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793- Tributo a Pixinguinha com Vânia Bastos e Maria Alcina lota Caixa Cultural (SP) e ganha disco

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vânia e alcina

As cantoras Vânia Bastos e Maria Alcina, acompanhadas pelo baixista Marcos Paiva e do trio formado por Nelson Essi (vibrafone), César Roversi (sopros) e Jônatas Sansão (bateria), atraíram lotação máxima nas três noites que protagonizaram Chorinho Bom- Tributo ao Mestre Pixinguinha, no teatro da Caixa Cultural, entre 15 e 17 de janeiro. O anúncio de que ambas seriam atrações da casa de espetáculos situada no coração paulistano fez com que as entradas para as três rodadas do espetáculo dirigido pelo produtor cultural Fran Carlo se esgotassem nas primeiras horas ainda na parte da manhã e diante da procura por um lugar na plateia a equipe precisou providenciar mais assentos de forma a acomodar o público. Sucesso garantido em todos os palcos pelos quais já vem passando, o projeto, agora, está sendo registrado em álbum que deverá ser gravado ao longo desta semana. Com o disco recém-saído do forno, os músicos deverão retomar as apresentações entre o final de março e de abril.

Chorinho Bom- Tributo ao Mestre Pixinguinha ressalta as várias facetas e a grande diversidade musical (além de choros, o homenageado assinou sambas, valsas e outros ritmos que atravessam o tempo na memória afetiva e no gosto musical em geral) do maestro, apoiado em recursos cênicos e de iluminação impecáveis. O espetáculo é enxuto, mas dinâmico e elegante, concebido para entreter pessoas de todas as gerações. Antes de Vânia Bastos e Maria Alcina entrarem em cena, Marcos Paiva, Nelson Essi, Cesar Roversi e Jônatas Sansão promovem um “esquenta” instrumental digno de rolar nos mais conceituados espaços do Greenwich Village, território onde marca ponto quem curte e vive do jazz em Nova York, ou no templo Balcony Music Club, em Nova Orleans. O quarteto vai dos ritmos mais malemolentes que marcam, por exemplo, Seu Lourenço no Vinho, aos mais indolentes, tal qual em Ingênuo, passando por Cochichando, com arranjos dos mais sofisticados.

quarteto

Vânia Bastos ocupa o segundo bloco. É quando revisita com delicadeza e reverência o lado que seria o mais mavioso do flautista, saxofonista, compositor, orquestrador e arranjador que tinha por batismo  o nome Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973). Com sua voz cristalina, Vânia Bastos não tarda a conquistar a plateia e logo um animado coro compartilha com ela as composições à medida que extrai toda a ternura presente em joias como Lamento (apenas acompanhada por Paiva, em clima intimista, entretanto marcado pelo gostoso pulsar do choro que os mais conservadores pediriam com bandolim e flauta, mas que no arranjo apresentado soam como se de fato estivessem presentes), Rosa e Carinhoso.

Maria Alcina, “furacão” na concepção de Paiva ao chamá-la para a roda, “fogosa” conforme preferiu um fã no calor do auditório, revela como o carioca da gema Pixinguinha extravasava a índole apimentada e ladina que possuía. Admirada pela irreverência e picardia que fizeram dela ídolo popular e de premiada trajetória, Maria Alcina interpreta, por exemplo, Gavião Calçudo e Urubu Malandro com tamanho ardor que até o mais atento fotógrafo abandona o visor da câmera para também se refestelar um tiquinho, deixando de captar os trejeitos e as ousadias que ela sempre tem de sobra e parece do nada tirar do brilhante vestido azulado. É o momento de desbunde que antecede o gran finale: as estrelas da companhia, agora juntas, promovem bis para Carinhoso em uma ode à amizade e ao amor enaltecidos pela letra.

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Autor: barulhomarcel

Jornalista nascido em Bela Vista do Paraíso (PR). Corintiano por herança do pai, Geraldo Caetano de Lima. Do velho também puxou a paixão por modas de viola, música de raiz e caipira, que era chamada de "sertaneja" antes da mídia comercial se apropriar, indevidamente, do nome. Quando criança ouvia aos pés da cama dele, vindas de um rádio à pilha que chiava muito, clássicos destes gêneros que marcaram para sempre a sua vida. Eu e Andreia Beillo não temos nada em comum. Para começo de conversa, ela torce pelo Palmeiras. Mas resolvemos juntos botar o pé na estrada e acreditar nas bençãos de São Gonçalo do Amarante e tentar encontrar na atividade de blogueiros dedicados à música de qualidade algo que nos una e ajude muita gente boa espalhada por todo este país, e lá fora, também, a ter seus méritos reconhecidos, resgatando e preservando valores de nossa cultura popular.

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