ritmos tradicionais ou na abordagem de novos temas, claro, criados por ele”.

Por conta de todos estes predicados, Neymar Dias  já trabalhou com importantes nomes do cenário musical brasileiro, em  diversos segmentos, incluindo Inezita Barroso, Roberta Miranda, Tinoco, Leonardo, Ivan Lins, Théo de Barros, Naná Vasconcellos e André Mehmari, entre outros. A discografia própria inclui Capim, Caminho de Casa e Intervalo, este com o Neymar Quarteto — grupo de 2004 cuja proposta de revelar o encontro de diferentes estilos musicais em um quarteto de cordas não convencional e entre outras consagrações já abriu diversos shows de grandes personalidades como Toquinho, Chico Buarque e Chico Cezar, bem como protagonizou espetáculos em importantes salas de concerto como a Sala São Paulo. Os arranjos e composições escritos para o quarteto são de Neymar Dias.

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Toninho Ferragutti e Neymar Dias em foto de divulgação do Festa na roça

Outros destacados trabalhos de Neymar Dias, além do mencionado com Igor Pimenta, são Festa na Roça, que ele gravou em parceria com Toninho Ferragutti, e suas participações em O Tempo e o Branco, de Consuelo de Paula, a Árvore e o vento, de Tarita de Souza, o recente Casa Aberta, de Wilson Teixeira, mais Trilha Boiadeira, de Cláudio Lacerda, e As Estações na Cantareira, com André Mehmari e Sérgio Rezze, todos de 2015; Festa na roça concorreu ao Grammy Latino de 2014 na categoria de melhor álbum de Música Brasileira de Raiz. No final deste ano Neymar Dias protagonizou concertos nos quais já apresenta composições do próximo disco, arrancando elogios e aplausos como os do maestro Nelson Ayres ao repertório erudito que contempla peças de Bach, Mozart e Villa-Lobos, além de suas próprias criações para viola solo, em algumas levando o instrumento caipira a explorar sonoridades que aproximam-se muito da do cravo (cujas cordas são beliscadas, e não percutidas como o piano), bastante utilizado atualmente na execução de peças dos séculos XVII e XVIII.

Neymar Dias e o Neymar Quarteto em apresentação no 11º Festival das Montanhas, realizado em 2010, em Poços de Caldas (MG)

Neymar Dias em Chamamé Azul, durante nova apresentação em Viola, Minha Viola

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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