Barulho d'Água Música

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789 – Sesc Ipiranga promove em janeiro atividades e espetáculos com expoentes da Vanguarda e do Lira Paulistana

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O Lira Paulistana começou como um pequeno teatro em Pinheiros, depois acolheu várias outras formas de manifestação artística dos integrantes da Vanguarda Paulistana engajada com a renovação de linguagens e do conceito de entretenimento durante seis anos, agitando os parâmetros culturais não apenas em Sampa, mas país afora (Foto: Arquivo Pessoal de Calil Neto)

O Sesc Ipiranga está promovendo espetáculos musicais e atividades protagonizados por expoentes da turma de artistas que formou a Vanguarda Paulista entre 1979 e 1986, inicialmente concentrada no teatro Lira Paulistana, que ficava situado no bairro de Pinheiros, na cidade de São Paulo. Batizado Lira Paulistana: 30 anos. E depois?, o projeto pretende gerar reflexões e por em debate a produção contemporânea, convidando-os para discorrer sobre os caminhos da criação e como se desenha hoje, em Sampa, os espaços catalisadores da nova produção e do experimentalismo. O cronograma começou a ser cumprido com apresentações de Luiz Tatit, Arrigo Barnabé e Lívia Nestrovski e Cida Moreira, nos dias 8, 9, e 10, e terá sequência até o último dia de janeiro, com ingressos cotados entre R$ 6 e R$ 20,00.

Os seis anos que abalaram São Paulo e mudaram o jeito de fomentar a cultura popular e oferecer opções de entretenimento muitas vezes apoiadas em linguagens e recursos inovadores e contestadores, em um momento no qual o Brasil começava a sair das amarras da censura e os anos de chumbo a derreter, remontam a 25 de outubro de 1979. Naquele dia começou a pulsar um teatro cercado por arquibancadas capazes de acolher 250 pessoas, em um porão situado na rua Teodoro Sampaio, uma das mais tradicionais e movimentadas vias de Pinheiros e da Capital. Vivia-se a estreia da montagem teatral É fogo paulista, com direção de Mário Mazetti, conforme consta no blogue Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista.

O pequeno espaço, concebido para ser apenas um teatro, já conhecido pelo nome Lira Paulistana, passou a ser frequentado também por músicos, cineastas, escritores e poetas, artistas plásticos e jornalistas, entre outros. “Em pouco tempo, virou o ponto de encontro da Vanguarda Paulista, que nada mais foi do que uma explosão simultânea de artistas de enorme criatividade, em um dos mais estimulantes movimentos culturais experimentados pela capital paulista”, destaca os responsáveis pelo blogue que pode ser acessado com um clique no linque em azul claro.

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Itamar Assumpção (de óculos, ao centro) e os amigos da Banda Isca de Polícia, com os quais gravou Beleléu, primeiro registro fonográfico do selo Lira Paulistana (Foto: Arquivos Pessoais de Riba de Castro)

O afluxo do público, de intelectuais, de artistas e de agentes culturais, somado à efervescência e à força do que era produzido no teatro Lira Paulistana (já transformado em Centro de Artes, gravadora e editora) em pouco menos de um ano tornaram o porão pequeno para concentrar tamanha variedade e as manifestações e atividades que ali encontravam lugar terminaram por se espraiar para diversos pontos – um dos quais a Praça Benedito Calixto, defronte à sede. Espaços populares e icônicos como a Avenida Paulista, a Universidade de São Paulo (USP),  e o bairro do Bixiga constaram entre estas extensões, mas a Vanguarda Paulista ainda desceu ou subiu serras rumo ao Litoral Paulista e a Campos do Jordão, por exemplo. E provocou filas e lotações históricas quando recorreu a palcos de casas como os teatros Bandeirantes e da Universidade Católica da PUC-SP (Tuca).

O Lira Paulistana teve um selo fonográfico que estreou com a gravação de Beleléu, bolachão de vinil com Itamar Assumpção e a banda Isca de Polícia, além do semanário cuja pauta obedecia a divulgação de projetos e de eventos culturais e de lazer e muitos serviços. Uma das edições, em janeiro de 1982, homenageou a cantora Elis Regina, que acabara de morrer.

O blogue que o Barulho d’água Música utilizou como fonte de pesquisa lembra que Itamar Assumpção era colega de ilustres da cultura nacional como Tetê Espíndola, Ná Ozetti, Luiz e Paulo Tati, Suzanna Salles, Cida Moreira, Nelson Ayres e Jorge Mautner, que também batiam ponto no teatro Lira Paulistana. Laura Finochiaro, Paulo Caruso, Passoca, Paulo Barnabé, Kid Vinil, Lanny Gordin, outros que tinham a carteirinha, sempre pintavam por lá para trocarem figurinhas com os integrantes de grupos e de  bandas tais quais Língua de Trapo, Premê, Rumo, Paranga, Ultraje a Rigor, Titãs, Ratos de Porão, Mercenárias, entre outros.

 http://www.vanguardapaulista.com.br/breve-historia-sobre-o-lira-paulistana/#sthash.JbTcKmBw.dpuf

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Tetê Espíndola e Bocato estão entre as atrações do projeto do Sesc Ipiranga sobre os legados do Lira Paulistana (Fotos: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

Programação de shows do Sesc Ipiranga

15/1, 21 horas: Grupo Pau Brasil e Quartabê: Releitura do repertório do compositor Moacir Santos 
16/1, , 21 horas: Os Inocentes convidam Jonatta Dolls para tocar sucessos da banda punk
17/1, 18 horas, Língua de Trapo e Danilo Moraes: Clássicos dos anos 1980
22/1, 21 horas, Divina Increnca: A riqueza rítmica da música popular com linguagens contemporâneas. 
23/1, 21 horas, Tarancón e Tatá Aeroplano: Repertório mescla músicas brasileira e latino-americana
24/1, 18 horas, 365: Apresenta repertório de sucessos da carreira
25/1, 18 horas, Bocato fará uma síntese dos três que fazem parte da trilogia Acid Samba 
29/1. Sexta, 21 horas, Patife Band apresenta composições de seus três discos
30/1, 21 horas, Premê e Leo Cavalcanti: Clássicos e novas interpretações de grandes sucessos do Premê.
31/1, 18 horas, Iara Rennó e Tetê Espíndola: Artistas com vozes singulares se reúnem para uma Jam

Bate-papo. Livre. Grátis, Sábados, 19h30

23/1, Lira Paulistana: Os Bastidores por seus Fundadores e Sócios.
Narrativas ancoradas nas visualidades de seus fundadores, revelando histórias, eventos marcantes e fatos curiosos. Com Wilson Souto, Chico Pardal e Riba de Castro

30/1, A Vanguarda Ontem e Hoje e seus Respectivos Espaços
Pensando na produção contemporânea, os convidados discorrem sobre os caminhos de criação musical e como se desenha hoje, na cidade, os espaços catalisadores da nova produção e dos diversos experimentalismos. Com Arrigo Barnabé e Alexandre Mathias. Mediação Edson Natale

27/1, 18 horas, Aula-show com Arrigo Barnabé

Músico aborda seu processo de composição, onde a música popular brasileira dialoga com o atonalismo, o dodecafonismo de Schoenberg e a rítmica irregular usada por Bartok e Stravinsky

Vídeo às terças-feiras

Todas as terças-feiras durante o período de atividades e eventos do projeto Lira Paulistana: 30 anos. E depois?, com entrada franca, a partir das 19h30, também será exibido o vídeo Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista, do diretor Riba de Castro, um dos fundadores do Lira Paulistana. Produzido em 2012, o vídeo traz depoimentos de sócios, de trabalhadores, de artistas e de pessoas que acompanharam as produções do Lira Paulistana, abordando a história deste fenômeno cultural, catalisador as novas tendências artísticas da época.

O Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822, a 2.000 metros da estação Ipiranga da CPTM e da Sacomã da linha 2 Verde do Metrô. Para mais informações há o telefone 11 3340-2000. 

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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