Barulho d'Água Música

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792 – Parabéns, Paulo Matricó (PE), poeta do Pajeú que faz aniversário hoje

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Paulo MatricóO cantor e compositor Paulo Matricó (PE) é o destaque de hoje da folhinha de aniversários do Barulho d’água MúsicaPaulo Matricó é um dos mais conceituados cantores  e compositores do Nordeste e relançou em maio de 2015 para comemorar 20 anos da primeira prensagem o álbum Outro Verso, esgotada completamente após a projeção do artista no cenário da música brasileira. O disco, agora remasterizado, ganhou também uma releitura visual da capa e do encarte por meio de primoroso trabalho assinado por Paulo Rocha, constituindo-se em uma autêntica joia para colecionadores. 

A mídia do entretenimento, com suas apelativas e contestáveis escolhas, presta não apenas um desserviço à cultura nacional, como priva o público que aprecia música de qualidade de conhecer e cultivar uma ótima obra, além de impedir que um artista como Paulo Matricó atinja a devida expressão nacional. Se este crônico cinismo que beira o criminoso e o tragicômico nas emissoras do país afora não fosse tão empedernido, Paulo Matricó poderia ao menos dividir programações com expoentes como Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Zé Ramalho, Ednardo e Luiz Gonzaga, por exemplo, que desfrutam de uns tiquinhos a mais de atenção, sobretudo no Sudeste Maravilha.

Nascido no vale do Rio Pajeú, no município de Tabira (PE), poeta, declamador, cantor e compositor, Paulo Matricó possui um eclético repertório por meio do qual entoa desde poéticas cantigas a ritmos tradicionais do Nordeste tais quais forró-pé-de-serra (não o de grife, o de raiz!), xotes, baiões e xaxados e até reggae. Suas composições, conforme bem observou os Campeões do Repente ao assinarem  um texto no blogue Quadrada dos Canturis, trazem “no coração a essência do Sertão onde se batizou nas águas da poesia popular ao herdar do pai e de grandes menestréis da cantoria de sua região a arte de contar histórias simples, com o apuro de métrica e a graciosidade da rima cadenciada”.

Criado no meio de poetas, repentistas e forrozeiros, Paulo Matricó moldou-se por  influências de grandes mestres da cantoria e da música popular do Nordeste. A carreira musical começou em 1990, em Caruaru (PE), com a formação do Grupo Matricó – expressão indígena que significa Pai do Fogo (instrumento rudimentar que pega fogo com atrito entre duas pedras). Em 1995 saiu a primeira versão de Outro Verso e de lá para hoje o autor vem construindo uma importante obra, com 10 álbuns publicados — entre os quais Maria Pereira, lançado na Alemanha em parceria com o compositor alemão Stephan Maria, marcando dois anos nos quais trabalhou e residiu no país europeu.

(Ao regressar à Pindorama, Matricó fez Forrozeiro e logo depois realizou um concerto acústico no Teatro do Parque, Recife, gravando em 2002 ao vivo Em Canto do Sertão, obra antológica com 30 sucessos que pontificam os melhores momentos de Matricó até então.) 

De volta à Europa, Paulo Matricó participou de festival de cultura brasileira nas cidades espanholas de Madrid e Sevilha (2007); outro trabalho destacado é o musical Cordel Operístico Lua Alegria, a partir do seu livro de 2012 em literatura de cordel  em homenagem ao centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Entre suas músicas publicadas estão composições em parceria com Cátia de França, Anchieta Dali e outros músicos e poetas do Nordeste.

Outro Verso réune as músicas autorais ou em parcerias Pau de Atiradeira (Papalo Monteiro), Da cor do chão (Anchieta Dali e Luiz Homero), Na roça (Anchieta Dali e Paulo Matricó), Moenda (Paulo Matricó, Luiz Homero e Miguel Marcondes), Fuxico (Dinho Oliveira, Gutemberg Vieira), Avoante Saudade (Paulo Matricó), Canção da lua (Paulo Matricó), Prosa mineira (Lima Júnior e Milton Edilberto), Terra Mãe (Luiz Homero e Miguel Marcondes), Fulorando (Anchieta Dali), Absorto (Zeto do Pajeú) e Coração Mamulengo (Paulo Matricó). 

Álbuns da discografia de Paulo Matricó, ao qual o Barulho d’água Música parabeniza em nome dos amigos, leitores e seguidores, estão disponíveis no blogue Quadrada dos Canturis. O cantor e compositor assina ainda  o disco Lavradores, de 2014, não relacionado naquele blogue. Para mais informações e para adquirir discos de Matricó há os telefones de Maria do Carmo de Andrade (81-99635 9740) e o do próprio artista (81- 99866 9930). 

Lua da Alegria

Quem mora em Recife poderá conhecer outra faceta do talentoso Paulo Matricó hoje, 16, e amanhã, 17 de janeiro, curtindo no Teatro Luiz Mendonça, em Boa Viagem, a Ópera Cordelista Lua Alegria, que tem roteiro dramatúrgico baseado no livro-cordel Luiz Lua Alegria, que o aniversariante lançou em 2012 por ocasião do centenário de nascimento do Rei do Baião e conta, de forma poética e dramática, a trajetória de vida de Luiz Gonzaga até virar o inesquecível sanfoneiro que conquistou fãs no país inteiro e no exterior e é adorado por eles há várias gerações. Matricó retrata um drama que se funde à história de milhares de nordestinos nos grandes centros urbanos e agrega o rico conflito entre a tradição e contemporaneidade artística, conforme destaca o blogue operaluaalegria.wordpress.com.

Narrada ineditamente na linguagem do cordel, o espetáculo une dramaturgia, canto e música, sob o fio condutor de trilha musical pesquisada e produzida sob a influência da tradição popular de Pernambuco, com perspectiva cênica no formato de cortejo lítero-musical e recursos de Teatro de sombra, sempre de acordo com aquele blogue. A linguagem de cordel tem no espetáculo uma função narrativa, dramática, musical, sendo pontuada por referências às músicas nascidas da tradição e recriadas por Gonzaga e seus parceiros.

Em Lua Alegria o narrador é um cantador que surge e desaparece no palco como personagem que conduz a narrativa, os personagens e a Orquestra de Câmara, esta que tem a função de “coro grego”, por meio de comentários sonoros e vocais, sendo composta por 16 músicos. A sanfona, como fio condutor da obra, restaura as sonoridades clássica, barroca, sefardita, magrebina, árabe, ameríndia e africana, como elementos originadores da musicalidade nordestina e da própria música de Luiz Gonzaga, profundamente ancorada nessas tradições, ao mesmo tempo regionais e universais.

O espetáculo usa recursos das narrativas populares para assim apresentar o ritual de vida e trajetória artística, mágica e real, do Rei do Baião. O roteiro dramático e a trilha musical são baseados na tradição popular regional de cegos cantadores, violeiros-improvisadores, bandas de folguedos, aboiadores, rodas de coco, fermentados em laboratório criativo, revelando novos elementos à ópera tradicional. A narrativa cantada também é acompanhada por múltiplos instrumentos: cordas e sopros, sanfona e percussões (com triângulo e zabumba). Durante a narração são cantados e recitados trechos do livro-cordel em diversas modalidades e gêneros poéticos e ritmos sertanejos: toada, xote, xaxado, maracatu e baião.

8aXECNkO espetáculo conta e canta Gonzaga com músicos, atores e dançarinos, na partitura corporal das danças populares pernambucanas e cênica de atores-contadores e cantadores, numa proposta de encenação autenticamente regional.

Lua Alegria, como ópera, retoma a tradição narrativa dos cantadores de histórias de cordel, destaca em outro ponto o blogue que o Barulho d’água Música utiliza como fonte para esta atualização. Com modo narrativo lírico, a composição dramática combina as artes de canto coral, solo, recitativo e balé em espetáculo encenado numa formulação que une o dramma per música (drama musical) e a favola in musica (fábula musical), ambas espécies de diálogo falado ou declamado, acompanhado pela orquestra, no desafio encantador de compor (com elementos que surgiram no século XVI) uma ópera nordestina. Um espetáculo para lembrar, divertir e emocionar.

O teatro Luiz Mendonça fica na avenida Boa Viagem, sem número, e programou a sessão de hoje para às 21 horas; amanhã o espetáculo começará 20 horas. Para mais informações e reserva de ingressos utilize  (81) 2626-2605.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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